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Ep. 59 - Comunidades, Podcasts e Pandemia
Ep. 59

Ep. 59 - Comunidades, Podcasts e Pandemia

8 de março de 202101:02:42
Pessoas

Resumo rápido

Neste episódio, Panda, Thaís Rigolon e Lula compartilham suas trajetórias pessoais em comunidades de agilidade e discutem como podcasts se tornaram, durante a pandemia, uma forma de manter viva a troca de conhecimento e o senso de pertencimento que antes vinha dos corredores de eventos presenciais, defendendo conexões genuínas acima de participação compulsiva em tudo que aparece.

Capítulos

  1. 04:15A trajetória de Thaís: do software livre ao LinkOff SP
  2. 15:08O primeiro Open Space de Panda: a discussão sobre Lean
  3. 17:37O programa de mentoria do Agile Girls
  4. 25:56A armadilha das comunidades que viram negócio
  5. 38:53O conceito de Slow Agile
  6. 42:54A origem do Pontes e Elefantes
  7. 54:09Mensagem final: conexões, não networking

Frases do episódio

“Se é verdadeiro, é orgânico”

00:48

“E é aí que mora a armadilha, né?”

25:56

“a gente precisa começar a falar um pouco mais sobre o slow”

39:27

O que você vai ouvir neste episódio

  • Antonio Gerent conversa com Thais Rigolon e Luiz Lula Rodrigues sobre os desafios de manter comunidades ativas durante o isolamento.
  • O encerramento temporário de meetups presenciais afetou diretamente o sentimento de pertencimento dos profissionais em suas redes de apoio.
  • A ascensão dos podcasts funcionou como um importante canal de comunicação para reatar conexões e compartilhar conhecimentos práticos do setor.
  • O debate explora como lidar com o distanciamento físico sem perder o alinhamento com propósitos coletivos e a troca de experiências.

Temas discutidos

A discussão conecta a evolução das comunidades profissionais à cultura organizacional e à agilidade, reforçando que a troca contínua de conhecimento independe da presença física. Em tempos de trabalho remoto e isolamento, líderes e praticantes de agilidade precisam criar canais alternativos para preservar o pertencimento e a colaboração. Os podcasts surgiram como ferramentas estratégicas para disseminar práticas, alinhar valores e manter pessoas engajadas em propósitos comuns mesmo em cenários adversos.

Para quem é este episódio

Líderes de comunidades, gestores de pessoas e profissionais de agilidade que buscam manter times e redes engajados em ambientes remotos. O episódio beneficia quem precisa criar alternativas para fortalecer o pertencimento e a troca de conhecimento profissional em momentos de afastamento físico.

Perguntas que este episódio ajuda a responder

Como a pandemia impactou a dinâmica das comunidades profissionais?

Com o isolamento social, meetups e eventos presenciais foram suspensos, interrompendo o contato direto que fortalecia as redes de apoio. Esse distanciamento afetou o senso de pertencimento e exigiu que organizadores e participantes encontrassem novas formas digitais de manter a troca de experiências e o engajamento ao redor de propósitos compartilhados.

Qual o papel dos podcasts no resgate do senso de pertencimento?

Os podcasts surgiram como uma alternativa para suprir a escassez de encontros presenciais, proporcionando um formato acessível de áudio para o compartilhamento de conteúdo relevante. Essa mídia permitiu que ouvintes se reconectassem com temas do seu interesse, recuperando a proximidade com especialistas e mantendo a sensação de fazer parte de uma comunidade.

Como manter redes de colaboração ativas no trabalho remoto?

A manutenção de redes colaborativas exige a criação de espaços de interação contínua e intencional no meio digital. Canais assíncronos, podcasts e encontros virtuais focados em temas de interesse comum ajudam a preservar o alinhamento de propósito e o engajamento das pessoas, garantindo a troca de aprendizados mesmo sem o contato presencial.

Sobre este episódio

Neste episódio, apresentado por Panda, Thaís Rigolon (host do Agile Girls) e Lula compartilham suas trajetórias pessoais em comunidades de agilidade e discutem o papel que podcasts passaram a cumprir durante a pandemia como substituto parcial dos encontros presenciais.

Thaís conta como conheceu comunidades através de projetos de software livre e, mais tarde, encontrou no LinkOff São Paulo um espaço para questionar práticas do ambiente corporativo. Hoje, sua conexão mais forte é com a comunidade de mulheres agilistas do Agile Girls, incluindo um programa de mentoria com mais de 600 inscrições. Panda relata sua primeira experiência de Open Space, discutindo Lean com Lula, Mari Zaparoli e Rodrigo de Toledo, como uma vivência única de construção coletiva de conhecimento. Lula descreve uma trajetória mais lenta, de anos estudando sozinho até encontrar o Scrum Hill e passar a se voluntariar em eventos para vencer a timidez.

É discutida uma armadilha real: com a agilidade em alta, comunidades e eventos também podem se tornar forma de gerar dinheiro com conteúdo raso. O critério sugerido é verificar se o espaço é, genuinamente, uma rede de apoio movida por troca legítima. É apresentado o conceito de 'Slow Agile', de João Reis: assim como uma planta tem seu tempo de crescer, participar de tudo ao mesmo tempo significa não aproveitar nada direito, uma reflexão amplificada pelo FOMO gerado pela avalanche de eventos online durante a pandemia.

É contada a origem do podcast Pontes e Elefantes, nascido de uma conversa espontânea sobre o livro 'Reinventando as Organizações', ilustrando como podcasts ajudam a digerir conhecimento complexo através da troca, mesmo à distância. É revelado que o Agile Girls tem cerca de 70% de audiência feminina, e o Love the Problem passou a ter uma proporção próxima de 60/40 após adotar a política de sempre incluir uma voz feminina por episódio. O episódio encerra com mensagens sobre valorizar conexões genuínas acima de networking, e um pedido às organizações para que criem espaço real e orçamento para a participação das pessoas em comunidades.

Transcrição completa

Neste episódio, apresentado por Panda, Thaís Rigolon (host do podcast Agile Girls) e Lula compartilham suas trajetórias pessoais dentro de comunidades de agilidade e tecnologia, e discutem o papel que podcasts passaram a cumprir durante a pandemia como substituto parcial dos encontros presenciais.

O episódio abre com a ideia de que 'se é verdadeiro, é orgânico': comunidades genuínas nascem de trocas reais, não de necessidade de aparecer. Quem permanece numa comunidade ao longo do tempo é, tipicamente, quem está lá para trocar conhecimento e se apoiar mutuamente.

Thaís conta como conheceu comunidades através do trabalho com projetos de software livre para o Ministério da Cultura, e como, mais tarde, sentindo falta de espaços para questionar práticas no ambiente corporativo tradicional, encontrou no LinkOff São Paulo um lugar onde podia trocar abertamente com pessoas que pensavam de forma parecida. Hoje, sua conexão mais forte é com a comunidade de mulheres agilistas por trás do Agile Girls, incluindo um programa de mentoria que recebeu mais de 600 inscrições e selecionou 200 mulheres, histórias de mulheres que começaram com medo de falar em eventos e hoje já palestram e atuam ativamente na área.

Panda relata sua primeira experiência de comunidade no TDC Floripa de 2018, indo sozinho a um evento sobre o qual não sabia nada, motivado por uma indicação casual, e sendo estimulado a puxar conversa com estranhos, encontro que gerou conexões que persistem até hoje. Ele descreve também sua primeira experiência de Open Space, discutindo Lean (a visão de David Anderson versus a Toyota) com Lula, Mari Zaparoli e Rodrigo de Toledo, como uma experiência única de construção coletiva de conhecimento, em vez de simples consumo passivo de conteúdo.

Lula descreve sua trajetória mais lenta de conexão com comunidades, anos estudando agilidade sozinho antes de encontrar o Scrum Hill em 2014, e depois se voluntariando em eventos como forma de vencer a timidez e ser forçado a interagir com outras pessoas. Ele descreve a K21 hoje como, mais do que um empregador, um hub das pessoas que conheceu ao longo dessa jornada em comunidades.

É discutido um ponto de atenção importante: como a agilidade virou hype, comunidades e eventos também podem se tornar uma forma de ganhar dinheiro com conteúdo raso, sem substância real. Uma armadilha real existe nesse espaço, por isso vale a pena entender a origem e a credibilidade de quem está por trás de um evento ou comunidade antes de confiar cegamente nele. Um critério prático sugerido é simples: se o espaço não é, genuinamente, uma rede de apoio movida por troca legítima de conhecimento, provavelmente há algum outro interesse por trás, seja financeiro, seja de outra natureza.

Com a pandemia, a ausência de encontros presenciais gerou, para alguns, uma sensação de FOMO (fear of missing out) que levou a um consumo compulsivo de lives e eventos online, até a necessidade consciente de recuar e escolher com mais cuidado onde investir energia. É apresentado o conceito de 'Slow Agile', trazido por João Reis do evento Agile Open Camp: assim como uma planta tem seu próprio tempo de crescimento, tentar cuidar de tudo ao mesmo tempo significa, na prática, não cuidar de nada direito; participar de muitos eventos e comunidades não é, necessariamente, sinal de eficácia, mesmo dentro de uma cultura que valoriza eficiência.

É contada a origem do podcast Pontes e Elefantes: nascido de uma conversa espontânea entre Lula, Rodrigo Vergara e Carol Serpejante no Agile Coach Camp, sobre os capítulos do livro 'Reinventando as Organizações', um exemplo de como podcasts ajudam a 'digerir' conhecimento complexo através da troca, mesmo quando ouvido posteriormente por quem não participou da conversa original. Em tempos de isolamento social, ouvir pessoas trocando ideias sobre um tema gera uma sensação real de pertencimento, mesmo à distância, descrito como uma forma de 'abraçar' comunidades sem contato físico.

É observado que o Agile Girls tem cerca de 70% de audiência feminina, enquanto o Love the Problem, após adotar a política de sempre incluir uma voz feminina por episódio, passou de um público majoritariamente masculino para uma proporção mais próxima de 60/40, reforçando o valor de podcasts como canal de democratização de temas frequentemente tratados como tabu em ambientes profissionais tradicionais.

Como mensagens finais, Lula recomenda valorizar conexões reais, não apenas networking, e buscar, dentro das comunidades, pessoas com quem construir relações genuínas, sem se cobrar por participar de tudo. Thaís reforça a importância de se conectar de verdade com as pessoas, sem se sobrecarregar tentando acompanhar todo conteúdo disponível, e de sugerir novos temas para serem discutidos abertamente. Panda encerra com uma mensagem voltada às organizações: que elas criem, de fato, espaço e incentivo, inclusive orçamento, para que as pessoas participem de eventos e comunidades, reconhecendo o ganho real que essa participação traz para a empresa.

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