
Ep. 191 - Carreira e Família: O Poder das Mães no Mundo Corporativo
Resumo rápido
No Dia da Mulher, três mães — Samira Tavares, Kemi e Marília Manfrim — discutem como a maternidade transforma competências profissionais (gestão de conflitos, resiliência, foco) e o que o mundo corporativo precisa mudar: flexibilidade real, licença estendida, espaços de amamentação, fim do julgamento e políticas de parentalidade. O recado central: a mulher não precisa escolher entre filhos e carreira, e se priorizar não é egoísmo, é resistência.
Capítulos
- 07:02O fator em comum: ser mãe e o contexto do Dia da Mulher
- 08:42Disparidade salarial, feminicídio e a complexidade do tema
- 11:33O direito de escolher ser mãe e as contas que não fecham
- 18:31Os superpoderes das mães: conflito, foco, criatividade e resiliência
- 32:12O que as empresas devem oferecer: flexibilidade, licença e respeito
- 55:15Saúde mental: terapia, exercício, leitura e rodas de mulheres
- 01:10:03Recado final: você é suficiente, mas não precisa ser uma ilha
Frases do episódio
“Eu preciso que você entenda que o filho é da mãe. Vai ser sempre da mãe. Sempre. Você não tem mais a escolha de não querer mais ser mãe.”
11:33
“Se priorizar. Não é egoísmo. É resistência.”
01:05:20
“Você, como mãe, é suficiente. Suas qualidades, seus defeitos, são todos suficientes e essenciais para o crescimento e evolução de seus filhos. Porém, só você não é suficiente.”
01:10:03
O que você vai ouvir neste episódio
- Discussão sobre os desafios reais que as profissionais enfrentam para conciliar a maternidade com a evolução de suas carreiras corporativas.
- Análise do conceito de mummy burnout e os impactos do esgotamento físico e mental nas rotinas das mães trabalhadoras.
- Identificação das competências profissionais e interpessoais desenvolvidas ou aprimoradas pelas mulheres a partir da experiência da maternidade.
- Debate sobre estratégias viáveis para a construção e manutenção de redes de contato profissionais após a chegada dos filhos.
- A importância da flexibilidade e da cultura de cuidado dentro das organizações para sustentar a equidade no mercado.
Temas discutidos
A discussão sobre maternidade no mercado corporativo conecta-se diretamente à evolução da cultura organizacional e da liderança inclusiva. Ambientes focados em agilidade exigem flexibilidade, empatia e gestão humanizada, fatores essenciais para acolher profissionais com responsabilidades familiares. Ao reconhecer o impacto do cuidado e combater o mummy burnout, as empresas promovem a retenção de talentos, fortalecem a diversidade nas equipes de produtos e constroem estruturas operacionais mais sustentáveis, psicológicas e adaptáveis às transformações sociais do trabalho moderno.
Para quem é este episódio
Este episódio é voltado para líderes e gestores de pessoas interessados em criar culturas de trabalho mais inclusivas. Também beneficia profissionais que são mães em busca de estratégias de carreira, além de especialistas em RH e agilidade focados no bem-estar e na retração do esgotamento profissional das equipes.
Perguntas que este episódio ajuda a responder
O que é mummy burnout e como ele se manifesta?
O mummy burnout é o estado de esgotamento físico, mental e emocional causado pela sobrecarga ao conciliar as exigências da maternidade com a rotina profissional. Ele se manifesta por fadiga crônica, estresse contínuo e queda no rendimento. O episódio discute a necessidade de identificar esses sinais precocemente para que empresas e redes de apoio possam oferecer flexibilidade e suporte adequado.
Quais habilidades podem ser desenvolvidas no trabalho a partir da maternidade?
A maternidade estimula o desenvolvimento de competências comportamentais essenciais no ambiente corporativo, como empatia, inteligência emocional, gestão do tempo e priorização sob pressão. Essas habilidades adaptativas fortalecem a capacidade de liderança e a resolução de problemas complexos. As convidadas ressaltam que tais aprendizados cotidianos agregam valor direto às equipes e à dinâmica de trabalho organizacional.
Como mães podem manter redes de contato profissionais ativas?
Manter o networking sendo mãe exige adaptar a comunicação à rotina disponível, utilizando conexões digitais e encontros pontuais focado em trocas reais. O painel sugere buscar comunidades com interesses semelhantes e cultivar alianças com colegas de trabalho. O fortalecimento de redes de apoio mútuo possibilita a continuidade do crescimento profissional mesmo com agendas mais restritas.
Sobre este episódio
Gravado no Dia da Mulher, o episódio 191 do Love the Problem reúne Samira Tavares, Kemi e Marília Manfrim para discutir a interseção entre maternidade e mundo corporativo. A conversa parte de dados alarmantes — 35% das mulheres temem engravidar por medo de perder o emprego, 34% são demitidas após a maternidade, 45% têm diagnóstico de transtorno mental — e avança para a carga mental invisível que recai sobre as mães. Em contraponto, as convidadas destacam os 'superpoderes' que a maternidade desenvolve: gestão de conflitos, tolerância a estresse, foco, criatividade e argumentação, competências que as empresas pagam para treinar mas que a mãe adquire organicamente. O debate propõe que o mundo corporativo mude estruturalmente: flexibilidade real, licença estendida, espaços de amamentação, fim do julgamento e políticas de parentalidade baseadas em 'autonomia com responsabilidade'. A saúde mental é tratada como prioridade, com terapia, exercício, leitura e rodas de mulheres como práticas de sustentação. O encerramento é um recado às mães: você é suficiente, mas não precisa ser uma ilha — aceite ajuda, tenha rede de apoio e pare de idealizar. Se priorizar não é egoísmo, é resistência.
Transcrição completa
Gravado no dia 8 de março, o episódio reúne Samira Tavares, consultora e trainer, Kemi, psicóloga e profissional de pessoas na NAL/K21, e Marília Manfrim, ativista pela maternidade respeitosa e profissional de marketing, para discutir como a maternidade impacta a vida profissional das mulheres e o que o mundo corporativo precisa fazer para acolher mães.
O ponto de partida é o Dia da Mulher e a constatação de que maternidade e carreira são recortes da vida da mulher. O Brasil registra, em média, um feminicídio a cada seis horas. Quarenta e oito por cento dos lares brasileiros são chefiados por mulheres, e ainda há disparidade salarial que aumenta conforme os cargos sobem. A brasileira é considerada o quarto país com maior dificuldade de fazer networking, seja por falta de tempo, seja por discriminação.
Marília traz um dado contundente: 35% das mulheres têm medo de engravidar por conta de perder o emprego, e 34% são demitidas após serem mães. A terapeuta de Marília, quando ela engravidou, disse: 'Eu preciso que você entenda que o filho é da mãe. Vai ser sempre da mãe. Sempre. Você não tem mais a escolha de não querer mais ser mãe.' As crianças têm dois a três meses de férias por ano, enquanto as mães têm, no máximo, 30 dias. São contas que não fecham.
A discussão avança para a carga mental invisível: a mãe pensa em tudo, 24 horas por dia, do que a criança vai comer a qual médico ela precisa ir. Mesmo com um parceiro que divide tarefas, delegar exige esforço, porque a mãe precisa ver que o cuidado está sendo feito com consistência para conseguir soltar. Kemi relata que, ao voltar a trabalhar, foi uma das poucas mães no ambiente, instalou o Slack e não sabia mais trabalhar. Colocava a filha para dormir e voltava a trabalhar, perdendo a confiança aos poucos. Quando a filha fez um ano e quatro meses e começou a dizer 'não', Kemi teve crises de ansiedade e voltou à terapia.
Samira, por sua vez, parou a terapia no dia em que a filha nasceu e voltou com a pergunta: 'Quem sou eu agora?' Buscou uma terapeuta especialista em pais e mães e encontrou ali um espaço para colocar para fora os desejos mais insanos sem julgamento. Para ela, a terapia é o que salva. Kemi complementa com dicas práticas: terapia como prioridade, exercício físico (ela faz Pilates e dança pélvica), rodas de conversa entre mulheres e leitura. Um estudo da Asics mostra que 74% das mulheres dizem não ter tempo para se exercitar, mas 52% relatam estar mais felizes e 48% mais confiantes quando se movimentam. A Think Olga aponta que 45% das mães entrevistadas foram diagnosticadas com ansiedade, depressão ou algum transtorno mental.
Do lado dos benefícios que a maternidade traz ao trabalho, Samira destaca que a mãe desenvolve tolerância absurda a estresse, gerencia conflitos com mais calma, ganha foco e determinação para tarefas complexas, aprimora a criatividade, a negociação e a argumentação. Kemi relata que, antes, uma apresentação para o mesmo dia gerava crise de ansiedade; depois de ser mãe, ela entende que é um problema resolúvel. A priorização, antes abstrata, passou a ser concreta: 'Qual é a prioridade do dia?' Marília acrescenta que virar mãe foi um catalisador para se encontrar de forma mais autêntica, com mais coragem e segurança profissional.
Essas competências comportamentais — resiliência, gestão de conflitos, argumentação — são exatamente as soft skills que as empresas buscam, mas que as mães desenvolvem organicamente. Samira observa que os cursos de gestão de conflitos não mencionam a experiência da maternidade como formação.
Sobre o que as empresas devem oferecer, Kemi fala de respeito e cuidado com o ser humano como benefício principal. Ela relata que, ao engravidar, teve que se ausentar para consultas pré-natais e foi penalizada por isso. Marília destaca a flexibilidade de horário e de modelo de trabalho como condição para abraçar a maternidade. Ela amamentou a filha até dois anos e dois meses e, no regime híbrido, chegava atrasada às reuniões porque precisava extrair o leite. Kemi, que voltou com quatro meses, tirava o leite no depósito de lixo da empresa, o único espaço cedido. Samira cita o exemplo de pares no Reino Unido que negociaram trabalhar três ou quatro dias por semana, com projetos calibrados em percentuais de entrega.
O conceito de 'autonomia com responsabilidade' surge como princípio: o profissional cuida do filho e, do outro lado, entrega o que é combinado. A relação é de confiança, não de controle. Kemi reforça que a mulher não precisa escolher entre filhos e carreira. O básico é diminuir os julgamentos: ninguém pergunta ao pai onde está o filho no happy hour, mas a mãe é questionada. Práticas como contratar e promover mulheres grávidas, mentoria, ser facilitador de conexões e oferecer rede de apoio são apontadas como ações concretas.
Kemi traz a importância de estabelecer limites claros com o time: não marcar reuniões entre meio-dia e duas da tarde, desconectar às seis horas. Líderes que dão exemplo de limites inspiram autocuidado. Samira resume: se a gente pudesse resumir tudo, começaria pelo não julgamento, depois a escuta empática e, por fim, a intenção de agir. O ser humano não produz no melhor de si em um sistema estressado.
O encerramento traz um recado às mães: pare de idealizar a maternidade perfeita, ela só existe na propaganda. 'Você, como mãe, é suficiente. Suas qualidades, seus defeitos, são todos suficientes e essenciais para o crescimento e evolução de seus filhos. Porém, só você não é suficiente.' E, quando a ajuda chegar, tente aceitar. Kemi reforça: se priorizar não é egoísmo, é resistência. Se a mãe estiver bem, a filha vai estar bem. As crianças são esponjas: se a mãe não se cuida, a criança entende que também não precisa se cuidar. Líderes e empresas são convidados a reconhecer a potência das mães e a fazer uma revolução nos ambientes de trabalho, criando políticas de parentalidade que acolham de verdade.
Episódios relacionados
- Ep. 289 - Organizações Orientadas a Valor: estruturas operacionais que aceleram resultados
Como criar estruturas que realmente aceleram a entrega de valor? Neste episódio do Love the Problem, Rafaela Fonseca recebe Lucas Freitas e Raphael Montenegro para continuar a conversa sobre organizações orientadas a valor e explorar um tema que gera muitas dúvidas nas empresas: a diferença entre estrutura organizacional, estrutura operacional e topologia. Ao longo da conversa, eles discutem por que mudar apenas o organograma raramente resolve os desafios de execução, como identificar gargalos relacionados a dependências, comunicação e tomada de decisão, e quais mecanismos ajudam a melhorar o fluxo de trabalho sem criar mudanças desnecessárias. O episódio também aborda modelos como Flight Levels, Unfix, Org Topologies e Team Topologies. Eles exploram, além da diferença entre modelos, o papel da governança e da coordenação entre times e as diferentes estratégias para evoluir modelos operacionais de forma sustentável. Se você quer destravar a burocracia e evoluir estruturas de gestão para que elas potencializam os resultados, solta o play e vem com a gente!
- Ep. 286 - IA, Criatividade e o Futuro das Relações
Dois meses depois do último papo sobre IA e construção de produtos digitais, muita coisa mudou — e rápido. Neste episódio, Rafaela Fonseca recebe novamente Marcos Garrido, Co-Fundador da K21 e da Nower, para continuar a conversa sobre como a inteligência artificial está transformando a forma de trabalhar, criar produtos e resolver problemas dentro das organizações. Eles abordam o uso de IA como parceira criativa, cultura de experimentação, automação de processos, segurança de dados e o impacto dessa nova forma de construir soluções em empresas de todos os tamanhos — de grandes corporações até microempreendedores. Garrido também compartilha bastidores das ferramentas e sistemas criados dentro do ecossistema K21 e Nower, e ainda conta como foi o processo de construção do Site novo da K21 completamente com IA! Confere lá em https://br.k21.global/ (https://br.k21.global/). Se você quer entender como usar IA para gerar impacto real no trabalho — sem perder o olhar humano e estratégico — esse episódio é para você. 🚀
- Ep. 277 - O futuro da Educação Corporativa em um mundo de IA e carreiras não lineares
Aprender deixou de ser evento. Virou estratégia. Neste episódio do Love The Problem, Rafaela Fonseca recebe Paulo Guidugli (Sócio na Gupy) e Iohanna Roader (Especialista em Produtos Educacionais na Nower) para uma conversa provocadora sobre o futuro da educação corporativa em um mundo de IA, mudanças aceleradas e carreiras não lineares. Eles abordam: • O que é Educação Corporativa de verdade ou só distribuição de conteúdo?• Tendências para o futuro da educação além da hype• Como a IA já está transformando empregos e habilidades?• Que mentalidade líderes e RHs precisam desenvolver agora? Uma troca sobre aprendizagem contínua, transformação de carreira e o papel estratégico do RH na geração de resultados. Dê o play e provoque o futuro com a gente. 🎧
- Ep. 275 - Resultados, erros e aprendizados de 13 anos empreendendo com a K21 e a Nower
Este episódio é uma celebração — e também uma conversa aberta sobre empreender, aprender e gerar impacto de verdade. Para comemorar os 13 anos da Nower e da K21, Rafinha recebe Marcos Garrido e CFC (Carlos Felippe Cardoso) para uma conversa franca sobre a origem da empresa, os erros que viraram aprendizado, as escolhas difíceis ao longo do caminho e a essência que nunca foi negociada. Ao longo do episódio, eles revisitam o início nada glamouroso da jornada, falam sobre a importância de unir teoria com prática real, e como a melhoria contínua, a autenticidade e a execução sempre foram pilares do trabalho da Nower e da K21. A conversa também passa por temas como: Liderar e executar ao mesmo tempo Impacto real em pessoas, carreiras e organizações Adaptação a diferentes ciclos de mercado (pandemia, crescimento, retração) Resultados que vão muito além de métricas financeiras O que não pode faltar em uma liderança madura hoje Um episódio para quem empreende, lidera times, atua com transformação organizacional — ou simplesmente quer aprender com quem viveu na prática o que ensina. 🎧 Dá o play e vem celebrar essa história construída com propósito e aprendizado contínuo.