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Ep. 283 - O que a IA está mudando na forma de aprender e ensinar?
Ep. 283

Ep. 283 - O que a IA está mudando na forma de aprender e ensinar?

20 de abril de 202600:48:36
Educação
IA
Pessoas

Resumo rápido

Avelino Ferreira, treiner da K21 e Head de Tecnologia do TRE-RJ, argumenta que a IA não emburrece, mas acelera a aprendizagem quando usada com responsabilidade e domínio do assunto. Ele ilustra com exemplos práticos: filhos gerando exercícios com ChatGPT, desenvolvedores eliminando código braçal, e a criação de ferramentas reais em minutos. A mensagem central é que a IA encurta o tempo de pesquisa e libera o ser humano para focar no que realmente entrega valor.

Capítulos

  1. 01:47Três dimensões de mudança no ensino com IA
  2. 04:10IA e a educação dos filhos: responsabilidade e uso consciente
  3. 08:32Domínio do assunto e a IA como facilitadora de aprendizado
  4. 11:22Tecnologia não dá ré: da imprensa à internet à IA
  5. 19:29Mudanças na sala de aula e na gestão de pessoas
  6. 31:57Testando aulas com IA e o desafio do microlearning
  7. 44:13A maior contribuição da IA para a aprendizagem

Frases do episódio

“Eu costumo dizer assim, o uso que você vai fazer da IA, ele é tão bom quanto o seu domínio naquela área ali que você tem.”

08:32

“Ao contrário disso, a IA tem sido, para quem usa de uma forma bem responsável, tem sido um grande facilitador de aprendizado.”

10:06

“É encurtar esse tempo com as coisas que não entregavam tanto valor e te liberar pra focar naquilo que realmente entrega valor.”

46:32

O que você vai ouvir neste episódio

  • A utilização da inteligência artificial permite acelerar a preparação e a evolução contínua de conteúdos para treinamentos corporativos.
  • O aprendizado de adultos e crianças é transformado pelo uso de ferramentas inteligentes no dia a dia educacional.
  • O domínio prévio do contexto é fundamental para garantir a qualidade das respostas geradas pela inteligência artificial.
  • A inteligência artificial atua como parceira estratégica no desenvolvimento individual de pessoas e na gestão de equipes.
  • O conceito tradicional de produtividade passa por redefinições profundas com o avanço acelerado das tecnologias de automação.

Temas discutidos

A adoção responsável da inteligência artificial reformula os pilares da liderança e da cultura organizacional. No contexto de gestão de produtos e agilidade, a capacidade de aprender continuamente torna-se uma competência crítica para times de alta performance. O uso de IA como ferramenta de suporte no desenvolvimento de pessoas otimiza processos instrucionais, exigindo que líderes e educadores dominem o contexto do negócio para orientar o uso ético, eficaz e produtivo das novas tecnologias no ambiente corporativo.

Para quem é este episódio

Este episódio destina-se a líderes de tecnologia, educadores corporativos e gestores de pessoas que buscam otimizar treinamentos e processos de aprendizagem. Profissionais focados no desenvolvimento contínuo de equipes encontram orientações práticas para aplicar inteligência artificial com responsabilidade no ambiente de trabalho e no ensino.

Perguntas que este episódio ajuda a responder

Como a inteligência artificial impacta a criação de treinamentos e conteúdos educacionais?

A inteligência artificial atua como aceleradora na elaboração e evolução de conteúdos para treinamentos. Ela reduz o tempo necessário para estruturar rotinas educacionais e criar materiais, permitindo que instrutores foquem no aprimoramento pedagógico e na adaptação das abordagens às necessidades reais dos alunos.

Qual é a importância do domínio de contexto ao utilizar inteligência artificial?

O domínio do contexto é indispensável para obter respostas precisas e úteis da inteligência artificial. Sem o conhecimento aprofundado do problema ou da área de atuação, as interações com a ferramenta tornam-se genéricas, exigindo discernimento técnico e prático do usuário para direcionar e validar os resultados gerados.

De que maneira a inteligência artificial redefine o conceito de produtividade no trabalho?

A inteligência artificial altera a noção de produtividade ao automatizar tarefas operacionais e acelerar a síntese de informações. Isso desloca o foco do volume de entregas manuais para a capacidade de análise crítica, tomada de decisão fundamentada e desenvolvimento de pessoas no contexto corporativo.

Sobre este episódio

Neste episódio do Love the Problem, Avelino Ferreira, treiner da K21 e Head de Tecnologia do TRE-RJ, explora como a inteligência artificial está transformando a forma de aprender e ensinar. Ele identifica três dimensões de mudança: a preparação de conteúdo, a concepção de aulas a partir de algo já estruturado e a possibilidade de construir ferramentas reais durante treinamentos. No contexto familiar, ele mostra como a IA, usada com responsabilidade, vira uma parceira de estudo para crianças de 8 e 13 anos. Avelino defende que a IA não emburrece, mas acelera a aprendizagem para quem tem domínio do assunto, e que a tecnologia não dá ré: assim como a imprensa e a internet, a IA é inevitável. Ele também reflete sobre como a produtividade humana está mudando, com a IA assumindo o trabalho braçal e o ser humano focando em ideias e resolução de problemas. Para gestores, a IA ajuda a quebrar a solidão da gestão e a montar planos de capacitação. Na sala de aula, a IA permite testar treinamentos com personas de alunos céticos e adaptar o conteúdo para a realidade do microlearning, com atenção de cerca de sete minutos. A mensagem final é que a maior contribuição da IA é encurtar o tempo de pesquisa e liberar a pessoa para focar no que realmente entrega valor.

Transcrição completa

Avelino Ferreira, treiner na K21 e Head de Tecnologia do Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro, conversa sobre o que a inteligência artificial está mudando na forma de aprender e ensinar. Ele identifica três dimensões de mudança. A primeira é prática: para preparar um conteúdo, um slide ou uma emenda de aula, a IA já auxilia em toda a parte de preparação que antigamente levava bastante tempo. A segunda dimensão é na concepção da aula: antes, a dúvida de se o conteúdo estava bom exigia chamar pessoas para discutir a partir do zero, levando meses para construir um treinamento. Hoje, a IA traz novas ideias e práticas de mercado, e quando se chama alguém para avaliar, já se parte de algo bem próximo da versão final. A terceira dimensão é na forma de ensinar: coisas que antes eram impossíveis, como construir uma ferramenta durante um treinamento de Product Owner em poucos minutos, agora são viáveis com a IA.

No contexto familiar, Avelino conta que tem dois filhos, Mariana com 13 anos e Miguel com 8. No início, houve medo de que a IA prejudicasse o aprendizado, mas a abordagem foi de responsabilidade: sentaram com a Mariana e explicaram que o objetivo do dever de casa não é simplesmente fazer, mas aprender. A forma inteligente que adotaram é: a Mariana tira foto dos exercícios do livro e pede ao ChatGPT que gere exercícios baseados no que ela estudou, para que ela tente resolver. Se não consegue, ou quer conferir a resposta, aí sim pede ao ChatGPT que resolva, como um professor corrigindo. Para o Miguel, que ainda não tem destreza com o celular, os pais fazem esse processo por ele. Antes, era o pai que tinha que criar os exercícios, e agora a IA é um parceiro que gera mais conteúdo para estudar, liberando o tempo do pai para tirar dúvidas e ter mais qualidade com a criança.

Avelino destaca que o uso da IA é tão bom quanto o domínio que a pessoa tem naquela área. Se ele pede para a IA ensinar a pilotar um Boeing 777, ela vai alucinar e ele vai assumir como verdade porque não domina o assunto. A mesma lógica vale para o dever da Mariana: se ele domina a matéria, percebe quando a IA erra e pede para refazer. Ele contraria a ideia de que a IA emburrece as pessoas: ao contrário, para quem usa de forma responsável, a IA é um grande facilitador de aprendizado, porque o que antes levava horas para buscar e montar informação, agora leva segundos.

Sobre a polarização entre quem vê a IA como vilã e quem a vê como heroína, Avelino usa a metáfora de que tecnologia não dá ré. Antes da imprensa de Gutenberg, ler um livro exigia que alguém o copiasse à mão. Quando a imprensa chegou, houve resistência, mas hoje ninguém pensa em livro escrito à mão. Da mesma forma, antes da internet, para saber uma dica de videogame, ligava-se para um telefone em São Paulo. A IA segue essa mesma lógica: uma vez que você começa a usar, não volta atrás. Ele observa que a geração de 8 anos já vai aprender com a IA, e rejeitar isso vai criar um problema enorme, pois haverá uma geração que quer usar e adultos tentando bloquear.

No contexto de gestão, Avelino percebe que a produtividade do ser humano está mudando. Se a IA gera 500 exercícios mais rápido que uma pessoa, a contribuição humana está em ter a ideia, em resolver problemas. Nos times de desenvolvimento de software, os desenvolvedores que adotaram a IA perdem pouco tempo com o trabalho braçal, como criar quatro ou cinco classes só para consultar um banco de dados em Java, e focam em resolver problemas reais. Essa diferença de eficiência é perceptível independentemente da idade, de 20 a 60 anos.

Na sala de aula, a K21 tem uma característica de muito treinamento com exercícios, e isso precisa considerar o uso da IA. Se se parte do princípio que o que funcionava em 2020 vai continuar funcionando, os exercícios vão ser resolvidos pela IA e não vão ter gargalo. O professor de matemática também precisa pensar nisso. Na gestão, Avelino usa a IA para trocar ideias sobre gestão de pessoas, já que a gestão é solitária. Ele usa a IA para montar o plano anual de capacitação do tribunal, colando os pedidos informais dos colaboradores e pedindo sugestões de treinamentos com links. Ele também sugere que os próprios liderados podem usar a IA para traçar planos de desenvolvimento a partir de uma autoavaliação.

Sobre simulações, Avelino lembra que antigamente, para treinar uma competência, precisava de um cenário real. Quem não tinha onde aplicar, guardava uma caixa de ferramentas que enferrujava. Hoje, com a IA, é possível criar um produto real, não apenas simular. Ele conta o exemplo de ter criado um aplicativo de agenda com IA para resolver seu próprio problema de organização, e também um assistente de plano alimentar que respeita as restrições nutricionais mas permite flexibilidade, como comer pipoca na janta equilibrando com proteína. Para alunos de OKR que não têm ambiente para aplicar na empresa, ele sempre sugeriu aplicar na vida pessoal, e a IA amplia essa possibilidade.

Na preparação de aulas, a IA permite testar antes de dar a aula. É possível pedir para a IA assumir a persona de um aluno cético que questiona tudo, para antecipar perguntas e pontos não cobertos. Um risco é criar um mega treinamento porque a IA não tem limite, mas é possível pedir que ela valide se o conteúdo cabe na carga horária. Sobre microlearning e nono-learning, Avelino cita a andragogia: a capacidade de um adulto prestar atenção hoje é de cerca de sete minutos. É fundamental intercalar teoria e prática, e a IA ajuda a montar essa intercalação. O professor, com a IA, precisa estudar mais, não menos, porque o aluno já chega com conhecimento básico. O papel do instrutor é facilitar o aprendizado, não ser a pessoa que mais sabe.

Avelino menciona a diferença entre o efeito UAU e o efeito P, aprendida com Rodrigo de Toledo: em vez de construir uma narrativa longa para chegar ao resultado surpreendente no final, o primeiro slide já deve ser o que mais chama atenção, e o resto é discutido com a plateia. Isso torna as apresentações mais dinâmicas e eficazes.

Sobre a maior contribuição da IA para a aprendizagem, Avelino responde que é reduzir o tempo de pesquisa. Ele compara seu primeiro TCC em 2003, quando ia à biblioteca da PUC do Rio buscar manuais de banco de dados dos anos 1990, com o quarto TCC atual, em que a IA estrutura o trabalho e ele foca na escrita. O grande valor é encurtar o tempo com as coisas que não entregam tanto valor e liberar a pessoa para focar naquilo que realmente entrega valor, seja resolver problemas no trabalho, seja criar conteúdo em uma aula.

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