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Ep. 90 - Mentoria: Mentore e seja mentorado
Ep. 90

Ep. 90 - Mentoria: Mentore e seja mentorado

11 de outubro de 202101:01:58
Educação
Pessoas

Resumo rápido

Neste episódio gravado ao vivo no Mentoring Corner da Ágile Brasil 2021, Thaís assume a host e recebe Bia, sua ex-mentorada no programa Mulheres Agilistas, para explorar com Lula e Panda o que é mentoria, como estruturar uma relação de mentor e mentorado com confiança e compromisso, e por que ela acontece em todos os níveis de experiência, do judô Kohai-Senpai ao dia a dia de qualquer time.

Capítulos

  1. 01:44O que é mentoria: quatro definições em disputa
  2. 09:36O match Bia e Thaís: confiança, segurança e compromisso
  3. 13:32Rapport no Mentoring Corner: focar no problema, não julgá-lo
  4. 22:15Vieses na escolha do mentor e os desafios de mentorar sem fórmula
  5. 28:11Kohai-Senpai: a mentoria acontece em todos os níveis
  6. 41:34Como estruturar uma mentoria: pre-work, escuta e compromisso de ação
  7. 53:10Palavras finais: como dar o primeiro passo

Frases do episódio

“Direcionamento pra o seu aprendizado ser mais fluido através de uma relação de parceria.”

04:45

“Meu desafio é, tipo assim, alguém chega e fala, ah, e quanto você cobra? Eu não consigo.”

24:14

“Gerir o trabalho, né, e desenvolver pessoas, ao invés de desenvolver o trabalho e gerir pessoas.”

37:59

O que você vai ouvir neste episódio

  • A mentoria atua como uma ferramenta estratégica para acelerar o desenvolvimento profissional e pessoal nas empresas.
  • O papel do mentor exige a transmissão de conhecimentos práticos acumulados ao longo de sua trajetória sênior.
  • Profissionais iniciantes utilizam a mentoria para orientar escolhas de carreira e acelerar seu aprendizado técnico.
  • Estruturar programas formais de mentoria fortalece a cultura de aprendizagem contínua dentro das organizações modernas.
  • A relação entre mentor e mentorado gera trocas de experiências valiosas para o crescimento de ambos.

Temas discutidos

A prática da mentoria está diretamente ligada à construção de uma cultura organizacional focada em aprendizagem contínua e desenvolvimento de pessoas. Em ambientes de agilidade e liderança, criar programas formais e informais de mentoria fortalece o compartilhamento de conhecimento tácito entre profissionais sêniores e iniciantes. Essa troca constante capacita times, acelera a evolução de produtos e prepara novos líderes para enfrentar desafios complexos nas empresas com maior maturidade e suporte colaborativo.

Para quem é este episódio

Este conteúdo é ideal para líderes de gestão de pessoas, gestores de equipes e profissionais em transição de carreira ou início de jornada. O episódio ajuda quem deseja atuar como mentor ou buscar mentoria para alavancar seu próprio desenvolvimento profissional.

Perguntas que este episódio ajuda a responder

O que é e como funciona a mentoria no ambiente profissional?

A mentoria é uma forma de capacitação baseada na troca de experiências entre um profissional mais experiente e outro no início de carreira. O mentor orienta o mentorado em temas específicos ou na função, fornecendo diretrizes práticas para o desenvolvimento pessoal e técnico. Essa relação fortalece o aprendizado contínuo e impulsiona o crescimento dentro das organizações.

Qual é o papel do mentor e do mentorado no processo?

O mentor atua compartilhando vivências, conhecimentos e orientações estratégicas acumuladas ao longo de sua trajetória sênior. Já o mentorado traz suas dúvidas, objetivos de carreira e receptividade para aprender com os acertos e erros do profissional mais experiente. Ambos constroem uma relação colaborativa voltada à evolução profissional e ao alinhamento de expectativas no trabalho.

Por que implementar um programa de mentoria nas organizações?

Um programa de mentoria funciona como uma ferramenta eficaz para retenção de talentos e disseminação do conhecimento interno. Ele conecta diferentes níveis de senioridade, promove a cultura de colaboração e acelera a curva de aprendizado de novos colaboradores, resultando no fortalecimento das lideranças e na capacitação contínua das equipes da empresa.

Sobre este episódio

Este episódio do Love the Problem foi gravado ao vivo durante o horário do Mentoring Corner da Ágile Brasil 2021, com Thaís na função de host recebendo Bia, ex-integrante da equipe de bastidores do podcast, agora convidada, ao lado dos co-hosts Lula e Panda, para uma conversa sobre mentoria.

A primeira parte do episódio reúne quatro definições diferentes de mentoria. Bia a descreve como direcionamento: o que a ajudou a priorizar entre muitos projetos num momento de transição de carreira. Lula combina duas camadas: o direcionamento que recebeu do seu próprio mentor, CFC, ao assumir clientes da K21 lado a lado com ele, e a ideia de que, como mentor, ele também aprende junto com quem mentora, numa relação de parceria. Panda enxerga mentoria como algo frequentemente implícito, ilustrado por um exercício no Hacktown em que percebeu ter tido várias mentoras e mentores que nunca nomeou dessa forma. Thaís resume mentoria como troca e rede de apoio: ter alguém em quem confiar, e em quem a outra pessoa também possa confiar.

O core do episódio é o case de Bia e Thaís, que se conheceram pelo programa de mentoria da comunidade Mulheres Agilistas. Bia relata que torceu para ser selecionada justamente por Thaís, e que confiança e segurança prévias foram decisivas para o match funcionar. Thaís detalha as regras que usa para dar estrutura à relação: a pessoa mentorada puxa a agenda, e dois encontros pulados seguidos disparam uma conversa sobre continuar ou não, enquanto Panda relaciona essa construção de confiança com sua experiência mentorando desconhecidos no próprio Mentoring Corner, onde o rapport nasce do problema trazido, não de vínculo pessoal prévio.

Bia descreve como a mentoria a ajudou a enxergar conexões e recursos que já estavam ao seu alcance, incluindo aprender a limitar seu próprio WIP, tema que reencontrou dias depois durante a própria Ágile Brasil. Lula usa esse reencontro como métrica informal de sucesso de uma mentoria. Na sequência, os quatro nomeiam desafios pessoais: falta de referência teórica, síndrome do impostor, dificuldade de cobrar financeiramente e viés na escolha de quem mentorar. Eles concluem que, em boa parte, esses obstáculos vêm da mesma "voz do medo" que atrasa o primeiro passo, tanto para quem busca quanto para quem oferece mentoria.

Panda propõe a metáfora do judô e da relação Kohai-Senpai para argumentar que a mentoria acontece em todos os níveis de experiência ao mesmo tempo, e que o papel de quem está mais à frente é entregar algo concreto e aplicável, não um caminho distante de iluminação. Thaís conecta essa ideia com liderança: gerir o trabalho e desenvolver pessoas, em vez do contrário, e recorda como sua própria relação implícita de mentoria com Lula nasceu num treinamento de Kanban e amadureceu num open space na Ágile Brasil 2018.

Na parte final, Thaís descreve seu método de condução (pre-work inicial, referências entre sessões), Bia detalha o papel de quem é mentorado (abrir-se sobre o problema real e assumir o compromisso de agir entre sessões), e Lula relaciona tudo isso com a prática de fatiar (thin-slicing) usada em produtos, aplicada até no contexto rápido do Mentoring Corner, sem nunca substituir o trabalho de profissionais de saúde mental. O episódio fecha com recomendações práticas para quem quer começar: tornar explícitas mentorias que já são implícitas, publicar no LinkedIn buscando ou se oferecendo como mentor, e tratar o primeiro compromisso como um experimento pequeno e seguro.

Transcrição completa

Neste episódio, gravado ao vivo durante o horário do Mentoring Corner da Ágile Brasil 2021 (com publicação prevista para a semana seguinte), Thaís assume o papel de host e recebe Bia, que já passou por praticamente todos os bastidores de produção do Love the Problem e agora aparece como convidada, para conversar sobre mentoria, ao lado dos co-hosts Lula e Panda.

A conversa começa com cada um definindo o que é mentoria pra si. Para Bia, foi sobretudo direcionamento: ajudou a priorizar e focar num momento em que ela tinha muitos projetos para tocar. Para Lula, a definição mistura duas perspectivas: a de ter sido mentorado (ele credita ao CFC, seu principal mentor na jornada de consultoria na K21, boa parte do direcionamento que recebeu ao assumir clientes lado a lado com ele) e a de mentorar hoje, que ele descreve como uma parceria em que os dois lados aprendem, porque quem direciona também está, de alguma forma, ensinando. Panda enxerga mentoria como uma relação de parceria que muitas vezes é implícita: ele conta que, num exercício de facilitação no Hacktown, percebeu que várias pessoas foram mentoras dele sem que ele jamais tivesse nomeado a relação dessa forma; no seu dia a dia, o padrão mais comum é simplesmente pedir ajuda pontual, sem chegar a se configurar como uma mentoria explícita de acompanhamento conjunto. Já para Thaís, mentoria é essencialmente troca e rede de apoio: ter alguém em quem confiar e que também pode contar com você, para além de aprender algo específico.

Bia e Thaís se tornam o case do episódio: elas se conheceram através do programa de mentoria da comunidade Mulheres Agilistas, quando Bia buscava migrar de marketing para produto e torceu para ser selecionada justamente por Thaís, de quem já acompanhava o trabalho. Bia explica que o que tornou o match funcionar foi a confiança e a segurança prévias, saber que teria um ambiente seguro para colocar seus problemas. Thaís detalha o comprometimento que uma mentoria formal exige dos dois lados: no seu caso, ela estabelece duas restrições práticas: é responsabilidade da pessoa mentorada puxar a agenda dos encontros, e se dois encontros seguidos forem pulados, as duas partes param para conversar se vale a pena continuar.

Panda relaciona essa construção de confiança com sua experiência no próprio Mentoring Corner do evento, onde atua com pessoas que não conhece previamente: ali, o rapport se constrói a partir do problema que a pessoa traz, e não de vínculo pessoal; o primeiro passo é entender profundamente qual é, de fato, o problema, sem que o mentor se coloque na posição de julgar se aquele é ou não um bom problema a se resolver.

Bia relembra que, durante a mentoria com Thaís, teve inseguranças por estar migrando para uma área em que Thaís também não era especialista, mas a mentoria funcionou como espaço de pensar junto, não de trazer respostas prontas. Muita coisa que Thaís apontava parecia óbvia a posteriori, mas não era: eram conexões e pessoas que já estavam ao alcance de Bia e que ela não estava enxergando. Um dos frutos práticos foi Bia conseguir limitar seu próprio WIP (trabalho em progresso), tema que ela reencontrou dias depois, durante a Ágile Brasil, ao ouvir uma discussão sobre um artigo de Rafael Albino sobre a dificuldade de parar para respirar em vez de estar sempre otimizando. Lula usa esse reencontro como métrica de sucesso de uma boa mentoria: quando a pessoa mentorada reconecta, em outro contexto, algo que discutiu na mentoria, é sinal de que ela realmente aterrissou.

Sobre desafios, Bia cita a falta de referência teórica e formação para fazer mentoria de forma mais profissional, algo que ela decide não deixar paralisá-la. Thaís nomeia como seu desafio a dificuldade de cobrar por mentoria: ela prefere manter a relação como ajuda, sem componente financeiro. Lula observa que os desafios levantados por ele próprio, Bia, Thaís e Panda na verdade se conectam e, em boa parte, vêm de uma "voz do medo" ou de julgamento que trava as pessoas; ele próprio só teve coragem de mentorar alguém formalmente cinco anos depois de começar na K21, apesar de já ter, nos primeiros anos, oportunidades de abrir esse espaço. Ele cita o caso de uma pessoa que viu no LinkedIn se oferecendo para trabalhar de graça como Scrum Master por falta de experiência, e como pequenas intervenções de mentoria, por exemplo, indicar o voluntariado na própria Ágile Brasil como caminho para ganhar experiência prática em times auto-organizados, não exigem virar um especialista formal, apenas alguém com um ou dois anos a mais de estrada disposto a apontar caminhos que, para quem está de fora, não são óbvios.

Panda traz então a metáfora do judô e da relação Kohai-Senpai (o mais graduado e o menos graduado) para argumentar que mentoria acontece em todos os níveis simultaneamente, e que essas categorias só existem em relação: ele mesmo é ao mesmo tempo Senpai de alunos de faixa branca e, em outra relação, ocupa outro lugar na hierarquia. A postura do mais graduado, segundo a tradição do judô, não é impor tudo o que sabe, mas estabelecer a relação com respeito e, no momento certo, mostrar uma técnica concreta e aplicável. O mesmo vale para mentoria: não é um mentor-guru apontando um caminho distante de iluminação, mas alguém que oferece uma ação concreta, algo que a pessoa mentorada já pode tentar no time dela na próxima semana.

Thaís conecta esse raciocínio com liderança: ela cita o episódio sobre o "dinossauro apavorado" e a frase de que liderança é gerir o trabalho e desenvolver pessoas, em vez de desenvolver o trabalho e gerir pessoas: dar espaço para as pessoas colocarem a mão, errarem e se defenderem é o que permite o desenvolvimento. Bia reforça isso a partir da própria experiência: Thaís nunca resolveu os problemas dela, apenas mostrou opções e assumiu a corresponsabilidade por uma parte específica, deixando o restante do caminho por conta de Bia.

Thaís então conta a origem da sua própria relação de mentoria implícita com Lula: no primeiro treinamento de Kanban que fez na K21, Lula, sabendo que ela vinha da engenharia de produção, pediu de improviso que ela explicasse Lean para a turma; meses depois, na Ágile Brasil 2018 em Campinas, ele a convidou para um open space sobre Lean Manufacturing versus Lean Kanban, onde cada um puxou a parte de domínio próprio diante de uma plateia que incluía, entre outros, Rodrigo de Toledo. A confiança estabelecida na sala de aula se estendeu, segundo ela, para um ambiente com uma dinâmica de segurança diferente, o debate aberto do open space.

Sobre como estruturar uma mentoria, Thaís descreve seu processo: um pre-work inicial para a pessoa preencher antes da primeira conversa, seguido de referências e tarefas entre uma sessão e outra. Como mentorada, Bia descreve o seu papel como o de se abrir de fato sobre o problema que mais a incomoda naquele momento, e assumir o compromisso de sair do lugar entre uma sessão e a próxima: não basta conversar, é preciso agir. Ela também recomenda que o primeiro encontro sirva só para conhecer a pessoa, sem entrar direto em métricas ou pauta técnica.

Lula relaciona essa lógica com a prática de fatiar (slice) usada em produtos e agilidade: em vez de separar em camadas, primeiro só a conexão, depois só o problema, a ideia é pegar uma fatia fina que atravesse tudo isso ao mesmo tempo, inclusive no contexto rápido do Mentoring Corner. Ele relata uma conversa do dia anterior sobre contratação de fábrica de software, em que começou entendendo como a pessoa estava se sentindo em relação ao problema antes de discutir a solução, deixando claro que essa escuta não substitui o trabalho de profissionais de saúde mental, apenas serve como exercício de empatia para entender o problema com mais profundidade. Em outro atendimento do Mentoring Corner, uma pessoa perguntou como começar com agilidade na própria empresa; ao explorar as características do time, Lula percebeu que a empresa já operava de forma bastante ágil, só sem o rótulo, e a mentoria serviu para identificar três pontos de alavancagem mais avançados do que os "primeiros passos" que ela imaginava precisar dar.

Panda nomeia um padrão que atravessa vários dos relatos do episódio: sugestões de caminho, ou seja, apontar possibilidades que já estão ao alcance da pessoa mentorada, mas que ela ainda não enxergou sozinha. Lula acrescenta que um bom pre-work também ajuda: relata o caso de uma pessoa que já ouvia os podcasts da K21 antes da mentoria, o que permitiu concentrar a conversa diretamente no contexto específico dela em vez de gastar tempo com fundamentos. Ele também menciona uma contribuição adicional dele à comunidade nesse período: um vídeo sobre como estruturar submissões de palestra para eventos, que já ajudou pessoas a conseguirem ter propostas aceitas.

Como palavras finais, Panda recomenda tornar explícitas relações de mentoria que hoje são apenas implícitas, criando uma cadência combinada de troca. Bia resume mentoria como a oportunidade de evoluir e sair diferente de como se entrou. Lula agradece a quem confiou nele como mentor individual, distinguindo esse papel pessoal do trabalho de mentoria organizacional que a K21 presta a empresas, e pede desculpas pelos erros cometidos no caminho. Thaís fecha agradecendo a todos que doam tempo para mentorar alguém e descreve isso como uma corrente do bem: ela mentorou Bia, e espera que Bia, por sua vez, mentore outra pessoa.

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