
Love the People - Raphael Albino
Resumo rápido
Rafael Donaire Albino, hoje profissional de tecnologia e diversidade em uma fintech latino-americana, conta como a origem do seu nome, a trajetória acadêmica entre Bauru e a USP, episódios de racismo cotidiano e a venda da empresa PTech moldaram sua forma de entender trabalho, educação e conexão humana.
Capítulos
- 00:59Abertura: quem é Rafael Donaire Albino
- 01:55A origem do nome: memória espanhola e negra na família
- 08:54O trabalho hoje: fintech, diversidade e 'resolver problema' com tecnologia
- 17:29Trajetória acadêmica: pós-graduação, mestrado na USP e doutorado
- 26:14Bicicleta, corrida, leitura e rap como formação pessoal
- 38:44Momentos difíceis: manipulação corporativa, racismo e a venda da PTech
- 45:47Inspirações familiares, conexão versus network e dicas para entrar em tecnologia
Frases do episódio
O que você vai ouvir neste episódio
- Raphael Albino reflete sobre o impacto de ser filho de professores em sua formação pessoal e profissional.
- O executivo compartilha sua visão sobre o papel central da educação na transformação de indivíduos e organizações.
- A trajetória de Raphael Albino demonstra como vivências pessoais influenciam a atuação na liderança da área de pessoas.
- O bate-papo aborda aspectos da vida pessoal de Raphael, indo além do seu cargo executivo no Nubank.
Temas discutidos
O episódio conecta a trajetória pessoal de Raphael Albino aos desafios da liderança e da gestão de pessoas nas organizações contemporâneas. A influência da educação familiar e o olhar voltado ao desenvolvimento humano são fundamentais para construir culturas organizacionais saudáveis. Em contextos de agilidade e transformação digital, compreender a dimensão humana dos líderes fortalece a empatia e a capacidade de conduzir equipes. Essa perspectiva reforça que estratégias eficientes de pessoas dependem do alinhamento entre valores individuais e práticas corporativas.
Para quem é este episódio
Este conteúdo é recomendado para lideranças de recursos humanos, gestores de pessoas e profissionais da área de educação corporativa. A conversa oferece insights para quem busca conectar valores pessoais ao desenvolvimento de talentos e à criação de ambientes organizacionais mais humanos e alinhados aos princípios de agilidade.
Sobre a série Love The People
Love The People traz histórias de carreira de pessoas que atuam com agilidade, produto e liderança. São conversas mais pessoais do que técnicas: transições de área, decisões difíceis, aprendizados e o que cada convidado faria diferente. Serve como referência para quem está construindo a própria trajetória profissional.
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Quem é Raphael Albino além de sua atuação executiva?
Raphael Albino é marido, filho de professores e apaixonado por educação. Embora atue como Chief of Staff for Chief of People Officer no Nubank, o episódio destaca suas origens pessoais, sua ligação com a área educacional e como essas vivências moldam sua trajetória e sua forma de relacionar-se com o desenvolvimento de pessoas no ambiente de trabalho.
Qual é o foco principal do quadro Love the People no podcast?
O quadro Love the People busca apresentar o lado humano de lideranças e profissionais do mercado, explorando suas histórias, valores e vivências pessoais. A proposta é discutir como o histórico individual, a paixão pelo aprendizado e as relações interpessoais influenciam a atuação prática na gestão de pessoas e na cultura das organizações.
Como a educação influencia a visão de liderança de Raphael Albino?
Sendo filho de professores, Raphael Albino carrega a educação como um valor central em sua vida. Essa bagagem reflete-se no interesse contínuo pelo aprendizado e na valorização das pessoas dentro das empresas, mostrando que a liderança humanizada se constrói a partir do respeito ao desenvolvimento individual e da disseminação do conhecimento.
Sobre este episódio
Neste episódio do Love the People, o apresentador Bruno recebe Rafael Donaire Albino, profissional de tecnologia que hoje atua em uma fintech brasileira com operação também na Colômbia e no México, para uma conversa sobre identidade, trajetória acadêmica e os momentos que marcaram sua carreira.
A conversa começa pela origem do nome de Rafael, que ele descreve como um retrato da própria formação racial: Donaire vem do lado materno, de uma família espanhola que imigrou para o Brasil no início do século 20 para trabalhar em fazendas no período pós-abolição; Albino vem do lado paterno, de uma família negra, e Rafael discute com o pai a hipótese de que o sobrenome tenha se originado da prática de nomear pessoas escravizadas dentro de fazendas e engenhos, um exemplo do apagamento sistemático de origens que atinge famílias negras no Brasil. Ele se define como fruto dessa interracialidade, com um lado da família estritamente branco e outro estritamente negro.
Criado em uma casa de professores em Bauru, Rafael cresceu com a crença de que a educação liberta, o que o levou a construir uma trajetória acadêmica intensa: graduação em engenharia mecânica pela UNESP, universidade em que praticamente nasceu, já que a mãe trabalhava no colégio técnico da instituição, pós-graduação em gestão de projetos, mestrado e doutorado na USP. A entrada no mestrado exigiu um ano de dedicação: aprovado primeiro como aluno especial, viajava semanalmente de ônibus entre Bauru e São Paulo para assistir aula pela manhã e trabalhar à tarde, até ser aprovado no programa em 2013 e se mudar para a capital, largando o emprego com uma reserva financeira para seis meses. Já o doutorado, cursado entre 2017 e 2021, foi sustentado por uma rotina apertada entre bicicletas compartilhadas, refeições rápidas e apoio importante da esposa, inclusive em processo terapêutico, algo que Rafael trata como questão de saúde pública, não tabu.
A conversa também passa pelo lado pessoal de Rafael: o esporte coletivo (futebol e basquete) como formador de sua visão de colaboração, a corrida como um esporte democrático e quase terapêutico que o ajudou a reconstruir rotina e rede social ao se mudar para São Paulo, o hábito de leitura técnica que aos poucos se abre também à ficção, e uma relação profunda com o rap, gênero que entrou em sua vida por meio de primos e do convívio de rua, e que ele descreve como uma forma educativa de conhecer São Paulo e a cultura afro-brasileira, muito além do rótulo simplista de 'música de bandidagem'.
O episódio ganha profundidade quando Rafael fala sobre os momentos mais difíceis da carreira: ter ouvido de um diretor que precisaria 'manipular as peças' da empresa como um jogo de xadrez para crescer ali, o que o levou a pedir demissão por incompatibilidade com seus valores de transparência; ter sido confundido com um segurança, de terno, em uma visita a São Paulo, episódio que o fez refletir sobre os estereótipos que recaem sobre homens negros em ambientes corporativos; e a venda da empresa PTech, onde chegou como consultor e saiu como diretor de operações, vivida como um verdadeiro processo de luto, já que soube da negociação antes do restante da equipe e precisou conviver, sozinho, com essa informação confidencial.
Para fechar, Rafael fala sobre inspiração e carreira. Cita os próprios pais como principais referências, a mãe pelo senso de coletividade e conexão genuína com causas sociais, o pai por ter sido um dos poucos professores negros dentro do ambiente universitário, e defende buscar inspiração nas pessoas próximas, reconhecendo que toda referência tem fraquezas e contradições. Propõe trocar a lógica de 'network', mais transacional, pela ideia de conexão humana genuína, e critica a superficialidade das redes sociais digitais. Recomenda leituras e podcasts sobre pensamento sistêmico como ferramenta para entender relações e organizações como algo vivo, não mecânico. E, para quem quer entrar na área de tecnologia, aconselha pesquisar bastante para formar opinião própria, procurar comunidades relacionadas ao interesse específico e, sobretudo, buscar um mentor ou mentora com ousadia, lembrando que toda essa jornada tem um preço, em tempo e dedicação, mas que vale a pena para quem está disposto a pagar por ela.
Transcrição completa
No Love the People de hoje, o apresentador Bruno recebe Rafael Donaire Albino para conhecer sua trajetória. A conversa começa pela origem do nome: Rafael é filho de Donatânia Maria Donaire Albino e João Pedro Albino, e nasceu em Bauru, interior de São Paulo. O sobrenome Donaire vem do lado materno, de uma família espanhola, seu avô materno é filho de espanhóis que imigraram para o Brasil no início do século 20 para trabalhar nas fazendas do país pós-abolição, junto com uma leva de imigrantes italianos. Já o sobrenome Albino vem do lado paterno, de uma família essencialmente negra. Rafael conta que, para quem pesquisa a própria genealogia, é comum não encontrar muita referência de origem, porque o apagamento das origens de pessoas negras no Brasil foi sistemático. Uma das teses que discute com o pai é que "Albino" pode ter sido um sobrenome dado a pessoas escravizadas dentro de engenhos e fazendas, como forma de nomeá-las (Albino 1, Albino 2, Albino 3...). Rafael se define, então, como fruto dessa interracialidade: um lado da família estritamente branco e outro estritamente negro.
Sobre o dia a dia, Rafael conta que cresceu em uma casa que valorizava muito a educação (mãe e pai são professores aposentados), e que essa crença de que "a educação liberta" moldou sua trajetória de estudar continuamente e buscar novas referências. Hoje ele trabalha em uma fintech brasileira que já atua também na Colômbia e no México, há quase dois anos, depois de uma carreira construída majoritariamente em consultoria, com múltiplas empresas clientes. Essa mudança de consultor para "cliente interno" tem feito Rafael se conectar mais com o impacto que a empresa pode gerar na sociedade, inclusive apoiando um laboratório de design em Salvador voltado a conectar comunidades de engenharia de software, sobretudo de grupos sub-representados, com a empresa. Ele resume seu trabalho como "mudar a mecânica organizacional para torná-la mais diversa e mais inclusiva".
Quando perguntado como explicaria seu trabalho para uma tia que só associa tecnologia a computador, Rafael diz que costuma responder que "resolve problema" usando tecnologia, não só tecnologia da informação (dispositivos, software), mas também tecnologia social: conectar pessoas, compartilhar conhecimento dentro da organização e fazer com que, pela colaboração, as pessoas proponham soluções. Ele compara isso a um experimento: aplicar a mesma abordagem em times diferentes gera resultados diferentes, porque as pessoas e as dinâmicas de cada equipe são diferentes, e cabe a quem está resolvendo o problema aprender com esses resultados.
Essa fama de "resolver problema com tecnologia" já rendeu situações engraçadas: no tiro de guerra, aos 18-19 anos, quando serviu como soldado da reserva, ficou conhecido pelo nome de guerra "Donaire" e virava a pessoa chamada sempre que um computador ou a internet de algum sargento dava problema.
Sobre a formação, Rafael é de Bauru, cidade com forte tradição universitária, sede da maior unidade da UNESP do estado e também de cursos da USP, com estrutura acadêmica reconhecida (uma das diretoras da CAPES é de uma instituição de ensino bauruense). Seus pais se conheceram dentro do ambiente acadêmico, funcionários da UNESP; a mãe foi professora do colégio técnico da UNESP, onde ele literalmente nasceu. Por isso a UNESP virou, para ele, uma segunda casa, e desde criança já queria estudar lá. Entrou na universidade cedo e se formou aos 21 anos em engenharia mecânica, área na qual, hoje, não atua diretamente, mas cujo processo formativo segue usando. Na sequência fez uma pós-graduação em gestão de projetos, importante para dar embasamento em administração depois de uma formação mais técnica.
Em 2012 decidiu fazer mestrado e escolheu a USP, em São Paulo, inspirado pelo próprio pai, que fez doutorado lá e o levava, quando criança, às reuniões de orientação. Na primeira tentativa de seleção não passou: a banca disse que gostava do currículo, mas queria conhecê-lo melhor, e sugeriu que voltasse como aluno especial. Durante um semestre, Rafael fez o trajeto Bauru–São Paulo toda semana: saía do trabalho em Bauru na segunda à noite, pegava o ônibus, assistia aula na USP na terça de manhã, trabalhava à tarde em São Paulo e voltava de ônibus a noite para trabalhar em Bauru na quarta de manhã. Ao ser aprovado no mestrado em 2013, largou o emprego em Bauru com uma reserva financeira para viver seis meses e se mudou para São Paulo; sua então namorada (hoje esposa) foi para Campinas na mesma época. Os primeiros tempos na capital foram difíceis: morou de favor numa "república" com amigos da faculdade, dormindo num colchão numa sala sem cortina.
Cerca de dois meses depois de chegar a São Paulo conseguiu um emprego e conciliou trabalho e mestrado. Foi trabalhar na PTech (empresa que descreve como um divisor de águas na forma como se relaciona com o trabalho): entrou como consultor e saiu como diretor de operações. Ainda no fim do mestrado, um chefe o incentivou a fazer doutorado enquanto tinha energia para isso; prestou seleção em 2016, entrou em 2017 e defendeu a tese em 2021. Para conciliar trabalho e doutorado, criou uma rotina apertada envolvendo as bicicletas compartilhadas Yellow entre o metrô Butantan e a USP, refeições rápidas no ônibus e chegada à empresa cliente logo depois do almoço. Rafael se descreve como uma pessoa privilegiada, mas destaca que sustentar essa rotina exigiu sacrifício real e apoio importante da esposa, inclusive em processo terapêutico.
Fora do trabalho, Rafael sempre foi ligado ao esporte coletivo, futebol e basquete marcaram sua forma de enxergar colaboração e trabalho em equipe, inspirado por jogadores como Allen Iverson nos anos 1990. Ao se mudar para São Paulo e perder o contato com os grupos esportivos de Bauru, passou a correr como forma de reconstruir rotina e rede: descreve a corrida como um esporte democrático (basta um tênis estável e equilíbrio físico) e com efeito quase terapêutico, “lavar a alma”, sempre reforçando que terapia e autoconhecimento são, para ele, questão de saúde pública. Também é leitor frequente, mais de literatura técnica, mas tem se aberto a ler ficção, como o romance "Amada", de Toni Morrison.
Sobre música, conta que cresceu ouvindo rock e MPB dentro de casa, o pai foi DJ de rádio e baterista, a mãe também é musical, e os dois irmãos mais novos são músicos, com referências como Caetano, Chico Buarque, Tim Maia e o soul de artistas como Tony Tornado. O rap chegou a ele por meio de primos e do convívio fora de casa, com nomes como Racionais MC's e artistas ligados ao esporte e à cultura de rua. Para Rafael, o rap paulistano é uma forma "educativa" de conhecer a cidade de São Paulo, carregando referências à cultura afro-brasileira, à religiosidade e à história dos quilombos, muito além do rótulo simplista de "música de bandidagem" ou "música de sofrimento" que, na visão dele, revela apenas que quem fala assim não se aprofundou no gênero. Ele também participa de um grupo de rap com mais dois integrantes, cada um compõe em casa e depois se reúnem para gravar. Destaca ainda a importância da poesia associada ao rap e cita a experiência de frequentar a Cooperifa, sarau criado por Sérgio Vaz.
Questionado sobre os momentos mais difíceis da trajetória, Rafael lembra três episódios marcantes. O primeiro foi em uma empresa em que um diretor disse que, para crescer ali, ele precisaria enxergar a estrutura da organização como um jogo de xadrez e aprender a manipular as peças, uma lógica de manipulação que Rafael considerou incompatível com transparência e autenticidade, e que foi determinante para sua saída da empresa. O segundo foi um episódio de racismo cotidiano: chegando de terno a São Paulo, em visita de trabalho, foi confundido por alguém com um segurança. O episódio o fez refletir sobre estereótipos ligados a homens negros, sempre associados a papéis de serviço e raramente vistos, no imaginário alheio, ocupando posições de decisão ou mesmo momentos de lazer. O terceiro foi a venda da PTech, empresa à qual havia dedicado muita energia: Rafael soube da negociação antes da maior parte da equipe e precisou lidar, sozinho, com o peso dessa informação confidencial enquanto o time seguia planejando o ano seguinte sem saber que a empresa deixaria de existir. Ele descreve esse processo como um luto, algo que precisou ser acolhido, compreendido e, por fim, superado, e cita o livro "Transitions", de William Bridges, como referência que o ajudou a atravessar esse momento.
Ao ser perguntado sobre suas inspirações, Rafael cita primeiro os próprios pais. A mãe, pela capacidade de se conectar com causas sociais de forma genuína, sem paternalismo, e pelo senso de coletividade e de compartilhamento de conhecimento que sempre demonstrou como professora. O pai, por ter sido um dos poucos professores negros dentro do ambiente universitário e o único diretor negro da faculdade em que atuou, assim como o avô paterno foi um dos poucos maquinistas negros da ferrovia. Rafael diz ter buscado intencionalmente, desde os 21 anos, se tornar professor, estudando havia 14 anos temas como pedagogia libertadora e a importância de formular problemas e educar pela empatia. Ele recomenda buscar inspiração nas pessoas próximas, família, amigos, colegas, e não só em referências distantes, reconhecendo também que toda referência tem fraquezas e contradições (cita o próprio ídolo de infância, o jogador Marcelinho Carioca, e hoje aponta antes o legado político-esportivo de Sócrates, sem deixar de reconhecer as fragilidades pessoais dele).
Rafael também discute a diferença entre "network" e conexão: prefere a ideia de conexão, que não depende de haver algo imediato a oferecer em troca, à lógica transacional do network. Ele alerta para o efeito superficializante das redes sociais, que mantêm as pessoas em um "nível de voo" raso, e defende sair dessa superficialidade para se conectar de fato com as pessoas, calando as vozes do julgamento e do cinismo. Cita como referências de leitura e escuta o podcast "Ponto dos Elefantes" e autores como Donella Meadows e Alisson Vale, ligados a pensamento sistêmico, tema que considera essencial para lidar com os problemas do século 21 e que, na sua visão, deveria ser ensinado desde o ensino fundamental.
Por fim, para quem quer entrar na área de tecnologia, a dica de Rafael é começar entendendo o que a pessoa realmente quer dentro da área, desenvolvimento, produto, design, práticas de trabalho, pesquisando conteúdo gratuito em vídeos e podcasts até conseguir formar uma opinião sobre o tema. Depois, buscar comunidades ligadas a esse interesse (cita como exemplo o Mulheres de Produto e grupos de Meetup) e, quando possível, uma formação estruturada. Ele reforça que treinamento sozinho não transforma alguém em especialista: é preciso ganhar contato diário com o assunto, testar na prática e, sobretudo, buscar um mentor ou mentora, inclusive tendo a ousadia de mandar mensagem para alguém de referência, como ele mesmo fez ao longo da carreira. Rafael fecha lembrando que toda essa jornada tem um preço a pagar, em tempo e dedicação, mas que vale a pena para quem está disposto a correr atrás.
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