A Analogia Errada para o Desenvolvimento de Software

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Desde quase o começo da história do desenvolvimento de software, a comparação com a construção civil foi largamente utilizada para descrever esse tipo de projeto. São, no entanto, trabalhos de naturezas muito distintas.

Embora tenham evoluído ao longo dos tempos, projetos de construção existem há eras na história da humanidade.

E, em linhas gerais, sua forma de execução se manteve a mesma: uma longa fase de definições e especificações no início que tem como saída um plano, seguida de sua fase de execução.

Parece natural para o ser humano comparar outros tipos de trabalho com um que lhe seja tão familiar.

Os métodos tradicionais de desenvolvimento de software buscaram algo similar com o modelo em cascata e suas fases sequenciais de levantamento e análise de requisitos, especificação, desenvolvimento e testes.

Ainda hoje é comum utilizarem-se as expressões “engenharia ou engenheiro de software”, “arquitetura ou arquiteto de software ”. E até mesmo “construção de software ”, todas vindas da analogia com a construção civil.

Por que métodos tradicionais de desenvolvimento de software não funcionam?

O livro Wicked Problems, Righteous Solutions (DeGrace & Stall, 1990 apud. Sutherland, 2004) já descrevia em 1990 as razões por que métodos tradicionais de desenvolvimento de software não funcionam, a partir de suas prerrogativas básicas:

  • requisitos não são completamente compreendidos antes do início do projeto;
  • usuários só sabem exatamente o que querem após ver uma versão inicial do produto;
  • requisitos mudam frequentemente durante o processo de desenvolvimento;
  • novas ferramentas e tecnologias tornam as estratégias de desenvolvimento imprevisíveis.

Sabemos, portanto, que comparar projetos de desenvolvimento de software com projetos de construção civil não faz sentido. A analogia simplesmente não funciona.

Rodrigo de Toledo
Sobre o autor

Rodrigo de Toledo

Co-fundador da K21, Nower e Wbrain

Rodrigo de Toledo é co-fundador da K21, Certified Scrum Trainer (CST) pela Scrum Alliance, Kanban Coaching Professional (KCP) e Accredited Kanban Trainer (AKT) pela Kanban University, além de Licensed Management 3.0 Facilitator. Com Ph.D na França, possui diversos artigos internacionais e lecionou por doze anos na PUC-Rio e na UFRJ, duas das principais universidades da América do Sul.

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