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Ep. 186 - A Agilidade morreu?
Ep. 186

Ep. 186 - A Agilidade morreu?

29 de janeiro de 202400:34:22
Agilidade
Educação
Facilitação

Resumo rápido

Em um debate com Marcos Garrido, Rodrigo Toledo, José Jantar e Samuca, o episódio conclui que a agilidade não morreu — o que morreu foi a 'agilidade cosmética', a adoção superficial e distorcida. A essência de ciclos curtos, melhoria contínua e foco no valor permanece, mas o mercado brasileiro sofre com falta de educação em métricas de negócio, papéis confundidos com cargos e desconexão entre estratégia e execução. A saída passa por pensamento crítico, métricas como feedback loops e os quatro domínios da agilidade: negócio, cultura, processo e técnica.

Capítulos

  1. 02:02A origem da agilidade: do toyotismo ao Manifesto Ágil
  2. 04:56A história do 'agilidade morreu': de 2009 para cá
  3. 06:22Agilidade como adaptação natural do ser humano
  4. 08:34Distorções do mercado brasileiro e o papel do Scrum Master
  5. 14:29Agilidade cosmética: o que realmente morreu
  6. 18:56Os quatro domínios da agilidade e o foco em negócio
  7. 26:50Dicas para quem vive a agilidade cosmética

Frases do episódio

“a gente nasce se adaptando. Então, quando o bebê sai da barriga da mãe, começa a tentar andar, ele tem que se adaptar ao processo de andar, de engatinhar, cair e levantar.”

05:38

“eu acho que a agilidade na verdade tá usando batom, pôs um vestido, pintou o cabelo porque as pessoas continuam necessitando da agilidade de alguma maneira.”

13:47

“a pior coisa que você pode entregar num projeto de um ano, é aquilo que foi planejado há um ano atrás, porque significa que você já tá um ano atrasado em relação ao mercado.”

11:29

O que você vai ouvir neste episódio

  • A discussão sobre a percepção de que a agilidade estaria perdendo força nas empresas modernas.
  • A reflexão sobre a evolução e a continuidade do uso de métodos ágeis no mercado atual.
  • A análise dos desafios enfrentados por profissionais de agilidade diante das transformações do mercado corporativo.
  • O papel da K21 Educação na formação e adaptação de profissionais para os novos cenários organizacionais.
  • O impacto das mudanças culturais na sustentabilidade das práticas ágeis dentro de grandes organizações.

Temas discutidos

O episódio conecta o debate sobre o futuro da agilidade às exigências contemporâneas de liderança e cultura organizacional. À medida que o mercado evolui, as práticas de gestão de produtos e facilitações precisam ir além da simples aplicação de frameworks. A discussão reforça que a agilidade sustentável exige uma mudança cultural profunda, na qual líderes e equipes adaptam continuamente seus métodos para gerar valor real, garantindo a sobrevivência e a relevância das transformações ágeis nas empresas.

Para quem é este episódio

Este conteúdo é ideal para agile coaches, líderes de produto e gestores de mudanças organizacionais. Esses profissionais encontrarão reflexões valiosas para reavaliar suas práticas diárias, alinhar estratégias de facilitação e orientar suas equipes em momentos de transição do mercado.

Perguntas que este episódio ajuda a responder

A agilidade realmente está chegando ao fim nas organizações?

A discussão indica que a agilidade não está morrendo, mas passando por um processo de maturação e transformação no mercado. O foco deixa de ser a adoção rígida de frameworks e passa a ser a entrega real de valor. As empresas continuam precisando de flexibilidade e adaptação, exigindo que os profissionais evoluam suas abordagens para atender às demandas atuais.

Como os métodos ágeis devem se adaptar no cenário atual?

Os métodos ágeis precisam ser aplicados de forma pragmática e alinhada aos objetivos de negócio das organizações. Em vez de seguir rituais de maneira mecânica, os times devem focar em resolver problemas reais, aprimorar a comunicação e ajustar os processos conforme o contexto, garantindo que as ferramentas de facilitação tragam resultados mensuráveis e sustentáveis.

Qual é o papel dos líderes no futuro da agilidade?

Os líderes desempenham um papel fundamental ao sustentar a cultura de aprendizado contínuo e adaptação dentro das empresas. Eles devem focar no desenvolvimento de pessoas, na remoção de impedimentos organizacionais e na criação de ambientes seguros para inovação, garantindo que a transformação ágil traga impacto direto na eficiência e na estratégia do negócio.

Sobre este episódio

O episódio 186 do Love the Problem reúne Marcos Garrido, Rodrigo Toledo, José Jantar e Samuca para debater se a agilidade morreu. A conclusão unânime é que a essência da agilidade — adaptação, ciclos curtos, melhoria contínua e foco no valor — não morreu, mas sim a 'agilidade cosmética', a adoção superficial e distorcida que não gera impacto no negócio. O debate percorre a história da agilidade, do toyotismo dos anos 60 ao Manifesto Ágil de 2001, passando pelos vikings como exemplo de princípios ágeis ancestrais. No mercado brasileiro, as distorções são amplas: papéis confundidos com cargos, descrições de vaga com requisitos técnicos impossíveis, retrospectivas lúdicas sem propósito e 52 sprints pré-aprovadas pela gestão. Os quatro domínios da agilidade — negócio, cultura, processo e técnica — são apresentados como a estrutura para uma adoção saudável, com o foco em negócio como o maior buraco. A pesquisa de Samuca no Agile Brasil 2023, em que apenas 3 de 100 pessoas conheciam o número de negócio que impactavam, ilustra o abismo entre prática e resultado. A saída proposta passa por métricas como feedback loops, pensamento crítico, questionamento do porquê de cada prática e envolvimento do C-level e do board na discussão. Para quem vive a agilidade cosmética, o primeiro passo é consumir conteúdo de qualidade, desenvolver discernimento e buscar a conexão entre execução e estratégia.

Transcrição completa

Marcos Garrido abre o debate perguntando a Rodrigo Toledo se a agilidade morreu. Toledo faz uma regressão histórica: o Manifesto Ágil de 2001 foi um marco, mas os métodos como XP, Scrum e FDD já existiam nos anos 90, e a inspiração vinha do artigo de Takeuchi e Nonaka sobre o novo desenvolvimento de produtos, ligado ao toyotismo dos anos 60 e 70. Marcos reforça que uma ideia de processo ou mindset não tem data exata de nascimento nem de morte, assim como a Revolução Francesa não aconteceu em um único dia. A discussão se estende ao contexto pós-pandemia, com maior complexidade e a chegada da inteligência artificial, e Marcos lembra que a primeira vez que ouviu a frase 'a agilidade morreu' foi em 2009, e que todo ano alguém repete o tema, como quem quer cravar a data da morte.

José Jantar defende que a agilidade não morreu porque a adaptação é intrínseca ao ser humano: o bebê que engatinha, cai e levanta está em constante experimentação. O problema é que, por volta dos sete anos, a escola padroniza a forma de pensar e o indivíduo se encaixota, tornando-se menos adaptável. O que pode morrer são os frameworks e métodos específicos, não a essência da adaptação. Samuca complementa: o 'como' a pessoa conheceu a agilidade pode ter morrido, porque a agilidade evolui constantemente — ciclos curtos, melhoria contínua, foco no que é mais importante. Ele cita um artigo próprio sobre os vikings, mostrando que princípios ágeis existiam muito antes do Manifesto. O grupo concorda que o mundo está ficando mais dinâmico e que a agilidade precisa acompanhar essa dinâmica, como o próprio Scrum, que nasceu em 1993 sem retrospectiva e só a incorporou anos depois.

No mercado brasileiro, a discussão se concentra em vagas e papéis. Empresas que nem adotaram o Scrum corretamente já eliminam o uso do framework, e a mania cultural de adaptar tudo a ponto de distorcer o propósito original faz com que a prática não funcione. José aponta que os primeiros erros aparecem no RH, que copia descrições de vaga com habilidades técnicas — programação, financeiro, dados — quando o papel do Scrum Master é lidar com pessoas. O termo 'papel' no Scrum e no Kanban não é um cargo, é uma habilidade. Na essência, ninguém é contra ciclos curtos, melhoria contínua ou foco no valor; o que morre são as formas distorcidas.

Marcos traz o medo de voltar ao modelo de comando e controle ou ao planejamento total no início, lembrando que a pior coisa que se pode entregar em um projeto de um ano é aquilo que foi planejado um ano atrás, pois já se está um ano atrasado em relação ao mercado. Ele conta o episódio de um RH que procurava um Scrum Master certificado em Java e PMP, criando uma 'sopa de letrinhas' impossível de preencher. Todas as disfunções de recrutamento e seleção se repetem na agilidade.

Um diretor de empresa, citado por José, usou a metáfora de que a agilidade 'tá usando batom, pôs um vestido, pintou o cabelo', porque as pessoas continuam necessitando dela. As empresas, forçadas pela pandemia, passaram a fazer planejamento estratégico a cada três meses, o que prova a necessidade de ciclos curtos. Samuca introduz o conceito de 'agilidade cosmética': aquela que é só da boca pra fora, que não resolve problema de negócio, onde o planejamento é tradicional mas a execução é em ciclos curtos sem possibilidade de mudança de escopo. Ele cita um aluno que tinha os próximos 52 sprints de duas semanas já planejados e aprovados pela gestão. O que morreu é a retrospectiva lúdica, sem objetivo de produzir valor, e a adoção superficial. A onda de adoção começou na base, bateu no teto, e agora a indústria, a telefonia e os bancos chegam, mas há menos pessoas preparadas no mercado, gerando mais distorções.

Samuca fala sobre planejar retrospectivas com propósito: perguntar por que se escolheu uma técnica, o que se quer que as pessoas expressem, para que elas se auto-percebam. Ele relata uma pesquisa com 70 pessoas em que a métrica de negócio é a menos utilizada. No Agile Brasil 2023, de cem pessoas na plateia, apenas três sabiam qual era o número de negócio que impactavam com seu trabalho. Toledo estrutura a resposta em quatro domínios da agilidade: negócio, cultura, processo e técnica. O maior buraco é o foco em negócio: quem promove a transformação ágil esquece que o objetivo final é impactar o resultado. As lacunas são estratégia mal desenhada, desconexão entre estratégia e execução, ou entrega sem adaptação. É necessário envolver o C-level e até o board nessas discussões.

José destaca que o Brasil não tem educação em métricas, diferente de outras culturas onde tudo é perguntado com base em dados. As empresas estão começando a entender o data-driven em todos os níveis, não apenas no executivo olhando faturamento. A conexão entre métrica operacional e ponteiro estratégico é o primeiro passo. Marcos menciona ferramentas como Flight Levels, OKRs e tanques de decantação para instanciar o conceito. Métricas são feedback loops que conectam os quatro domínios e estão presentes em todos os frameworks — Scrum, Kanban, OKR, Flight Levels.

Para quem descobre que vive a agilidade cosmética, Samuca sugere o primeiro passo: consumir conteúdo de qualidade, conhecer pessoas, ir a eventos. Rodrigo reforça que o verdadeiro empoderamento vem com métricas, que servem como termômetro, ponto de discussão para melhoria contínua e ferramenta de convencimento. José acrescenta a importância do pensamento crítico: não é criticar os outros, mas ter o máximo de informação para discernir o que realmente funciona, fugindo da promessa superficial de virar 'super agilista' em pouco tempo. Marcos fecha com a orientação de questionar o porquê de cada prática, não copiar e colar modelos como o da Spotify sem entender o contexto, porque quem questiona foge do cosmético e entende o propósito de cada técnica.

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