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Love The People - Dea e Flor
Ep. 144

Love The People - Dea e Flor

2 de janeiro de 202300:52:34
Love The People
Pessoas

Resumo rápido

Dea e Flor, duas consultoras da K21, contam em dupla como a agilidade e a inovação transformaram suas carreiras e vidas pessoais. Dea, contadora de formação, entrou na inovação por acaso numa Big Four; Flor, tecnóloga desde cedo, descobriu na agilidade que trabalhar não precisava ser tóxico. Ambas chegaram à K21 pelo mesmo mediador, o Panda, em momentos de crise pessoal. O episódio explora autoconhecimento, burnout, trabalho remoto, a relação com a irmã gêmea e os sonhos de futuro: mais tempo, mais liberdade e família.

Capítulos

  1. 00:31Agilidade como caminho dentro da inovação
  2. 08:06A trajetória de Dea: de contadora a consultora de inovação
  3. 14:10A trajetória de Flor: da tecnologia ao cuidado com pessoas
  4. 24:16Curiosidades e histórias de viagem
  5. 33:11Trabalho remoto: liberdade e solidão na consultoria
  6. 39:27Quebra-gelo: músicas e destinos sonhados
  7. 45:26Onde nos vemos daqui a cinco anos

Frases do episódio

“Eu, às vezes eu tenho um pouco de dificuldade, porque eu olho e eu entendo que agilidade é um caminho dentro de um mundo que é a inovação. E aí quando eu fui pra agilidade, eu descobri que trabalhar não precisava ser tão ruim.”

00:31

“a agilidade é uma ferramenta para a gente criar melhores ambientes de trabalho. Então, o meu viés, o que eu luto, o meu propósito, é melhorar a vida das pessoas no trabalho.”

16:31

“A felicidade é meio superestimada, você não acha?”

45:26

O que você vai ouvir neste episódio

  • Andréa Murata e Maira Flor detalham suas trajetórias profissionais antes e durante a atuação como consultoras na K21.
  • As apresentadoras compartilham causos e curiosidades vivenciados ao longo de suas carreiras no ambiente corporativo e na consultoria.
  • O episódio explora como experiências pessoais e aprendizados anteriores moldaram a visão de trabalho das duas profissionais.
  • Diferentes referências musicais e culturais são citadas como inspirações presentes no cotidiano e nas conexões da dupla.
  • A conversa destaca o papel da troca de experiências na construção de relacionamentos autênticos entre profissionais de tecnologia.

Temas discutidos

A trajetória das pessoas por trás da gestão e da consultoria influencia diretamente a cultura organizacional e as práticas de liderança. Ao abordar as histórias de Andréa Murata e Maira Flor, o episódio conecta a dimensão humana ao contexto de agilidade e transformação corporativa. Conhecer a fundo a bagagem individual dos profissionais fortalece a empatia, melhora a comunicação nas equipes e evidencia que o desenvolvimento de produtos e negócios é impulsionado por pessoas reais com vivências diversas.

Para quem é este episódio

Este conteúdo destina-se a consultores de agilidade, líderes de equipe e profissionais de produtos que buscam referências sobre trajetória profissional. É relevante também para ouvintes do podcast interessados em conhecer a vivência das apresentadoras Andréa Murata e Maira Flor.

Sobre a série Love The People

Love The People traz histórias de carreira de pessoas que atuam com agilidade, produto e liderança. São conversas mais pessoais do que técnicas: transições de área, decisões difíceis, aprendizados e o que cada convidado faria diferente. Serve como referência para quem está construindo a própria trajetória profissional.

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Perguntas que este episódio ajuda a responder

Quem são as convidadas deste episódio do Love The People?

As convidadas do episódio são Andréa Murata e Maira Flor, ambas consultoras na K21 e apresentadoras do podcast Love the Problem. Na conversa, elas compartilham detalhes sobre suas carreiras, vivências na consultoria, curiosidades pessoais e os aprendizados acumulados ao longo de suas trajetórias no mercado corporativo e na facilitação de transformações organizacionais.

Quais tópicos principais são abordados na conversa entre Dea e Flor?

O episódio aborda as histórias pessoais e profissionais das apresentadoras, incluindo causos marcantes de suas carreiras na K21 e experiências anteriores. Além dos aspectos profissionais, a dupla discute curiosidades de vida e compartilha referências culturais e musicais que fazem parte de suas rotinas e influenciam a forma como trabalham e se relacionam.

Qual é o foco da série Love The People no podcast?

A série Love The People foca nas histórias, trajetórias e visões das pessoas que constroem o mercado de tecnologia, agilidade e gestão. Diferente de episódios focados apenas em frameworks ou processos, este formato valoriza o fator humano, destacando experiências de vida, aprendizados práticos e a bagagem pessoal dos profissionais convidados.

Sobre este episódio

No episódio 144 do Love the Problem, Dea (Andréa Murata) e Flor (Mayra Flor) protagonizam o primeiro Love the People do ano em formato duplo, uma inovação proposital do quadro. As duas consultoras da K21 contam trajetórias que, apesar de diferentes, se cruzam de forma surpreendente. Dea, metade japonesa, metade negra, escorpiana, ex-lutadora de Krav Maga e atual consumidora de doramas coreanos, passou por três faculdades antes de se formar em ciências contábeis e entrar numa Big Four como trainee de impostos, onde descobriu a inovação por acaso. Flor, baiana criada em Santos, virginiana com ascendente em sagitário, mãe de dois gatos, começou cedo na tecnologia por imposição materna e encontrou na agilidade a prova de que trabalhar não precisava ser tóxico. Ambas chegaram à K21 pelo mesmo mediador, o Panda, em momentos de fragilidade: Dea após burnout em uma área de RH na pandemia, Flor em um período de desalinhamento profissional. O episódio aprofunda a discussão sobre autoconhecimento como ferramenta para não repetir padrões de agressividade e frustração, a solidão do trabalho remoto na consultoria, a relação intensa com a irmã gêmea de Dea e os sonhos de futuro: mais tempo, mais liberdade e construção de família. A conversa transita entre o pessoal e o profissional com naturalidade, revelando que a inovação cultural começa pela inovação na própria vida.

Transcrição completa

Eu, às vezes eu tenho um pouco de dificuldade, porque eu olho e eu entendo que agilidade é um caminho dentro de um mundo que é a inovação. E aí quando eu fui pra agilidade, eu descobri que trabalhar não precisava ser tão ruim. Aí quando eu senti que eu falei, cara, tô melhor, eu acho que eu quero contribuir pro mundo de novo. Eu acho que eu quero, eu tô pronta pra voltar a trabalhar. No mesmo dia, o Panda me mandou uma mensagem convidando pra fazer o processo de namoro na K21. Então no fim das contas, eu acho que o Panda, ele é a pessoa que conecta a gente em muitos momentos. Em muitos momentos mesmo. Que legal, não tinha parado pra pensar nisso. Por isso eu acho que esse lugar do autoconhecimento é tão importante e é um lugar em que eu sempre trago assim nas minhas falas. De você ter essa auto percepção, olhar pra dentro e se responsabilizar pelo que você tá sentindo. E aí ver o que é teu e o que é do outro e tentar reagir. Nem sempre a gente consegue. A questão do autoconhecimento me ajuda a não chegar mais em lugares que eu já cheguei antes que não foram legais. E tentar pelo menos saber o que tá acontecendo.

Este é o primeiro Love the People do ano, e a gente quis inovar: em vez de uma pessoa, duas. Andréa Murata e Mayra Flor, duas mulheres incríveis, inteligentes, independentes, feministas, inovadoras, que levam inovação para as empresas. Sem essas mulheres, o Love the Problem não ia existir.

Quem é Andréa Murata? É uma informação relevante. Escorpiana, feminista, adora dançar de salão, é dançarina nas horas vagas, já foi lutadora de Krav Maga, mas parou na pandemia. Agora está na fase dorameira, assistindo drama coreano. Tem uma irmã gêmea, a Ana, e uma irmã mais velha. Tem ascendência metade japonesa, metade negra.

E a Mayra Flor? Acredita na ciência. É uma mistura: nasceu na Bahia, na Chapada Diamantina, mas foi criada na praia, em Santos. Família uma parte mineira, uma parte carioca. Mora em São Paulo. É mãe de pés: a Cora, uma gatinha, e a Atena, uma potrinha que se transformou num pequeno ser de 25 quilos. É apaixonada por inovação, principalmente do ponto de vista cultural. É noiva da Mayara. Virginiana com ascendente em sagitário, o que dá uma equilibrada na coisa. Vida louca, planilhada.

A trajetória da Dea até a inovação foi um rolê muito louco. Antes de se formar em alguma faculdade, ela passou por outras três. Começou psicologia, não rolou. Foi fazer engenharia, não rolou também. Foi fazer administração, não rolou. Aí a última chance que ganhou dos pais de confiança foi se formar em ciências contábeis. Por formação, é contadora. E o fato de ter se formado em contábeis foi a porta de entrada para a inovação, de uma maneira muito torta. Entrou numa Big Four, numa consultoria, como trainee de impostos. Depois de três meses arrancando os cabelos, odiando, uma pessoa mandou mensagem no Skype dizendo que ia rolar um projeto confidencial e que ela tinha o perfil topo. A fofoqueira que habita nela falou: preciso saber o que é confidencial. No fim das contas, a empresa não tinha uma área de inovação, estava estruturando uma. Tinha contratado um diretor que foi seu mentor. Começou um projeto de inovação. Por volta do fim de 2015, início de 2016, a parte de impostos estava em crise, com a digitalização. Ela fez uma entrevista interna, passou, e descobriu a inovação. Ficou por lá muitos anos, se desenvolvendo organicamente, caminhando para o lado de pessoas, gestão da mudança, questão cultural. Depois, a K21 foi a primeira vez que saiu para focar mais numa área de agilidade. Hoje é consultora da K21 e host do Lobo de Próximo.

Sobre a experiência de trazer o olhar de inovação para a consultoria de agilidade: no início teve dificuldade, porque estava com uma visão muito abrangente e precisava focar mais na agilidade. Mas hoje consegue entender que todo o processo criativo de olhar para as coisas, inovação em processos, produtos, serviços, consegue fazer com mais assertividade por conta da agilidade, que trouxe ferramentas e uma mentalidade de ciclos curtos, melhoria contínua, foco no valor e no cliente. Está pegando o melhor de tudo que já viu para entregar mais valor.

A trajetória da Flor: a mãe teve três filhas e não queria engravidar de novo, mas acabou engravidando de gêmeos. A mãe sempre veio de um lugar muito forte: a gente tinha que trabalhar independente, não depender de homem. Quando Flor foi entrar no colégio, a mãe falou: você vai fazer colégio técnico, porque eu quero que você comece a trabalhar logo e pagar suas contas. Escolheu tecnologia. Foi super desafiador, mas foi o que tinha. Não tinha expertise de mexer no computador, não tinha e-mail naquela época. Aprendeu a programar, começou a trabalhar na área de tecnologia. Foi em faculdade, já estava pagando as contas. Depois foi analista, começou a fazer liderança de projetos. Até um dia que conheceu a agilidade. Quando foi para a agilidade, descobriu que trabalhar não precisava ser tão ruim. Que você podia não entregar algo numa semana, que está tudo bem, porque na outra você vai entregar. Existia um ambiente muito mais saudável de confiança. Trabalhou em ambientes muito tóxicos, não só masculinos e machistas, mas tóxicos até entre as mulheres. Era uma mulher muito agressiva, porque achava que precisava se posicionar assim para se defender. Hoje é uma pessoa que luta contra isso. A agilidade é uma ferramenta para criar melhores ambientes de trabalho. O propósito é melhorar a vida das pessoas no trabalho.

Depois, foi para o PagSeguro, onde conheceu Panda, Zaparoli, Mari Graff, a Dea. A aproximação foi por causa de um grupo de mulheres que criaram lá. Eram de áreas totalmente diferentes, e a conexão se deu por essa admiração mútua. Trabalhando com agilidade, virou Agile Coach, começou a olhar para a agilidade num nível mais organizacional. Mas percebia cada vez mais que sentia falta de trabalhar o cuidado das pessoas, principalmente com a pandemia e o trabalho remoto. Surgiu uma oportunidade de ir para uma área de pessoas, ser gestora. Mas quase enlouqueceu: era a única pessoa da área, todos os projetos tinha que tocar sozinha, não tinha pares, não tinha pessoas com quem discutir. As expectativas das pessoas eram de um RH tradicional, enquanto a proposta era de maior autonomia, cuidado e agilidade. Sofreu burnout, pediu demissão, ficou uns quatro meses sem trabalhar. Juntou dinheiro, foi viajar, fez tatuagens, fez um curso de terapia. Sempre foi muito conectada com a espiritualidade, passou por diversas religiões, mas num lugar de autoconhecimento, de olhar para dentro, de sentir o corpo. Fez uma formação terapêutica, atende em escuta das emoções. Quando sentiu que estava melhor, que queria contribuir para o mundo de novo, no mesmo dia o Panda mandou mensagem convidando para o processo de namoro na K21.

A Dea também veio por causa do Panda. Num momento em que não estava tão bem, as coisas estavam tomando caminhos que não faziam sentido. O Panda, que já tinha trabalhado com ela no PagSeguro, marcou um café com a Velar para conversar sobre inovação. A conversa acabou virando um pedido de namoro, e depois um casamento. O Panda é a pessoa que conecta as duas em muitos momentos.

Sobre autoconhecimento e comunicação: a Dea se descreve como uma pessoa de auto-reflexão, mas também de auto-cobrança muito forte, o que faz com que se frustre fácil e oscile no humor. Quanto mais cansada e frustrada, pior é a comunicação. Por isso o autoconhecimento é tão importante: ter auto-percepção, olhar para dentro, se responsabilizar pelo que está sentindo, ver o que é teu e o que é do outro e tentar reagir. Nem sempre a gente consegue. Hoje, pelo menos, tem condição de se afastar porque já sabe que chegou naquele estado em que não vai ser uma pessoa legal. Antes não percebia que estava sendo mais agressiva porque estava frustrada. A questão do autoconhecimento ajuda a não chegar mais em lugares que já se chegou antes que não foram legais, e tentar pelo menos saber o que está acontecendo. Nem sempre se sabe o que fazer com a situação, mas já se sabe que está naquele caminho, e isso ajuda bastante.

Sobre a relação com a irmã gêmea Ana: antigamente a Dea dizia que pra ela dava na mesma, que era a sua irmã. Mas não é, porque tem uma irmã mais velha e a relação não é a mesma. A Dea e a Ana acordavam juntas, dormiam juntas, iam pra escola juntas, estudaram juntas até a oitava série na mesma sala. Têm um lugar muito forte de conexão. Se a Dea vê que a Ana não está bem, ela também fica triste, tem vontade de bater em quem machuca ela. É uma conexão muito forte de amizade. Mas isso também atrapalhou: como a Ana tinha mais facilidade de fazer amigos, a Dea não se forçava a expandir a rede de amizades. Quando se separaram de salas, os círculos sociais mudaram. O maior baque foi quando começaram a morar separadas. Na pandemia, no segundo ano, a Ana já morava longe, e o sentimento de solidão aumentou. Hoje a Dea mora sozinha, tem dois cachorros, e já consegue sair mais de casa, ter outros hobbies, ver mais gente, cuidar das conexões.

Sobre o trabalho remoto: a Dea não é a pessoa que soube aproveitar. Antes, quando trabalhava presencial, a vida era mais ajustada: saía do trabalho, ia direto pro Krav Maga ou pro boteco. Hoje trabalha o dia inteiro, desliga, vai ver TV. Só vê as pessoas à noite. O trabalho remoto permite liberdade de chegar rápido nos lugares, almoçar em casa, lavar roupa entre reuniões, deitar no sofá. Mas ainda está se adaptando a ser remoto sem ser pandemia. A Flor também sente falta dos momentos de não ser só sobre trabalho, de parar e tomar um café, de falar sobre coisas que não são trabalho dentro do horário de trabalho. No PagSeguro, toda última sexta-feira do mês o time separava duas horas para jogar, usava o Gather, a Mari Vicente reproduzia o escritório virtual e decorava para datas comemorativas. Na K21, tentaram fazer o mesmo, mas como cada um está num cliente diferente, os horários não se batem, e isso foi diminuindo. A consultoria traz a dificuldade de construir laços duradouros, mas também a vantagem de mudar de contexto, de não ficar refém de um emprego. Se um cliente não vê valor, você encerra e vai pro próximo. Tem a possibilidade de trabalhar em setores diferentes: farmacêutico, automobilístico.

Nas perguntas de quebra-gelo: a música que a Dea ouviria no repeat é Água de Chuva no Mar, da Beth Carvalho, e Várias Queixas, do Gilson. A Flor ouve playlist de doramas coreanos, mas não sabe os nomes das músicas. A Flor também é apaixonada por samba. Se pudesse passar uma temporada trabalhando fora, a Dea gostaria de conhecer a Itália inteirinha, comer muito, ver vários lugares, e também a Grécia. A Flor é apaixonada por Barcelona, gostaria de viver mais lá, mas lembra que os caras mexem com as meninas na rua, o que a fez sentir como se estivesse no Brasil. Mexer com a gente na rua não é legal, dá medo, dá nojo, é assédio.

Onde se veem daqui a cinco anos: a Dea espera estar com um pouco mais de liberdade em relação ao tempo, trabalhando menos horas mas ganhando bem, para aproveitar mais fazendo as coisas que gosta: dançar, conversar com pessoas. Espera um dia criar a própria família, ter um parceiro e, se Deus quiser, filhos. A Flor fala que ela e a Mayara moram juntas e falam muito sobre filhos, em três anos querem começar a buscar uma alternativa, mas o caminho é complexo: adoção, inseminação, ou barriga de aluguel. A única certeza é que se for de barriga, o forninho é da Mayara, porque ela é mais jovem. A Flor se enxerga com mais tempo, sem abrir mão do bem-estar e da estabilidade financeira. O sonho é trabalhar na agência de viagens da mãe, não por ser algo que ama, mas por ser algo que faria com a pessoa que mais ama. Construir uma família nova e ter mais tempo com a família que já tem.

Foi providencial esse episódio, porque a gente tem sempre muito pra conversar e tem uma conexão muito forte. É muito fácil da gente conversar. Saiu muita coisa boa, feliz.

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