
Love the People - Maithê Paris
Resumo rápido
Maithê Paris conta como saiu de uma área administrativa confortável na UI para fundar e liderar o UI Institute, um OSC focado em inclusão e empregabilidade de pessoas de baixa renda e com deficiência. A virada veio de um Natal em 2015, quando levou cestas à comunidade onde cresceu e percebeu que queria transformar realidades por meio da educação e da oportunidade de carreira. Ela defende que a maior barreira da inclusão são as próprias pessoas — recrutadores, líderes e times — e que a liderança inclusiva é o divisor de águas para que a diversidade gere resultado.
Capítulos
- 00:07O salário de R$554 e a convicção de trabalhar em multinacional
- 05:38Encontro na EY e a transição de carreira para pessoas
- 10:48Voltar a ser estagiária: a decisão contra o senso comum
- 14:25O Natal de 2015 e o nascimento do Criatividade Social
- 20:42A conversa difícil com o líder e a chegada ao UI Institute
- 34:36As pessoas como barreira: os três pilares da inclusão
- 41:21O primeiro passo para ser mais inclusiva no dia a dia
Frases do episódio
O que você vai ouvir neste episódio
- Maithê Paris aborda sua trajetória de doze anos na EY e sua atuação na área de inclusão.
- A convidada explica o funcionamento e a liderança estratégica aplicada na gestão do EY Institute.
- O episódio detalha o surgimento do movimento Criatividade Social focado no combate às desigualdades sociais.
- A discussão apresenta os aprendizados acumulados durante a passagem pelos setores farmacêutico e automobilístico.
Temas discutidos
A trajetória de Maithê Paris ilustra como a liderança consciente transforma a cultura organizacional por meio de iniciativas de Diversidade, Equidade e Inclusão. O debate conecta responsabilidade corporativa e inovação social ao contexto das empresas modernas, demonstrando que estruturas diversas favorecem a colaboração e a adaptação estratégica. Promover o desenvolvimento humano e combater desigualdades torna-se um pilar essencial para construir ambientes de trabalho sustentáveis, integrando o impacto social direto às práticas diárias de gestão de pessoas.
Para quem é este episódio
Este conteúdo é indicado para líderes de pessoas, gestores de diversidade e inclusão, e executivos interessados em responsabilidade corporativa. Esses profissionais encontrarão insights práticos para estruturar programas de impacto social, promover equidade e fortalecer a cultura de suas organizações.
Sobre a série Love The People
Love The People traz histórias de carreira de pessoas que atuam com agilidade, produto e liderança. São conversas mais pessoais do que técnicas: transições de área, decisões difíceis, aprendizados e o que cada convidado faria diferente. Serve como referência para quem está construindo a própria trajetória profissional.
Ver todos os episódios da série Love The PeoplePerguntas que este episódio ajuda a responder
Quem é Maithê Paris e qual é sua atuação atual?
Maithê Paris é especialista em gestão e liderança corporativa, atuando há doze anos na EY. Atualmente, ela lidera as áreas de Diversidade, Equidade, Inclusão e Responsabilidade Corporativa na empresa. Além disso, desempenha papéis como gestora e conselheira do EY Institute, sendo também a fundadora do movimento Criatividade Social, voltado à redução de desigualdades.
O que é o movimento Criatividade Social citado no episódio?
O Criatividade Social é um movimento idealizado e liderado por Maithê Paris com foco principal na redução de desigualdades sociais. A iniciativa busca conectar projetos e práticas corporativas a ações concretas de impacto humano, estimulando a responsabilidade social nas empresas e promovendo transformações estruturais em comunidades e ambientes organizacionais.
Qual é a trajetória profissional de Maithê Paris antes de sua liderança na EY?
Antes de consolidar sua carreira de doze anos na EY, Maithê Paris construiu sua bagagem profissional atuando em grandes empresas multinacionais dos setores automobilístico e farmacêutico. Essa experiência diversificada contribuiu para sua visão abrangente sobre gestão corporativa, liderança inclusiva e sustentabilidade institucional nas organizações.
Sobre este episódio
Neste episódio do Love the People, Maithê Paris narra a trajetória que a levou de uma área administrativa confortável na UI a liderar o UI Institute, um OSC dedicado à inclusão e empregabilidade de pessoas de baixa renda e com deficiência. A história começa com a convicção de que, um dia, trabalharia em multinacional — convicção que a fez pagar R$240 de inglês com um salário de R$554, aceitar voltar a ser estagiária e, anos depois, pedir ao próprio líder que a deixasse mudar de área. O ponto de virada foi um Natal em 2015, quando, na comunidade onde cresceu, viu que a mesa farta contrastava com a falta de um panetone ao lado. Daí nasceu o movimento Criatividade Social e, depois, a transição para o Instituto. Maithê explica que a educação sozinha não basta: o programa Empodera conecta desenvolvimento a oportunidade de carreira, porque sem a porta aberta do emprego o conhecimento não se materializa. Ela identifica três pilares da inclusão — processo seletivo que não barra, ambiente que acolhe e liderança que investe no desenvolvimento contínuo — e conclui que a maior barreira são as próprias pessoas: recrutadores, gestores e times que, por estereótipos e preconceitos, impedem que a diversidade gere resultado. A mensagem final é de abertura: a inclusão é aprendizado diário, e o primeiro passo é manter a mente aberta para se relacionar com quem é diferente.
Transcrição completa
Muito engraçado porque algumas pessoas da minha família viravam para mim e falavam assim, por que você está fazendo isso? O meu salário na época era R$554,00 e eu pagava para a cultura inglesa R$240,00. Era uma coisa muito absurda. E aí ele falava para mim, por que o pessoal falava, meu pai principalmente falava, mas por que você está pagando esse valor? E eu falava, porque um dia eu vou trabalhar em uma multinacional. E a partir daquele dia, a minha vida assim, deu um clique, eu falei assim, gente, foi muito maravilhoso esse dia, assim, foi muito mais legal do que qualquer outra coisa assim, de ter feito qualquer outra coisa no Natal, né? Celebrado, aquela mesa farta, né? Troca de presentes e tal. Eu falei, isso é uma coisa que eu faria de graça, né?
E deu um trabalhão, deu um trabalhão danado. Tem pessoas que falam, né? Como você se conectou com esse tema de diversidade? Como que foi, né? Eu acho que tem muito do autoconhecimento e do quanto a gente se identifica com realmente a desigualdade que você vive, né? Então, quanto mais você conhece, mais você vai percebendo o quanto a gente tem que ter esse papel de agente transformador, né? Porque tem gente que nem chega, você sabia? Tem gente que nem chega, fala, não, isso não é para mim. E eu escuto muito isso dos alunos do Instituto. Pessoal dizendo, não, eu? Essa empresa não é para mim. Essa empresa é que nem aquele shopping de gente, sabe? Que tem mais condição financeira, isso não é para mim.
A Maite é uma mulher de 33 anos. Casada. Que tem uma filhinha de 4 anos e que se chama Maria Clara. E que está esperando mais uma. Uma surpresinha, que chama-se Ana Luisa. Já temos o nome! Fiz questão de me descrever falando um pouquinho sobre a minha vida. Um pouquinho da minha família, que é o primeiro pilar da minha vida. Super importante e que traz todos os meus motivos e todos os meus porquês, né? Então, fiz questão de falar um pouquinho. Falando um pouquinho da minha trajetória profissional. Eu, enfim, tive algumas experiências em áreas administrativas. E consegui, felizmente, migrar para uma área que hoje eu estou. Que é a área de gente, né? Então, sou uma pessoa que me conecto muito com o tema de pessoas.
Gosto de servir, de trabalhar de uma forma colaborativa. E hoje a Maitê vem trilhando uma carreira em temas que eu sou apaixonada. Que são os temas de diversidade, equidade e inclusão. E responsabilidade corporativa, né? Então, falando um pouco do tema que está mais na moda, né? O tema de ESG. Muito focada em ações no pilar S, que é o pilar social. E que trabalha diretamente com pessoas, né? Então, unindo aí as duas pontas, né? O que a nossa sociedade precisa. E a força de trabalho. A força de pessoas que estão conectadas pelo coração. Para fazer a diferença por meio dessas ações de voluntariado.
Do que eu acredito. E como que eu me encontrei, né? Profissionalmente, mas 100 conectado aí com o meu propósito pessoal. A gente se cruzou ali na EY, né? Num lugar onde a gente trabalhou. Não necessariamente no mesmo time. Mas podemos nos conhecer. Lá pra resolver qualquer coisa e te ajudar, independente do tema, então eu chegando perdidona lá na empresa, ela foi uma das pessoas que mais me acolheu e aí no meio do caminho a gente juntou aí o que a gente gosta, né você falou do seu propósito de vida e que pra mim também muito parecido com o meu que é conectar pessoas e fomentar as melhores redes que ajudam e que fazem as coisas evoluírem, a gente se cruzou no mundo do voluntariado eu bato na porta da Maitei e falo o que você tem aí pra mim? eu tô lotada de coisa tô lascada de trabalho mas eu falo, cabe mais um pouquinho bora, o que eu posso fazer pra ajudar então, esse é um pouco da relação que eu tenho com a Maitei, que eu fico muito feliz independente da gente não estar hoje mais trabalhando no mesmo lugar como vocês sabem, eu, enfim, tô aqui na K21 a gente continua conectada aí querendo sempre o melhor e dar o máximo que a gente puder e você falou um pouquinho dessa trajetória que você começou numa frente mais administrativa e conseguiu fazer essa transição de carreira pra parte de diversidade, equidade e inclusão e responsabilidade corporativa, eu queria que você falasse um pouquinho mais o que que te fez fazer essa como os caminhos se abriram pra essa mudança porque quando a gente olha, você fala poxa, eu queria entender um pouquinho mais como que isso aconteceu como é que foi essa transição de fato que legal que você fez essa pergunta tô bem acostumada a falar sobre isso porque é interessante, muitas pessoas me procuram pra perguntar e falam, poxa, como é que foram suas transições, eu passei por mais de uma transição, não só dentro da mesma empresa, mas durante toda a minha trajetória profissional eu tive que tomar algumas decisões e tive que buscar essas mudanças, mas que vieram depois de muito autoconhecimento o que é curioso, às vezes a gente só fica pensando no fator sorte quem são as pessoas, poxa, não, ela é muito boa de networking, tem gente abrindo portas, é bem relacionada e eu acho que além do networking sim, é um fator bem importante afinal, quando você entrega o seu melhor pras pessoas, as pessoas entregam o melhor delas pra você e você fica marcado nessa história você é uma pessoa que tá ali, um dos top of the mind, a pessoa pensa em você, pensa em algum tema específico e ela já te conecta com alguma coisa porque você foi muito marcante, né?
Na história dela, e enfim, é super importante, mas também tem o fator da intencionalidade, o quanto eu busco de uma forma proativa e corajosa o que eu realmente quero, então eu entendo o que eu quero e vou atrás dessa busca entendendo que vão ter ganhos e vão ter perdas como qualquer decisão, então eu queria muito aproveitar comentando assim que eu tive outras decisões que não necessariamente estão próximas desse momento profissional mas que foram, que quando eu paro e olho pra trás eu falo, elas foram fundamentais pra estar aqui hoje elas pavimentaram essa estrada e enfim, eu comecei a fazer faculdade cedo então por um fator motivacional que foi um empurrão então eu tenho dois irmãos meu irmão mais velho conseguiu passou na universidade como pró -uni na primeira e aí eu tive o fator motivacional do meu pai dizendo, ou você passa ou você paga a própria faculdade ai, eu conheço essa história, é boa foi assim, uma leve pressão e também me esforcei bastante, consegui passar também com muito orgulho como pró -uni e essa foi uma das primeiras decisões importantes, que eu tava ali fazendo aquela prova do Enem e eu ia fazer aquela prova pra passar pra passar como pró -uni, que eu sei que seria uma das minhas primeiras grandes conquistas e que eu ia deixar os meus pais muito orgulhosos e que sobretudo ia conseguir dar início a minha jornada profissional, enfim, foi muito bacana essa oportunidade eu trabalhava com outra área comecei a trabalhar logo com 17 anos porque eu sempre quis, falei não, tenho que me desenvolver, quero começar a trabalhar e aí na faculdade veio aquele estralo, puxa, agora eu preciso ir pro mercado e eu quero fazer alguma coisa na área, quero começar a trabalhar na área, consegui um estágio na época e comecei a trabalhar numa área administrativa de faturamento, era uma empresa pequena então em empresa pequena você faz um pouco de tudo começou em faturamento, dali a pouco eu fazia vendas, fazia compras também, e ao mesmo tempo que eu consegui esse emprego e fazer a faculdade que eu tive a grande sorte de não ter que pagar, eu falei, bom agora é a hora de eu começar a pagar o inglês, porque um dia eu vou trabalhar numa empresa multinacional e eu vou precisar do inglês, e eu já tinha estudado inglês em escola regular, mas enfim, eu sabia que eu precisava demais pra que essa porta fosse aberta e aí comecei, então comecei a pagar lá com muita sofrência cultura inglesa, é muito engraçado porque algumas pessoas da minha família viravam pra mim e falavam assim por que você tá fazendo isso?
Meu salário na época era 554 reais e eu pagava pra cultura inglesa 240 era uma coisa muito absurda, e aí ele falava pra mim por que o pessoal falava, meu pai principalmente falava, mas por que você tá pagando esse valor? E eu falava, porque um dia eu vou trabalhar numa multinacional, e aí esse estágio, conseguir ser efetivada, tava indo muito bem essa empresa que eu tava trabalhando e aí surgiu uma oportunidade pra uma empresa multinacional só que era uma oportunidade de estágio e eu já tava ali numa efetivada CLT nessa outra empresa e aí foi a segunda decisão segunda importante decisão que foi quando eu anunciei pra minha família que eu ia participar de um processo seletivo de estágio, assim, você tá maluca, né? e o fundo de garantia? Você tem fundo de garantia? Você tá com a carreira? Tá tudo certo, né? Você tá maluca? Vai pra estágio? Eu lembro que a piadinha de que eu era estagiária eterna durou, assim, uns dois anos porque o pessoal brincava, né, da minha família falava, puxa, mas você vai ser estagiária pra sempre e, enfim, eu falava gente, eu vou pra esse processo eu vou pra essa empresa porque um dia eu vou trabalhar numa empresa multinacional, e se a porta tá abrindo pra eu ser estagiária, eu vou ser Tem que aproveitar, né? E aí eu fui, fui estagiária depois, enfim, entrei nessa empresa multinacional foi muito legal a experiência, era o que eu queria, né? Então, conhecer diferentes culturas diferentes pessoas comecei a ver, né, o pessoal falando inglês, várias línguas, eu tava naquele ambiente ali, me sentindo realmente exposta a coisas diferentes, né?
Coisas que eu não tinha visto ainda, né? Na minha infância, na minha adolescência era tudo muito novo, tudo muito interessante, assim, eu sabia que era ali que eu queria ficar, né? E que me traria grandes oportunidades. E aí de lá fui pra essa outra empresa, né? Que é a UI que é a empresa que eu tô, hoje faço mais de 12 anos nessa mesma empresa passei por várias áreas também na própria UI, né? Comecei como assessora Blimp Junior, né? Então, na área de secretárias depois, né? Então, comecei a trabalhar nessa transição de carreira que foi uma terceira decisão, né? Então, trabalhava numa área muito confortável, com lideranças que me patrocinavam, com pessoas que eu gostava, fazendo com excelência o que eu já sabia fazer, né? Treinando outras pessoas e aí, em 2015 começou a me dar, eu sempre fui uma pessoa que eu, eu sempre vi meus pais, assim, a minha família, eu sempre vi eles fazendo muitas ações, assim, não só ações sociais de entregar comida, mas também ação de ajudar outras pessoas.
Então, a minha mãe sempre foi uma pessoa, assim, chave, sabe? Puxa, o filho tá doente, então a gente conectava, não, eu tenho um contato ali, eu sei um hospital parava tudo, ia buscar pessoa, então eu sempre vi os meus pais, assim, fazendo muito. Servindo, num papel de serviço, sabe, pelas pessoas. Isso somado com todas as experiências que eu vivi, foram assim, deixando uma sementinha florescer dentro de mim, né? De puxa, eu tô aqui pra algo mais, né? Eu tô aqui pra ajudar as pessoas, eu tô aqui pra, puxa, fazer a diferença pra alguém, né? Então seja uma coisa mínima, mas eu tô aqui pra isso. E aí, em 2015 era um Natal, eu virei e falei assim, bom, você sabe o que eu vou fazer? O sentido do Natal, qual é o sentido do Natal, né? Eu tenho uma mesa super farta, presente, tinha sido um ano muito especial, né, de trabalho, um ano que eu tinha sido bastante reconhecida, tinha conseguido boas coisas, assim, e eu falei, puxa, mas qual é o sentido de eu estar vivendo tudo isso?
E ter gente ali do meu lado, né, na comunidade que eu nasci, no bairro que eu nasci, sem ter o mínimo, sabe, pra uma ceia, sabe, sem ter um panetone, sem ter o peru, sem ter... E aí, em 2015 a gente fundou um movimento social, hoje chama Criatividade Social, e até hoje, né, a gente faz ações de voluntariado, e foi nesse dia que a gente foi pra rua, fomos numa comunidade Sacadura Cabral, que foi onde eu nasci, vivi lá por 20 anos, e a gente foi fazer entrega de cestas de Natal. Aquele dia, eu lembro, até hoje, assim, um dia que tava chovendo, não me esqueço dos abraços, dos sorrisos do pessoal recebendo, né, uma cesta e tal, uma coisa tão simples, e a partir daquele dia, a minha vida, assim, deu um clique, eu falei assim, gente, foi muito maravilhoso esse dia, assim, foi muito mais legal do que qualquer outra coisa, assim, de ter feito qualquer outra coisa no Natal, né, celebrado, aquela mesa farta, né, os troca de presentes e tal, eu falei, isso é uma coisa que eu faria de graça, né, e deu um trabalhão, deu um trabalhão danado, gente, porque assim, imagina uma pessoa leiga, indo fazer esse tipo de ação, eu não tinha nenhuma experiência, então, pra começar, eu tinha que enfiar, porque eu não sabia que todo mundo ia se engajar na ação, a gente teve que enfiar 50 cestas dentro de um palio, começou com essa missão, porque a gente não tinha pensado na logística, né, puxa, de avanção tanto, e aí eu comecei a pensar, falei, isso eu fiz aqui como voluntária, eu faria de graça, eu faria mil vezes mais de graça isso que eu tô fazendo, porque os sorrisos, o sentimento que eu tive, assim, de ter contribuído por uma coisa que realmente faz sentido, me deixou, assim, muito, muito, muito feliz e realizar, eu falei, é isso que eu quero fazer, eu quero ajudar, eu quero dar oportunidades, eu quero chegar onde a alegria tá faltando, onde a esperança tá faltando e quero conseguir ser uma agente que vai transformar essa realidade, por mínima que seja, né, que seja de uma noite, né, que era uma noite, né, e aí algumas pessoas até criticam, ah, mas todos os outros dias a pessoa vai passar fome, mas nesse dia não, nesse dia ela não vai passar, né, e eu acho que se a gente ficar pensando que em todos os outros dias a gente fica imóvel, né, e aí eu não decido, eu não quero ficar parada, eu quero sim fazer alguma coisa em relação a isso.
E aí continuei fazendo as ações e foi muito curioso que essa ação foi uma ação pessoal que eu não fiz com propósito profissional, eu fiz isso porque eu quis naquele momento e aí, vejam que engraçado, porque flor, né, agora eu lembrei que aqui eu tô toda chamada de flor, como você quiser. E aí, eu peguei e falei assim, bom, já tava na hora de eu começar a preparar uma transição, porque eu já sentia que tava num momento ali, bem confortável, né, já sabia, eu já tinha algumas informações de que puxa, qual que é o próximo passo? Não tem o próximo passo, né, você já tá atendendo aqui o líder, né, de linha de serviço e tem, depois disso tem a secretária do presidente e eu falava, bom, eu adoro fazer o que eu faço, faço bem, as pessoas gostam de mim, mas eu quero mais, né, eu quero me desenvolver, quero buscar outras coisas.
E aí eu fui buscar essa conversa, né, que foi uma conversa bem difícil, imaginem, né, você fala pra pessoa, pessoa que trabalha com você, que te adora, que você também adora, mas dizer, olha, eu preciso de algo mais, né, eu preciso crescer, eu tô muito feliz, mas tá na hora, né, tá na hora de ir pra um lugar que eu possa aprender mais e me desafiar mais. E aí, quando eu fiz essa conversa, essa pessoa falou, bom, vai ser muito difícil, né, você tem certeza? Porque você pode seguir essa carreira, né, e eu falei, não, eu tenho certeza, eu quero outra coisa, não sei exatamente o que, né, mas eu sei que eu quero fazer alguma coisa, no campo de pessoas. Eu acho que isso é até mais difícil, né, quando a gente, porque mudar quando a gente não tá num cenário confortável e que tá funcionando, é meio que, pô, você tem que mudar, é uma coisa que não é o óbvio, né, tipo, não tá ruim, pra ficar bom, eu preciso mudar.
Mas quando tá bom, eu acho que a mudança é mais difícil ainda, porque é como se você estivesse abrindo mão do certo, claro que ninguém tem toda a certeza, da vida, mas de uma coisa que você já sabe que funciona, pra ir pra um lado que você não tem a menor ideia do que você vai encontrar. Que aí eu acho que entra o ponto do autoconhecimento, né, e essa segurança que você falou no início, né, como que você se prepara internamente pra poder ter que lidar com esse tipo de situação. Mas é uma decisão que exige muito da gente enquanto ser humano, né, você sair do tal da zona de conforto que a gente tanto fala, mas entender que as zonas de crescimento tá depois da zona de conforto. É isso, é exatamente isso. E todas as consequências que esse passinho gera, né, porque pensa que você tá defendendo os interesses ou buscando sair da zona de conforto, sua, mas tem outras pessoas envolvidas nesse contexto.
E aí você fica, mas o que a pessoa vai pensar? Que eu não tô gostando mais de trabalhar com ela? Mas e agora? Isso vai impactar a minha avaliação, né? Então, e assim, a gente sabe como profissional que é difícil você achar uma área que, poxa, você gosta do clima, que você tem quem te patrocine, que você faça bem, que você se sinta seguro, né, a gente poxa, me sinto segura pra fazer as coisas, então realmente foi muito difícil. E ainda mais porque, imaginem, né, como eu trabalhava com o líder, eu não tinha como falar com outra pessoa, né, eu tinha que falar com ele, né, então trabalhamos juntos e, mas eu quero buscar outra coisa, então tive muita sorte, né, de como essa pessoa foi receptiva comigo, como essa pessoa foi até muito carinhosa, porque eu comecei a buscar em paralelo, porque quando eu fui falar com ele, eu falei, bom, eu já tenho que ter na manga aqui o que que eu quero exatamente, né, então uma pessoa de alta influência na empresa, eu falei, eu já tenho que mostrar pra ele aqui o que eu sei, porque é aquela coisa, né, pra quem não sabe onde vai, qualquer caminho serve, então eu tenho que estar segura aqui, pelo menos de algumas, né, de uma inclinação, né, a área de gestão de pessoas, mas a área, né, tem muitas áreas.
Eu separei algumas vagas e eu lembro com muito carinho que essa pessoa, ele disse pra mim assim, não, essas vagas eu vou ter que dizer não, porque isso seria um downgrade pra você, né, isso seria um retrocesso. E aí eu cheguei em casa muito triste, falei, não, eu não acredito, eu não vou conseguir sair nunca dessa área, eu falei, vai ser muito difícil e tudo, e muito curioso que depois essa mesma pessoa, esse mesmo líder me chamou e falou assim, bom, agora sim surgiu uma oportunidade pra você vai conseguir fazer um ótimo trabalho que tá 100 conectado com a MIT pessoal. Então você vai fazer isso com muita paixão, você vai entregar muito bem, eu tô muito seguro. E foi quando ele me convidou, né, pra começar uma nova história no UI Institute, né, que é um instituto com foco inclusão, empregabilidade de pessoas de baixa renda e pessoas com deficiência.
E aí, imagina, né, foi pura comemoração, né, muita, muita alegria, uma baita realização, que eu falei, gente, é isso, é isso que eu quero fazer da minha vida, eu vou ser remunerada ainda, eu vou ganhar dinheiro pra fazer o que eu quero fazer. Então, foi um momento de muita alegria e que sim, né, quando você olha pra trás, todas as decisões foram difíceis, mas foram muito necessárias pra chegar a esse momento, né, porque eu não sei também se eu não tivesse falado que queria mudar, se essa oportunidade teria batido na minha porta da mesma forma. Exatamente, né, o fato de você ter externalizado te colocou como uma potencial candidata, enfim, a gente pode chamar do que for, mas as pessoas nunca iam saber. Como que alguém ia saber, né? E eu acho que aí que tá a mágica do diálogo e da honestidade, não só com os outros, mas com a gente também, né, o quão importante é a gente ser honesta e ter condições de dialogar, principalmente com liderança, né, quando a gente olha pro mercado, a gente vê muito essa dor de achar que os líderes, as pessoas têm medo, né, que os líderes não vão apoiar porque vão enxergar talvez como uma ameaça, e a gente, aqui no Love the Problem, a gente tem alguns episódios que falam muito sobre essa questão de gestão de pessoas, então, eu acho que é uma confluência de fatores, né, você se colocar disponível, é você ter pessoas ao seu redor que têm condições de te apoiar dentro disso, é ter sorte, é ter autoconhecimento, é um combo, né, um combo que a gente precisa ir trabalhando.
Mãe, você falou sobre o início da sua jornada no Instituto. Eu conheço o Instituto, né, eu já tive a oportunidade de fazer vários trabalhos, mas eu queria muito também aproveitar essa conversa que a gente está tendo pra você dar um pouco de visibilidade de como que é o tipo de trabalho que acontece lá, até porque, gente, são nesses momentos que a gente começa a entender como a gente pode ajudar. Eu, pelo menos, por muitas vezes, eu quis ajudar e eu não sabia nem por onde começar. Então, que nem a Má falou, ah, quando eu comecei, eu peguei cesta básica, tive que enfiar não sei quantas num palho e tudo mais, eu, Flor, também já passei por isso e a gente começa, mas é fato que se a gente souber quem que já tem ali uma certa experiência com o negócio, facilita e a Maitê fez muito isso por mim, então, eu acho que se você pudesse falar um pouquinho do trabalho do Instituto, talvez a gente conseguisse, quem sabe, eu estou junto com a Maitê na busca de voluntários sempre, tá, gente? Então, apareceu alguém que gosta, que fala, eu falei, escuta, vem aqui, você não quer falar aqui um pouquinho sobre isso? Então, eu queria que você falasse um pouco pra gente, Má, desse trabalho, o que que é, né, o trabalho do Instituto. E as forças se unem, né, existe uma conspiração do bem que você começa a encontrar quando você busca, né, por essas pessoas, você se conecta com quem está buscando a mesma coisa que você. Com certeza, falo com o maior prazer sobre o Instituto. O Instituto, eu acho que é até legal, assim, a gente diferenciar dois conceitos, né, o conceito de dar as coisas, que é como eu comecei, né, essa ideia de um movimento social em 2015, foi numa linha de pensamento muito assistencialista, né, que eu conheci até o momento, né, de doar, mas dá pra ajudar ali aquela necessidade, com um aporte financeiro, com alimento, com outras coisas.
E aí, quando eu cheguei no Instituto, com toda essa história que eu contei pra vocês, eu comecei a conhecer um conceito de transformar, né, então, trazer impacto social, mas por meio de uma ferramenta que é tão poderosa quanto o dinheiro, ou alimentação, ou outras coisas que você pode dar, que é a educação, né, oportunidade de desenvolver, a oportunidade de você ampliar os horizontes, dar referências pra quem não tem, pra pessoa que teve isso limitado ali na sua história, na sua vida. E, assim, o trabalho do Instituto é exatamente esse, né, então, por meio de ações de educação, de desenvolvimento, é ajudar pra que as pessoas possam buscar estarem preparadas, né, pras suas oportunidades. O Instituto, então, ele oferece nessas... E como que ele faz isso, né? Como que ele oferece essas capacitações, programas de co -op, faz isso através, né, do apoio que a Flor nos dá, ou que várias outras pessoas, né, que são inteligentes, habilidosas, se reúnem nesse propósito pra gente conseguir oferecer educação de qualidade pra quem não teve acesso. O Instituto, então, ele foca, né, então, na diversidade, então, considerando, né, que nós temos alguns grupos de pessoas que tiveram falta de acessibilidade por N motivos, seja acessibilidade física e digital pra pessoas com deficiência, seja falta de acesso por preconceito e discriminação, então, no caso de outros grupos, né, então, pessoas negras, povos originários, mulheres, comunidade LGBT e mais, então, a gente olha pra quem não teve essas mesmas oportunidades e colabora, né, e traz essa força, essa máquina do bem, né, de pessoas, de voluntários e voluntárias que querem ajudar nos nossos programas.
E aí, tudo isso, né, com metodologia, apoiado em expertise, o Instituto, ele fica conectado, né, como um hub que se conecta com várias outras áreas da empresa, né, então, é um instituto que foi criado pela empresa UI, mas é um instituto que é uma OSC, né, então, uma organização a serviço da comunidade, então, a preparação de pessoas, o desenvolvimento de pessoas é com foco no mercado de trabalho, e não pro próprio interesse da empresa, então, é para a sociedade, e nesses programas são desenvolvidas competências que ajudam as pessoas na formação pra no mercado de trabalho. Vou dar um dos exemplos, a Flor já participou desse projeto, a gente tem um projeto de inglês e português pra surdos, né, então, desenvolvimento de comunicação escrita, e que é um projeto, eu diria que tem pessoas que falam, né, como você se conectou com esse tema de diversidade, como que foi, né, eu acho que tem muito do autoconhecimento e do quanto a gente se identifica com realmente a desigualdade que você vive, né, então, quanto mais você conhece, mais você vai percebendo o quanto a gente tem que ter esse papel de agente transformador, né, e aí a gente vai aprendendo muito, e foi, quando eu conheci esse projeto, eu lembro que eu tava como uma voluntária, e como voluntária eu tava entrevistando as pessoas, na época eu não falava libras, depois comecei a estudar pra aprender, e as pessoas surdas que estavam ali, participando dessa entrevista, pra participar do curso, elas davam seus depoimentos dizendo que elas não eram tratadas da mesma forma, pela própria família, né, algumas pessoas eram consideradas ali uma pessoa que faria os afazeres da casa, mas que não teria oportunidade de ir pra escola, que não tinha nem a oportunidade de se comunicar porque a família não tinha ido atrás pra aprender libras, né, e aí foi vendo essas pessoas chorarem, né, que eu falei, puxa, gente, que mundo eu tô, eu preciso aprender libras, eu preciso saber onde tá a comunidade surda, onde as pessoas tão trabalhando, nossa, os RHs tão fazendo entrevistas sem intérprete, gente, intérprete, de libras, então assim, foi como assim como algumas coisas que acontecem na nossa vida, que é um estralo, você fala, puxa isso, né, aquele insight, quando eu participei desse processo, eu falei, gente, eu tenho que fazer alguma coisa, como assim?
Eu tô aqui, a comunidade surda no Brasil é enorme, e como um país emergente, né, que tem muito a se desenvolver, a gente tem muita coisa a fazer, porque a surdez, ela vem em decorrência de também problemas sociais, então é a pessoa que não teve acesso a vacina, é a mãe que não teve orientação e que não fez o pré -natal, e aí eu falei, gente, sim, eu vou me conectar com esse assunto, eu vou fazer o que eu puder, vou fazer o que tiver meu alcance. Então assim, esse foi um dos primeiros projetos que eu me conectei, tem muitos outros, né, então, do Instituto, mas basicamente a lógica é essa, né, então, ver pessoas que precisam, que querem se desenvolver, ter essa oportunidade de contato, de interação, com pessoas que têm ali conhecimento, que têm habilidade e, sobretudo, que têm vontade de se doar, de doar o seu tempo, de contar a sua história, de contar a sua experiência, pra inspirar outras pessoas.
Um dos programas que me dá mais orgulho, assim, que eu digo aqui, que eu acho que é onde a gente deve se conectar e se engajar, é o Empodera. Por quê? Por que não tem que ter queridinho, né, a pessoa que trabalha com diversidade tem que gostar de todos os programas. Da mesma forma, né, e tem que ter uma posição pra acelerar todos eles. Mas, trabalhando, né, nesses mais de seis anos, com programas de educação social, eu percebi que a educação, ela é, realmente, a ferramenta que mais transforma. Mas a educação sozinha, sem inclusão, ela não adianta. Porque a pessoa que passa por esse programa e que ela recebe a chance, que ela se desenvolve, ela precisa de uma cereja, né, ela precisa de uma realização a mais que é a oportunidade de carreira, é a oportunidade de emprego.
Então, se você desconecta conteúdo, gente, na internet, ainda mais pós -pandemia, mas, enfim, conteúdo, você tem em todos os lugares. A pessoa pode se formar, a pessoa pode ir atrás, ter as referências, ter as bibliografias, mas, se essa pessoa não tiver a porta aberta pra começar a carreira e começar a experienciar esses conhecimentos, trocar com outras pessoas, desenvolver no dia -a -dia prático ali, trabalhando em problema, trabalhando em solução, colaborando, enfim, esse conhecimento, ele não vai ter, um papel útil. Então, esse programa que é o Empodera, ele é voltado pra pessoas de baixa renda, considerando todas as diversidades pra aprovação, pra critério de aprovação, que dá um baita orgulho, porque só de ver, assim, o quanto que você ser propositivo e buscar a diversidade te ajuda a aprovar as pessoas, encontrar as pessoas, que é um argumento que eu vejo, né, muito. Ah, não, mas é porque não tem pessoas formadas. Tem pessoas com inglês, mas quando, quando você é propositivo, você encontra as pessoas, e as pessoas te encontram. Então, é basicamente, né, isso. E essa é a mensagem que, se eu puder deixar pra todas as pessoas, não adianta só a gente dar oportunidade de desenvolvimento, a gente trocar, fazer mentoria. A gente precisa dar emprego, a gente precisa abrir portas, a gente precisa indicar, né, a pessoa que tá lá, desempregada, bateu na sua porta, mandou o currículo, disse que tá com dificuldade, a mãe que explicou que saiu que deixou o mercado de trabalho por três anos e que quer voltar. E que tá te pedindo uma conversa de 30 minutos pra você explicar pra ela como é que tá a dinâmica. Então, assim, como é que tá a dinâmica do mercado.
Então, e é isso. Então, eu acho que foi um grande estralo, um estralo importante, que é essa conexão com o mundo profissional. E essa dedicação é uma dedicação que todos nós que estamos aqui no ambiente corporativo, a gente pode fazer, gente. É de graça, né. O nosso tempo, a gente sabe, né, ele é custoso, mas não custa nada a gente dedicar um tempinho pra ajudar alguém a entrar no mercado. Total. É, gente, inclusive, todas essas o LinkedIn da Maite, o link do Instituto, pra vocês que ficaram curiosos, querem saber um pouco mais sobre os programas, a gente vai colocar no nosso backstage, k21.link barra love the problem. E, Mar, você falou um ponto muito legal sobre a questão do mercado, sobre dar oportunidade. Quando a gente olha pro mercado hoje, o que você encontra como a maior barreira pra poder esse tipo de oportunidade? Onde, o que que tá rolando? Porque é isso mesmo que você falou, todo mundo fala, mentoria tá rolando solta, as pessoas estão engajadas, eu olho pra comunidade de agilidade mesmo, eu vejo como existia um trabalho ainda, claro, a gente tá falando de uma inclusão de alguns grupos específicos, né, de diversidade dentro da agilidade, porque é um tema ainda muito novo, então acho que tem uma jornada longa pela frente. Por que que é tão difícil? Porque, por que que a gente tem que dedicar tanto tempo? Por que que tá rolando no mercado que tá deixando as coisas, qual que é a barreira que a gente tá encontrando quando a gente fala sobre inclusão, principalmente? Bom, pra mim, o nosso episódio aqui, né, o tema dessa, desse podcast, eu acho que ele resume um pouco do que eu penso que eu, Maitê, né, tenho como opinião de que é uma das principais barreiras, que são as pessoas, né, então, ao mesmo tempo que nós somos pontes, nós também podemos ser barreiras.
E por que que eu digo isso, que nós somos barreiras na inclusão? Se você for pensar no processo de inclusão, é muito fácil a gente dizer que existe um papel a ser cumprido pras pessoas que querem buscar a sua oportunidade. É muito fácil quando a gente olha dessa perspectiva, né, que é a perspectiva de que a pessoa tem que estudar, tem que se desenvolver, tem que buscar isso, aquilo, e eu vejo que as pessoas estão fazendo isso, né, então tem muita gente aí com vontade indo na ONG, batendo a mão, batendo na porta do primo, batendo na porta da tia, pedindo subsídio, pedindo pra pagar um curso, né, a gente vê que as pessoas estão assim. Tem muita gente assim, né, muito interessada em entrar, vir pro mercado de trabalho, dar um jeito de pagar a faculdade, buscar bolsa, e aí tem um outro lado da história que é o lado de contratar e selecionar, né, então ter ali um processo de contratação, um processo de seleção inclusivo que não barra a pessoa quando chega, na porta, né, porque tem gente que nem chega, você sabia?
Tem gente que nem chega, fala, não, isso não é pra mim. E eu escuto muito isso dos alunos do instituto, pessoal dizendo, não, eu? Essa empresa não é pra mim. Essa empresa é que nem aquele shopping de gente, sabe, que tem mais condição financeira, isso não é pra mim. E aí são as pessoas que fazem o processo ser mais inclusivo. Como eu tô recebendo a pessoa que chegou um pouquinho mais atrasada, ou a pessoa que veio e se expressou de uma forma, ali, né, então trouxe uma vestimenta que transmite muito o que ela é, a personalidade dela, então como que eu tô olhando pra isso? Eu tô querendo encaixar todo mundo no mesmo padrão, ou eu tô respeitando a pluralidade, tô respeitando a originalidade?
Ah, eu quero ter um programa pra refugiados, mas quando você chegar aqui, não, peraí, não dá pra usar o cabelo assim, essas cores tão muito... Então, assim, você tem que ser realmente inclusivo, e pra você ser inclusivo, você tem que treinar as pessoas, porque culturalmente a gente não tá preparado pra ser assim, né, a gente tem ali, enfim, estereótipos que foram criados, preconceitos, então eu tenho que preparar as minhas pessoas, os meus times, pro processo de recrutamento. Conseguir passar por essa barreira. Recrutamento tá aprovando a galera. Chegou, fez o onboarding. O que que eu tenho? Eu tenho as lideranças, eu tenho os times. Se o ambiente não for, gente, não for um ambiente saudável, um ambiente que a pessoa se sente parte, puxa, aqui eu posso colaborar, aqui eu posso discordar, eu posso trazer as minhas ideias. Se você não tem esse ambiente, a pessoa não quer permanecer. E terceiro pilar, que pra mim é o mais importante, e que pra mim é uma das características que vai ser assim, um divisor de águas pra quem quer continuar no mercado de trabalho no futuro, é o exercício da liderança inclusiva. Qual que é o seu papel como líder, enfim, pra o desenvolvimento dessa pessoa e pra essas oportunidades? Você tá dando as mesmas chances pra todo mundo prosperar? Ah, não, eu já tentei, coloquei ali pra usar tarefa, mas ela não foi bem, então eu já quero desligar. Não, gente, exercício de liderança não é assim. Exercício de liderança é fiz a contratação, olhei a pessoa certa pra avagar certo, ela tem as competências que eu preciso. Assignei atividades, não foi bem?
Será que ela vai bem em outras atividades? Eu tô investindo tempo pra alinhar as expectativas do que ela vai fazer, pra saber o que ela gosta de fazer, o que tá conectado com ela, o que ela faz de coração, o que ela vai fazer muito melhor, o que ela gosta, o que ela vê sentido. Então, pra mim é um pouco disso, assim, é a barreira das pessoas. Porque se eu fiz um trabalho brilhante, maravilhoso, um trabalho, fiz, contratei, tô com alta representatividade, e eu não tenho time acolhendo, eu não tenho um gestor, uma gestora comprometida com o desenvolvimento de carreira dessa pessoa, minha missão não foi bem sucedida. Então, pra mim, esse é o maior desafio da inclusão, considerando também que a inclusão pra performance e resultado, tá, gente? As pessoas também, esse olhar de, ah, então tá bom, a gente vai ter que achar régua, a gente vai ter que fazer...
Não, gente, não é isso, não é sobre isso. É sobre ter as pessoas fazendo o que elas querem fazer, o que elas são capazes, né? Então, elas têm habilidades pra fazer, pra que elas façam bem. Ninguém quer fazer a contratação e a inclusão pra que a pessoa fique fazendo a mesma coisa por 10 anos. Todo mundo tem o direito de progredir, de se desenvolver, de fazer algo que vai colaborar com o resultado da organização. Mas pra isso, a gente tem que ter boas pessoas norteando esse caminho. Maravilhosa. Ai, gente, vocês entendem porque que eu sou apaixonada por essa mulher?
A gente tá caminhando pro fim desse episódio, e eu queria, se você pudesse ligar pra você mesma, imagina, em qualquer momento do passado ou do futuro, quando você ligaria e o que você diria pra você mesma?
Excelente pergunta. Bom, eu ligaria pra Maitê de 15 anos. Maitê ansiosa. Que queria correr com as coisas, que tinha muitos sonhos, muitos pensamentos e muitos medos. Sobretudo muitos medos das coisas não darem certo, de não conseguir, de não ser capaz, de não ser o suficiente. Então eu ligaria pra essa Maitê de 15 anos e diria que, enfim, parabéns. Parabéns, reconhecendo toda a luta, toda a conquista, as angústias. Então acho que pra mim, esse movimento de saber o que significa coragem, saber o que significa se valorizar como pessoa e como profissional são fatores fundamentais, que tiraram muito dessa forma com que eu via as coisas e dessa forma com que eu me projetava pros outros. Então pra Maitê de 15 anos eu diria isso. Confia. Confie e vá em frente que as coisas vão dar certo.
Não esqueça dos seus valores, não esqueça do que realmente importa pra você, sendo sempre humilde e respeitando outras pessoas, mas confia que as coisas vão dar certo. Muito bom.
E pra gente finalizar, eu queria que você falasse também pras pessoas que estão ouvindo, como que elas podem acessar, ser voluntárias ou ser mais inclusivas ou buscar algum programa, não necessariamente no Instituto, aqui é uma dica, qual é o primeiro passo que você vai fazer pra você ser mais inclusiva? Eu falaria pras pessoas que querem começar a fazer parte dessa transformação de um mundo, de um mercado. A gente tá com um viés mais profissional num mercado mais inclusivo. Primeira coisa, antes de qualquer maneira, primeira coisa. Primeira coisa é que mantenha a sua mente aberta pra se relacionar com pessoas que têm perspectivas diferentes e que sejam diferentes de você. Isso é fundamental. Entender a importância das diferenças e como que isso agrega na sua vida é algo que realmente vai te deixar numa outra situação.
E aí, tanto da perspectiva pessoal quanto profissional. Então, se você tá sendo desafiado, estão pedindo pra você receber a menor aprendiz ou menor aprendiz na sua área, recebe. Tenta. Não diz não. Ah, mas é que eu tô com muito... Não diz não. Tenta. Vamos conhecer uma pessoa diferente. Ai, meu Deus, eu vou saber como fazer a gestão. Você também, líder, recebeu aí o currículo de uma pessoa trans. Ah, não sei se eu vou contratar. Como que eu vou lidar com o cliente se o cliente não for inclusivo? E se eu não for inclusivo e se eu não souber? Pergunta. Tenta. Assume esse desafio. Então, assim, pra mim, o que faz a inclusão acontecer é a nossa habilidade de estar aberto a se relacionar. Conhecer, descobrir, aprender. A inclusão é um trabalho de aprendizado diário.
Eu, a Maite, eu trabalho há anos com isso e não sei tudo. Eu não sei e nem vou saber, eu tenho certeza. Assim como várias outras pessoas não sabem. E eu acho muito curioso isso que hoje o mercado acha que a gente tem um profissional de diversidade generalista. Ele sabe tudo de todos os pilares, de todos os desejos, de todas as ambições, de tudo que as pessoas precisam. Não. Errado. O especialista em diversidade, ele busca se informar com leis, com programas que são boas práticas de mercado. Só que o que a outra pessoa precisa, independente do grupo que ela faz parte, do que ela é, de como ela é, quem vai te contar é só essa pessoa. Não tem como você descobrir, não tem como você dizer aquele grupo gosta disso, aquele grupo precisa. Não, gente, isso não existe.
Então, como pessoas e como profissionais, estejamos abertos pra aprender com as diferenças. É essa mensagem que eu deixo. Porque quando a gente tá aberto, a gente evolui e a gente evolui demais. Então, é isso. Pra quem quiser seguir, a gente tem um grupo do UI Institute no LinkedIn, em que a gente compartilha notícias sobre os nossos programas, a gente fala também de boas práticas de diversidade, equidade e inclusão, das nossas ações de voluntariado. Então, vão estar super... Estão todos super bem -vindos aí pra conhecer um pouco mais do nosso trabalho. Maravilhosa. Mais uma vez, a gente vai deixar lá no nosso backstage k21.link barralovetheproblem e assim com o coração quentinho, cheio de amor, que eu finalizo esse episódio do Love the People.
Episódios relacionados
- Ep. 179 - 4 anos de Love The Problem
No episódio de hoje, comemoramos 4 anos de Love The Problem com um especial com alguns hosts que já passaram por aqui. Juntamos: Antonio Gerent [Panda], Maira Flor, Andréa Murata, Raquel Tanurcov e Luiz Lula Rodrigues para celebrar essa jornada única com muitas risadas, histórias e aprendizados. Não é só um episódio, é uma comemoração! Vem conhecer essa história e dar muita risada com a gente! Solta o play! Aproveita e insere aqui as sugestões e feedbacks pro LTP. (https://slice.wbrain.me/#/list/eGBDB2YOrOeAF4jAs3) Redes dos nossos convidados: Dea: https://www.linkedin.com/in/andrea-murata/ (https://www.linkedin.com/in/andrea-murata/) Flor: https://www.linkedin.com/in/mairaflor/ (https://www.linkedin.com/in/mairaflor/) Lula: https://www.linkedin.com/in/lula42/ (https://www.linkedin.com/in/lula42/) Panda: https://www.linkedin.com/in/antoniogerent/ (https://www.linkedin.com/in/antoniogerent/) Raquel: https://www.linkedin.com/in/raquel-tanurcov/ (https://www.linkedin.com/in/raquel-tanurcov/) Referências: Ep. 24 - O último dos problemas (https://open.spotify.com/episode/4yS1xF0SFVZ7k398ejB6ex?si=3lMcSAsCRc-6yDxFFE2K8w) Ep. 53 - CNV (Comunicação Não Violenta) (https://open.spotify.com/episode/3QNVIKIxGOBbL0TxVnP7c7?si=sQQwA_ZIQ46Osfm0m5vi6g) Ep. 152 - Equilibrando Energias: o Feminino e o Masculino nas Organizações (https://open.spotify.com/episode/3hFJ81arvXEA6cgWqatmk0?si=WKYzl4MPS0Wwj59YzJgYzQ) Ep. 11 - Pensamento Sistêmico (https://open.spotify.com/episode/2T2mgz3g4RgN3N0LAyoOFD?si=VKzoz4v8Rhel-kOSyKfGaA) Ep. 100 - Love the People (Visibilidade e TRANSformação) (https://open.spotify.com/episode/2N5ZsD4BtPt8LPMLYbG5OU?si=rlRxT2tRQ8KFabchiqNKEA) ciclos da vida (https://open.spotify.com/episode/7sEiF8g99iqlDeAq4TfPRt?si=xkb_l_YnTBObMn79d4Mf_A)
- Love The People - Samuka
No bate papo de hoje, tivemos o prazer de conversar com Samuka! Samuka é uma pessoa muito querida na comunidade e é conhecido por ter o abraço mais reconfortante! Hehe. A conversa tomou um rumo bastante filosófico, então pegue uma cerveja e venha curtir conosco! Mini bio Samuka: Agile Expert, Trainer e Partner na K21. Eng. de Computação e Esp. em Eng. de Sistemas, atuando como Agile Coach na K21, atuou com Scrum Master na DígithoBrasil e como docente no ensino superior na UNIDERP e Anhaguera Euducacional e na Pós-Graduado na UCDB, experiência em facilitação. Estudante e praticante das melhores práticas Agile. Tornou-se Profissinal Scrum certificado pela Scrum Alliance, possuindo uma vasta experiencia com formação de equipes. Nos últimos 6 anos como consultor K21, vem evoluindo seus conhecimentos em práticas Kanban, tornando-se Kanban Coaching Professional-KCP e Accredited Kanban Trainer-AKT Referências: Cupom de desconto exclusivo (https://www.even3.com.br/productsummit2023?cp=LOVETHEPROBLEM) pra ouvintes do LTP para o Product Summit 2023, evento imperdível para quem atua com produto!
- Love The People - Deloise Jesus
Se você queria ouvir uma trajetória inspiradora e, de quebra, ainda aprender muito sobre equidade racial, esse episódio é pra você! Deloise de Fátima Bacelar de Jesus (https://www.linkedin.com/in/deloise/), nossa querida Delô, compartilha conosco como sua trajetória pessoal e profissional se entrelaçam, transformando ela na pessoa que é hoje. Pra você ter um spoiler do que comentamos, já deixo aqui a mini bio dela: Deloise de Fátima Bacelar de Jesus é Gerente de Impacto em Equidade Racial na Fundação Lemann. Paulistana, da zona leste, estudou durante toda trajetória em escola pública. Trabalhou na Prefeitura de São Paulo com temas de gestão e na representação da comissão municipal de cotas raciais. Atuou com educação integral no instituto Natura e com Ensino Fundamental no Programa Formar, da Fundação Lemann, até passar a integrar a equipe de Redes e Escolas da organização antes da posição atual. Referências: Ep. CNV (https://open.spotify.com/episode/3QNVIKIxGOBbL0TxVnP7c7?si=7tahwTklT3SCF9XI3Qbykg) Ep. Promovendo ambientes antirracistas (https://open.spotify.com/episode/6VJpIQ6XbV6FDT3vWIgpuj?si=vslybZ-cSIKcqucWuSTU0g) Ep. Quilombo como uma plataforma organizacional (https://open.spotify.com/episode/1BZjJsZRKXSHnEtEsFT9Yz?si=TXKgBT1DTxWvSTbkcrzNHA) problema nosso - a liderança feminina negra assusta? (https://open.spotify.com/episode/3XHnmMkNouoy69dzSD9oVb?si=1jRXtfF8TQ69NSJ8cvHpNg) Ep. Limites (https://open.spotify.com/episode/40dUIzZnwib9qApqMKa3uX?si=jUhchm0MRlSiOK_a8suBGA)
- Love The People - Ceci Fernandes
Hoje nosso papo é com a querida Ceci Fernandes! Ceci é líder dos agilistas no Nubank e organizadora da Agile Brazil. Também foi engenheira de software e acredita que agilidade é sobre princípios e valores. Ela é comumente encontrada mentorando pessoas e times, provendo facilitações, papeando em corredores dos eventos da comunidade ágil, ou tomando uma boa taça de vinho. Então, pega sua taça e vem curtir esse papo com a gente! https://www.linkedin.com/in/cecifernandes/ Link para comunidade Love The Problem: https://t.me/lovetheproblem (https://t.me/lovetheproblem)