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Ágil está morto! The Walking Dead da agilidade
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Ágil está morto! The Walking Dead da agilidade

#ágil#agile#agilidade#morto#walking#zumbi

Por Avelino Ferreira Gomes Filho

Publicado em Atualizado em 3 min de leituraK21

De tempos em tempos, pula no meu feed de notícias uma manchete bombástica no estilo: X está morto! Veja aqui minha novidade salvadora. Várias coisas já foram assassinadas: Ágil, eXtreme Programming (XP), Scrum, Test Driven Development (TDD), Design Thinking até o Manifesto Ágil já foi morto algumas vezes.

A maioria das vezes esse tipo de título é um click bait (isca de cliques). Chama a sua atenção, você fica curioso, clica e com isso você ajuda o SEO (Search Engine Optimizer) da pessoa e a torna mais conhecida. Em tempos de mídia social: “falem bem ou falem mal, mas falem de mim”.

Neste texto, falaremos um sobre o The Walking Dead da agilidade. Métodos, frameworks, práticas e valores que muitos dizem que já morreram, mas continuam andando por aí.

Personagens principais de Walking Dead (Norman Reedus - Daryl Dixon, Andrew Lincoln - Rick Grimes e Danai Gurira - Michonne). Todos em posição de combate.The Walking Dead. Série de terror / suspense sobre Zumbis produzida pela AMC (2010 – Presente)

Rei morto, rei posto.

Esse tipo de “novidades” seguem alguns padrões: título chamativo, descrição longa e detalhada de como a pessoa fracassou com o “defunto” e a solução inovadora que ela criou e será a próxima hype do desenvolvimento de produtos e serviços.

Pesquisando no Google pelos “defuntos”, temos alguns resultados interessantes:


Termos Quantidade de Resultados
“design thinking is dead” ≅ 59.000
“agile is dead” ≅ 25.000
“scrum is dead” ≅ 6.300
“new agile manifesto” 118
“extreme programming is dead” (infelizmente existem vários termos com o nome XP, ex: Windows XP). 10
“kanban is dead” 8
“Avelino is dead” 🤔 0 (ufa, essa foi por pouco)

Ou seja, está todo mundo morto, mas não se preocupem. Só para o Manifesto Ágil, temos mais de 100 novos deles para nos salvar.

A novidade salvadora não vai muito longe por diversos motivos.

  • não é inovadora. É só uma forma um pouco diferente de fazer o que já era feito;
  • é um modelo teórico, nunca validado;
  • as pessoas perdem o interesse no meio da leitura;
  • falta de detalhamento para que seja aplicada em outros contextos;
  • muito específico;
  • marketing falho;
  • falta de empatia com o leitor e os problemas que ele já passou.

Entre muitos outros. O que eu particularmente gosto mais é o Complexo do Vovô Simpson: a pessoa reclama, reclama, reclama, grita aos quatro ventos quão ruim é a ideia original, mas não oferece nenhuma solução.

Uma imagem do jornal cortado na qual o vovô Simpson aparece gritando para nuvens no céu.
Recorte de jornal com a mensagem “Velho grita com nuvens” (Os Simpsons, episódio 13, 202).

Eu vejo gente morta!

O fato é que você continua vendo e ouvindo sobre os “mortos” e não é por acaso. Eles foram criados por pessoas que, verdadeiramente, querem melhorar a forma de trabalho que temos e não ganhar likes em redes sociais. Como exemplo, vejamos o preâmbulo do Manifesto Ágil:

“Estamos descobrindo maneiras melhores de desenvolver software, fazendo-o nós mesmos e ajudando outros a fazerem o mesmo.”
(Agile Manifesto, 2001)

Ele não dá um tiro nos modelos tradicionais. Ele sequer os menciona.

Os modelos já aplicados, adaptados, experimentados e validados, quando bem utilizados, dão ótimos resultados.

Menino deitado com o dizer: Eu vejo gente morta...
Famosa cena do filme o Sexto Sentido (1999).

Não há uma bala de prata

Entretanto, isso não significa que os modelos que citei no início do texto sirvam para todos os contextos possíveis e imagináveis. Como dito por Fred Brooks, não há balas de prata. Outro ponto importante é que você terá que saber adaptar os modelos ao seu contexto específico. Não adianta pegar a forma como o Ágil foi aplicado pela Spotify, por exemplo, e aplicar na sua empresa. Não vai funcionar.

Não é para evitar a melhoria contínua

Quem lida com times e aperfeiçoamento de organizações deve ser capaz de ler os cenários em que está inserido e descobrir de forma prática e iterativa quais os modelos que melhor aplicam àquele contexto.

Adaptação é fundamental e divulgar resultados e fórmulas que você utilizou é um meio de colaboração e sempre bem-vindo.

Sem ficar preocupado com a caça aos likes, quem sabe você não cria o próximo método de trabalho inovador?

Quer conhecer sobre os métodos que menciono acima, veja os nossos treinamentos de:

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Perguntas frequentes

Por que existem tantos artigos dizendo que o Ágil ou o Scrum morreram?

Títulos como 'Ágil está morto' ou 'Scrum está morto' costumam ser estratégias de atração de público para gerar tráfego e visibilidade nas redes sociais. Esse tipo de conteúdo costuma apontar falhas em métodos consolidados para logo em seguida propor uma suposta solução inovadora, apelando para a curiosidade de quem pesquisa sobre o tema.

Por que novas metodologias de trabalho prometidas como inovadoras costumam falhar?

Muitas propostas que prometem substituir o Ágil falham porque são apenas variações do que já existe ou modelos puramente teóricos sem validação prática. Além disso, costumam ser genéricas demais, muito específicas para um único cenário ou focadas apenas em criticar as ideias originais sem oferecer soluções reais para os problemas.

É possível aplicar o modelo Ágil do Spotify em qualquer empresa?

Não é recomendado copiar modelos de outras empresas, como o do Spotify, porque não existem respostas prontas no desenvolvimento de produtos. Métodos e frameworks precisam ser adaptados ao contexto específico de cada organização. A aplicação direta de uma estrutura externa sem considerar a realidade local raramente traz os resultados esperados.

Como escolher o melhor método de trabalho para uma equipe ou organização?

A escolha ideal exige analisar o cenário da organização e testar abordagens de forma prática e iterativa. Quem atua com melhoria contínua deve adaptar os frameworks existentes ao seu contexto específico em vez de buscar soluções prontas. A experimentação real e a colaboração são mais eficientes do que seguir modismos.

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