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temos o que comemorar?
Ep. 111

temos o que comemorar?

10 de março de 202200:15:47
Pessoas
Cultura
Carreira

Resumo rápido

Partindo de um artigo de Ana Minuto, Raquel Tanurkov resgata a origem trabalhista do Dia Internacional da Mulher e confronta conquistas recentes de mulheres com dados de assédio, sub-representação e violência que mostram por que a resposta a "temos o que comemorar?" é, ao mesmo tempo, sim e não.

Capítulos

  1. 00:05Abertura: por que o Dia Internacional da Mulher é o tema de hoje
  2. 01:52A pergunta de Ana Minuto: temos o que comemorar?
  3. 03:11As origens trabalhistas do 8 de março
  4. 07:48A desigualdade salarial histórica e atual
  5. 08:54Exemplos que justificam comemorar
  6. 10:56Os dados que mostram o que ainda falta
  7. 13:18Reflexão final e a citação de Audre Lorde

Frases do episódio

“Vou a minha resposta, que é não e sim.”

01:52

“as mulheres recebiam 30 menos que os homens.”

07:48

“Não serei livre enquanto alguma mulher for prisioneira, mesmo que as correntes dela sejam diferentes das minhas.”

14:22

O que você vai ouvir neste episódio

  • A análise dos marcos históricos alcançados pelas mulheres no ambiente corporativo e na sociedade brasileira.
  • Os obstáculos estruturais que ainda dificultam o acesso feminino a posições de liderança e alta gestão.
  • A reflexão proposta por Ana Minuto sobre a diferença entre comemoração superficial e ações institucionais efetivas.
  • O papel das lideranças corporativas na criação de ambientes verdadeiramente inclusivos e com equidade salarial.

Temas discutidos

O episódio conecta o debate do Dia Internacional da Mulher às dinâmicas de liderança e cultura organizacional. No contexto da agilidade e da gestão moderna, promover a diversidade e a inclusão não é apenas uma pauta social, mas um elemento fundamental para ambientes de trabalho saudáveis e inovadores. Discutir equidade de gênero exige examinar criticamente estruturas de poder, vieses inconscientes e políticas corporativas, garantindo que a transformação cultural vá além de discursos festivos e se traduza em oportunidades reais de desenvolvimento.

Para quem é este episódio

Este conteúdo é destinado a lideranças executivas, gestores de pessoas e profissionais de recursos humanos que buscam promover equidade de gênero. É fundamental também para agentes de transformação cultural interessados em analisar criticamente o ambiente de trabalho e construir iniciativas concretas de diversidade e inclusão nas organizações.

Perguntas que este episódio ajuda a responder

Por que o Dia Internacional da Mulher exige uma postura crítica das empresas?

A data vai além de celebrações simbólicas e exige que as organizações avaliem seus progressos reais em equidade de gênero. Como aponta a reflexão de Ana Minuto, comemorar sem encarar as disparidades salariais, a falta de representatividade na liderança e os vieses corporativos impede o avanço de transformações culturais profundas e sustentáveis nas empresas.

Como conectar a pauta de equidade de gênero à cultura organizacional?

A equidade de gênero deve ser integrada às práticas diárias de gestão, recrutamento e desenvolvimento de talentos, e não tratada como pauta isolada. A cultura organizacional se fortalece quando a liderança estabelece metas claras de inclusão, combate vieses inconscientes e garante transparência nos processos de promoção e remuneração para todos os colaboradores.

Qual é o papel da liderança na promoção da inclusão corporativa?

Os líderes são responsáveis por influenciar o comportamento coletivo e alocar recursos para iniciativas de diversidade. Cabe à gestão escutar ativamente as demandas profissionais das mulheres, mapear barreiras de crescimento interno e criar políticas efetivas de apoio, garantindo um ambiente seguro e equitativo para o desenvolvimento de carreiras femininas em todos os níveis.

Sobre este episódio

Neste episódio, Raquel Tanurkov propõe uma reflexão sobre o Dia Internacional da Mulher a partir de um artigo de 2021 escrito por Ana Minuto, mulher negra e LinkedIn Top Voice, que pergunta: temos o que comemorar? A resposta adotada como fio condutor é, ao mesmo tempo, não e sim, e é em torno dessa ambiguidade que o episódio se organiza.

Antes de entrar nos exemplos do artigo, Raquel recupera a história da data, apoiada em reportagens da Forbes, da CNN e do site Politize. O 8 de março só foi oficializado pela ONU em 1975, mas suas raízes remontam a décadas de mobilização trabalhista no início do século 20: a sugestão da alemã Clara Zetkin, em 1910, de criar um dia para organização das mulheres; a greve das costureiras no Brasil, em 1907; o protesto de 15 mil mulheres nos Estados Unidos, em 1909, contra condições insalubres de trabalho; o incêndio de uma fábrica em Nova York que matou majoritariamente mulheres; e o protesto de 90 mil mulheres russas em 1917, com o lema Paz e Pão, ocorrido justamente em 8 de março no calendário gregoriano. O ponto central, reforça Raquel, é que a data nasceu de luta por direitos trabalhistas e salariais (na época, as mulheres recebiam cerca de 30% menos que os homens), e não da lógica comercial de flores e bombons que hoje costuma dominar a data. Mesmo com avanços, a desigualdade salarial persiste: hoje uma mulher recebe cerca de 77% do salário de um homem na mesma posição.

Voltando ao artigo de Ana Minuto, Raquel apresenta os exemplos que sustentam o "sim": a eleição de Kamala Harris como primeira mulher negra na vice-presidência dos Estados Unidos; o papel de pesquisadoras brasileiras, como Ester Sabino e Jaqueline Gomes de Jesus, no sequenciamento do genoma do Sars-CoV-2; a gestão da pandemia pela primeira-ministra neozelandesa Jacinda Ardern; a fundação do movimento Black Lives Matter por três mulheres negras; Luísa Trajano se tornando, em 2020, a primeira mulher na lista dos brasileiros mais ricos; e Ngozi Okonjo-Iweala assumindo o comando da Organização Mundial do Comércio.

Do lado do "não", os dados são duros: uma pesquisa do LinkedIn com a consultoria Thinkiva mostra que quase metade das mulheres já enfrentou assédio sexual no trabalho; a presença feminina em conselhos de empresas do Ibovespa é mínima, com apenas duas companhias, ambas ligadas às famílias fundadoras, tendo mulheres na presidência do conselho; um levantamento da RME com o Instituto Locomotiva aponta que a pandemia levou ao fechamento de 39% dos negócios comandados por mulheres; o monitoramento Um Vírus e Duas Guerras registrou uma mulher morta a cada nove horas durante a pandemia no Brasil, com maioria negra nos estados em que há recorte racial; e, segundo a Antra, uma mulher trans é assassinada a cada dois dias no país, majoritariamente negras e pobres, o que coloca o Brasil no topo do ranking mundial de assassinatos de pessoas trans.

O episódio se encerra com um convite à reflexão: o 8 de março não deveria se resumir às ofertas do capitalismo, mas ser uma data para discutir os próximos passos rumo a uma sociedade mais igualitária, e também um convite para que os homens repensem seu próprio posicionamento. Raquel agradece às mulheres que vieram antes e fecha com uma citação da escritora, feminista e ativista negra americana Audre Lorde.

Transcrição completa

Raquel Tanurkov abre o episódio avisando que o tema de hoje a colocou em um lugar de estudo e reflexão intensos, porque não é um problema só dela, mas de mais da metade da população brasileira: o Dia Internacional da Mulher. Em vez de usar um único artigo como referência, ela escolhe um texto-base, escrito em 2021 por Ana Minuto, mulher negra e LinkedIn Top Voice, cocriadora do projeto Potências Negras, e vai costurando outras fontes em torno dele, respondendo à pergunta que dá nome ao artigo: Dia Internacional da Mulher, temos o que comemorar? A resposta de Ana, que Raquel adota como fio condutor, é ao mesmo tempo não e sim.

Antes de chegar aos exemplos de Ana, Raquel recupera a história do dia 8 de março, apoiada em reportagens da Forbes, da CNN e do site Politize. A data foi oficializada pela ONU em 1975, mas nasceu de décadas de mobilização por direitos trabalhistas no início do século 20: a sugestão da alemã Clara Zetkin, na Segunda Conferência Internacional das Mulheres de 1910, de instituir um dia dedicado à organização das mulheres; a greve das costureiras no Brasil, em 1907; o protesto de 15 mil mulheres nos Estados Unidos em 1909 contra condições insalubres de trabalho; o incêndio de uma fábrica em Nova York, com 146 vítimas, a maioria mulheres; e, por fim, o protesto de 90 mil mulheres russas em 1917, com o lema Paz e Pão, ocorrido em 8 de março no calendário gregoriano. Raquel reforça que a origem da data é de luta por direitos, sobretudo salariais, já que as mulheres da época recebiam cerca de 30% menos que os homens, não a comemoração adocicada com flores e bombons que a data costuma virar hoje. Ela lembra ainda que, apesar da evolução, a diferença salarial persiste: hoje uma mulher recebe cerca de 77% do salário de um homem na mesma posição.

Voltando ao artigo de Ana, Raquel lista os exemplos que sustentam o lado "sim" da resposta: a eleição de Kamala Harris como primeira mulher negra na vice-presidência dos Estados Unidos; o trabalho de pesquisadoras brasileiras, como Ester Sabino e Jaqueline Gomes de Jesus, no sequenciamento do genoma do Sars-CoV-2; a gestão da pandemia pela primeira-ministra da Nova Zelândia, Jacinda Ardern; a fundação do movimento Black Lives Matter por três mulheres negras; Luísa Trajano se tornando, em 2020, a primeira mulher na lista dos brasileiros mais ricos; e Ngozi Okonjo-Iweala como primeira mulher africana à frente da Organização Mundial do Comércio.

Do lado do "não", Raquel traz dados que mostram o quanto ainda falta avançar: uma pesquisa do LinkedIn com a consultoria Thinkiva aponta que quase metade das mulheres já sofreu assédio sexual no trabalho; a presença feminina em conselhos de empresas do Ibovespa é mínima, e só duas companhias, ligadas às famílias fundadoras, têm mulheres na presidência do conselho; um levantamento da RME com o Instituto Locomotiva mostra que a pandemia levou ao fechamento de 39% dos negócios comandados por mulheres; o monitoramento Um Vírus e Duas Guerras registrou uma mulher morta a cada nove horas durante a pandemia no Brasil, com maioria negra nos estados em que há recorte racial; e, segundo a Antra, uma mulher trans é assassinada a cada dois dias no país, majoritariamente negras e pobres, o que coloca o Brasil no topo do ranking mundial de assassinatos de pessoas trans.

Raquel fecha reforçando que o 8 de março não deveria se reduzir às ofertas do capitalismo, mas servir para discutir os próximos passos rumo a uma sociedade mais igualitária, e para que os homens repensem seu próprio posicionamento. Ela termina agradecendo às mulheres que vieram antes e citando a escritora, feminista e ativista negra americana Audre Lorde.

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