Pular para o conteúdo
Voltar para todos os episódios
Ep. 29 - Como começar na Agilidade
Ep. 34

Ep. 29 - Como começar na Agilidade

10 de agosto de 202000:59:57
Agilidade

Resumo rápido

Neste episódio, Lucas Tito e Natasha Gabriele discutem, junto com o apresentador, qual é o maior problema ao começar algo novo, do viés cognitivo que nos faz comparar conceitos desconhecidos a rótulos antigos, ao efeito Dunning-Kruger, até a distinção central entre rótulos e essência, defendendo que a verdadeira barreira de entrada na agilidade (e em qualquer mudança) é a sensação de não pertencimento.

Capítulos

  1. 04:31Qual é o maior problema ao começar algo novo
  2. 07:40Vieses cognitivos e o efeito Dunning-Kruger
  3. 17:40Vocabulário como barreira de entrada na agilidade
  4. 31:13Rótulos versus essência: transcender e incluir
  5. 37:45Capacitismo, Maslow e a segurança de grupos minoritários
  6. 44:31O verdadeiro problema: a sensação de não pertencimento
  7. 46:06Dicas finais: autorresponsabilidade, respeito e autoempatia

Frases do episódio

“qual que é o limite entre você estar perdido e estar explorando”

10:27

“o que não tem nome não existe”

32:41

“todo estereótipo, todo preconceito, ele nasce de falta de conhecimento”

51:58

O que você vai ouvir neste episódio

  • Lula e Raquel Tanurcov conduzem o debate sobre a transição e o início de carreira na área de Agilidade.
  • Lucas Tito e Nath compartilham trajetórias e perspectivas reais para profissionais que buscam ingressar no universo ágil.
  • A discussão aborda as competências fundamentais e os primeiros desafios enfrentados por quem busca trabalhar com Agilidade.
  • Os convidados detalham caminhos práticos para desenvolver uma postura ágil e entender o mercado de trabalho atual.

Temas discutidos

O episódio aborda a inserção no mercado de Agilidade, destacando como os princípios ágeis transformam o contexto organizacional e a gestão moderna. A transição de carreira para a área exige compreensão de cultura, colaboração e liderança adaptativa, indo além de frameworks específicos. Entender como começar na Agilidade fortalece a capacidade das empresas de formar profissionais alinhados a ambientes dinâmicos, promovendo entregas de valor contínuas, melhoria de processos e o desenvolvimento sustentável de equipes multidisciplinares.

Para quem é este episódio

Este episódio beneficia profissionais em transição de carreira que buscam ingressar na Agilidade, líderes que desejam orientar novos membros em equipes ágeis e leitores ou entusiastas de gestão de produtos interessados em entender os conceitos fundamentais do mercado ágil.

Perguntas que este episódio ajuda a responder

Como posso dar os primeiros passos para entrar na área de Agilidade?

Para começar na Agilidade, é essencial estudar os fundamentos dos frameworks ágeis e compreender a cultura de colaboração. O episódio destaca que profissionais devem focar no desenvolvimento de competências comportamentais e na busca por experiências práticas, conectando-se com a comunidade e entendendo como gerar valor em projetos e organizações de forma contínua.

Quem são os convidados e participantes do episódio sobre início na Agilidade?

O episódio conta com a apresentação de Lula e Raquel Tanurcov, que recebem os convidados Lucas Tito e Nath. Juntos, eles compartilham aprendizados, trajetórias profissionais e dicas sobre como superar as barreiras de entrada no mercado de trabalho focado em práticas e mentalidade ágil.

Quais são os principais desafios ao migrar de carreira para a Agilidade?

Os principais desafios envolvem adaptar a mentalidade para lidar com incertezas, compreender que a Agilidade vai além de processos rígidos e aprender a comunicar o valor das práticas ágeis. Superar esses obstáculos requer estudo constante, alinhamento com a cultura da empresa e abertura para aprender com os erros do dia a dia.

Sobre este episódio

Neste episódio, Lucas Tito e Natasha Gabriele discutem, junto com o apresentador, qual é o maior problema ao começar algo novo, seja uma carreira, um método de trabalho ou uma comunidade. O ponto de partida é neurológico: o cérebro, diante do desconhecido, busca automaticamente comparações com algo já familiar, criando estereótipos que distorcem o entendimento genuíno de conceitos novos, como comparar Scrum Master a gerente de projetos. É citado o efeito Dunning-Kruger para explicar a sensação comum de 'estar perdido' ao ganhar mais experiência e perceber o quanto ainda não se sabe, uma etapa natural do aprendizado, não um sinal de fracasso.

Os convidados compartilham suas próprias trajetórias até a agilidade, e o episódio propõe uma forma de driblar a barreira do vocabulário técnico: explicar agilidade pelos seus efeitos (foco no cliente, feedback rápido, melhoria contínua), em vez de pelos nomes de ferramentas e papéis, que imediatamente excluem quem ainda não os conhece.

O núcleo filosófico do episódio é a distinção entre rótulos e essência. Rótulos são necessários para nomear e dar visibilidade a problemas sociais reais, mas o risco é reduzir uma pessoa inteira a um único rótulo. É apresentado o conceito de 'transcender e incluir': crescer não significa descartar identidades anteriores, mas incorporá-las a uma versão mais ampla de si mesmo. Tito, que é cego, compartilha como o capacitismo é frequentemente esquecido no discurso sobre diversidade, e usa a pirâmide de Maslow para explicar como pessoas de grupos minoritários frequentemente gastam energia diária apenas garantindo segurança básica, energia que pessoas do padrão podem investir diretamente em propósito e autorrealização.

Essa reflexão leva à conclusão central do episódio: talvez o maior problema ao começar algo novo não seja falta de conhecimento técnico, mas a sensação de não pertencimento. As dicas finais reforçam essa ideia na prática: autorresponsabilidade diante de problemas identificados, busca por pioneiros e referências inspiradoras, respeito pelos próprios limites e pela jornada de aprendizado, autoempatia (transcender e incluir também a própria história), e o 'teste do pescoço' de Verna Myers: olhar ao redor do seu círculo de convívio para identificar, na ausência de certos tipos de pessoas, seus próprios pontos cegos.

Transcrição completa

Este episódio discute como começar na agilidade, com os convidados Lucas Tito e Natasha Gabriele (Nath), além da participação de Raquel. O apresentador abre com um exemplo prático de microgerenciamento: um facilitador que não precisa saber o conteúdo escrito em cada post-it de um quadro Kanban, basta saber quantos post-its existem e em qual coluna estão para entender o fluxo do time e fazer perguntas certas. Tito, que é cego, observa que isso é, na prática, uma solução natural contra microgerenciamento: quem não vê o conteúdo do post-it é forçado a confiar no time e fazer o time falar.

A pergunta central do episódio é: qual é o maior problema quando começamos algo novo? Nath, entusiasta de neurociência, explica que o cérebro, ao se deparar com algo desconhecido, busca na memória algo parecido para se sentir confortável, criando estereótipos e comparações automáticas. Isso explica um padrão muito comum em quem está começando na agilidade: tentar encaixar um conceito novo em algo já conhecido, como comparar Scrum Master a gerente de projetos, ou a chefe, comparações que, na prática, atrapalham o entendimento genuíno do novo conceito.

Os três convidados compartilham suas próprias trajetórias até a agilidade. Tito já mudou de área três vezes, de desenvolvedor para requisitos, e de requisitos para agilidade, e descreve como, ao conhecer pessoas com mais experiência, sentiu-se 'perdido', até perceber, junto com o apresentador, que existe uma diferença entre estar perdido e estar explorando: perdido tem conotação negativa, mas explorar é parte natural do aprendizado. É citado o efeito Dunning-Kruger, no qual iniciantes superestimam seu conhecimento, e à medida que ganham experiência real percebem o quanto ainda não sabem, uma queda que pode gerar exatamente essa sensação de estar perdido.

Raquel conta que começou no RH, observando de fora o processo de transformação ágil de uma empresa sem vivê-lo diretamente, até migrar para tecnologia e atuar como uma espécie de 'PO proxy', traduzindo demandas entre negócio e tecnologia. Ela só percebeu, mais tarde, quando alguém da K21 comentou, que já era uma agilista sem perceber, porque já vivia os valores na prática, mesmo sem o rótulo.

Um ponto central levantado pelo apresentador é o vocabulário como barreira de entrada: termos técnicos como Scrum Master, PO ou OKR imediatamente excluem quem ainda não os conhece. A alternativa proposta é falar sobre os efeitos da agilidade em vez do nome: focar no cliente, entender rapidamente o que esse cliente acha do que está sendo entregue para se adaptar, e repetir esse ciclo continuamente para melhorar, não importa se o método usado se chama Scrum, Kanban ou XP.

Tito amplia esse conceito: qualquer pessoa pode ser 'agilista' em um sentido mais amplo, mesmo uma mãe, por exemplo, porque agilidade tem a ver com tratar qualquer contexto como oportunidade de aprender, com transparência, respeito, escuta e experimentação. Só focar nos três pilares (cliente, feedback, melhoria contínua) sem viver os valores e princípios por trás deles é, na sua expressão, ser 'um lobo em pele de cordeiro'.

Nath compartilha sua trajetória em direitos humanos, diversidade e inclusão, e como aprendeu a priorizar seu trabalho ao entrar em contato com um processo de transformação ágil dentro do RH, perguntando, a cada dia, o que realmente precisa ser entregue, em vez de tentar abraçar tudo ao mesmo tempo. Ela observa que a agilidade não impactou só seu trabalho, mas também sua vida pessoal, porque somos seres indivisíveis: não é possível ser uma pessoa em casa e outra completamente diferente no trabalho.

O apresentador levanta um conflito pessoal: como se apresentar quando nenhum rótulo parece captar completamente quem se é, nem 'desenvolvedor' (já que não codifica mais profissionalmente todos os dias), nem 'agilista' (termo que a maioria das pessoas fora do nicho não entenderia), nem 'consultor' (rótulo que carrega conotações que não combinam com seu estilo). Essa reflexão leva à distinção central do episódio entre rótulos e essência: rótulos são necessários, na prática, para nomear e visibilizar problemas sociais reais, como racismo, machismo, LGBTfobia e capacitismo, mas o perigo está em reduzir uma pessoa inteira a um único rótulo, ignorando toda a sua complexidade.

É apresentado o conceito de 'transcender e incluir', atribuído por Nath a Rodrigo Vergara (e ligado à obra de Ken Wilber): a ideia de que crescer não significa descartar identidades ou papéis anteriores, mas incorporá-los a versões mais amplas de si mesmo. Nath complementa com a frase 'o que não tem nome não existe': nomear e dar visibilidade a experiências é necessário, mesmo que o objetivo final seja transcender a necessidade desses rótulos.

Tito, então, compartilha sua experiência como pessoa cega entrando na agilidade. Ele observa que, embora termos como machismo e LGBTfobia apareçam constantemente no discurso público, capacitismo é frequentemente esquecido, em parte porque a maioria das pessoas conhece poucas ou nenhuma pessoa com deficiência em seu círculo próximo, o que dificulta empatia genuína com essa realidade. Usando a pirâmide de Maslow, ele explica que, enquanto pessoas dentro do 'padrão' conseguem se concentrar em propósito e autorrealização, pessoas de grupos minoritários, sejam mulheres, pessoas negras ou pessoas com deficiência, frequentemente precisam gastar energia diária apenas garantindo sua segurança básica: será que o time me vê como capaz? Será que vou conseguir acompanhar um quadro Kanban sendo cego? Isso consome recursos emocionais que pessoas do 'padrão' não precisam gastar da mesma forma.

O apresentador conecta essa reflexão a outra referência que ouviu de Silvana Bezerra: talvez o maior problema, ao começar algo novo, seja a sensação de não pertencimento, a dúvida de 'será que isso é para mim, será que essa é minha turma?'. Isso reformula a pergunta central do episódio: como acelerar essa sensação de pertencimento para quem está começando, reconhecendo que essa pessoa é integral, não redutível a um único rótulo profissional.

A parte final do episódio traz dicas práticas de cada participante. Nath recomenda autorresponsabilidade: quando você reconhece um problema, reconheça também como pode ser parte da solução, em vez de apenas observá-lo. Tito recomenda buscar pioneiros e referências concretas que inspirem um propósito maior. Ele também recomenda respeito: respeitar seus próprios limites de aprendizado, respeitar quem está ensinando, respeitar sua saúde financeira ao decidir quanto investir em certificações e, acima de tudo, focar em aproveitar a jornada de aprendizado em vez de correr para um destino. Raquel complementa com o conceito de autoempatia: assim como se pratica empatia com o outro, é preciso também transcender e incluir a própria história, nunca descartar quem você já foi para se tornar quem você quer ser. O apresentador cita, nesse ponto, o livro 'A Coragem de Ser Imperfeito', de Brené Brown, sobre a importância da vulnerabilidade para conseguir se abrir e incluir os outros de verdade.

Para fechar, Nath traz uma última reflexão: todo estereótipo nasce da falta de conhecimento sobre o outro. Ela cita a palestra 'Como superar nossos preconceitos: caminhe corajosamente em direção a eles', de Verna Myers, e o 'teste do pescoço', olhar ao redor do seu círculo de convívio e notar que tipos de pessoas estão ausentes dele, como sinal de onde estão seus pontos cegos. A recomendação final é se propor a conhecer pessoas diferentes de você, entender seus próprios preconceitos e, a partir da informação, escolher ativamente ser uma pessoa melhor.

Ouvir no Spotify

Episódios relacionados

  • Ep.02 - Fatie o Problema - Gestão de Dependências

    Está no ar mais um episódio do “Fatie o Problema”, o novo quadro do Love the Problem, onde Rafaela Fonseca e Samira Tavares discutem como desconstruir desafios complexos em fatias pequenas para gerar resultados e aprendizados em ciclos curtos. No episódio de hoje elas analisam um caso real de um grande projeto de tecnologia, envolvendo diversos times, e como impulsionar as entregas focando na gestão de dependências. Dê o play e vem fatiar com a gente!

  • Ep.02 - Fatie o Problema - Gestão de Dependências

    Está no ar mais um episódio de "Fatie o Problema", novo quadro do Love the Problem, onde Rafaela Fonseca e Samira Tavares discutem a como de desconstruir desafios complexos em fatias menores para gerar resultado e aprendizado em ciclos curtos. No episódio de hoje elas analisam um caso de um grande projeto de tecnologia que envolvia diversos times e como impulsionar as entregas focando na gestão de dependências. Dê o play e vem fatiar com a gente!

  • Ep. 302 - Gestão de Projetos Complexos

    No novo episódio do Love the Problem , Rafaela Fonseca e Lucas Freitas desmistificam a gestão de projetos complexos, mostrando que coordenar a complexidade é, acima de tudo, sobre pessoas resolvendo problemas juntas com visibilidade e transparência. O bate-papo aborda como equilibrar expectativas, alinhar restrições e estabelecer clareza nas rotas de tomada de decisão — destacando que nem toda deliberação precisa ser colegiada. Destaques do episódio: O Xadrez Corporativo: como identificar e gerir stakeholders de forma adequada. Decisões Conscientes de Risco: Como mapear e categorizar riscos, avaliar impactos e apresentar alternativas claras para uma boa tomada de decisão. Coordenação Dinâmica de Dependências: como destravar o que impede a entrega de valor mais importante no momento. Ferramentas: O uso de ferramentas como a Matriz de Poder e Interesse, Quadro de Delegação, Kanban e o modelo unFIX para gerir projetos complexos. Quer navegar a complexidade de forma saudável? Então solta o play e vem com a gente! Episódios citados: Ep. 223 - Redesenhando estruturas com unFIX: flexibilidade e agilidade corporativa (https://br.k21.global/podcast/223-ep-223-redesenhando-estruturas-com-unfix-flexibilidade-e-agilidade-corporativa) Ep. 289 - Organizações Orientadas a Valor: estruturas operacionais que aceleram resultados (https://br.k21.global/podcast/289-ep-289-organizacoes-orientadas-a-valor-estruturas-operacionais-que-aceleram-resultados) Ep. 298 - Organizações Orientadas a Valor: Gestão da Mudança Organizacional (GMO) Desburocratizada (https://br.k21.global/podcast/298-ep-298-organizacoes-orientadas-a-valor-gestao-da-mudanca-organizacional-gmo-desburocratizada)

  • Ep. 301 - Times de Produto com IA: PODs, aceleração de entregas e um novo jeito de fazer discovery

    Neste episódio do Love the Problem, Rafaela Fonseca recebe Erica Fonseca, Gerente Executiva de Produtos no PicPay, Fernanda Morelli e Juliana Argente, consultoras na Nower, para discutir como a Inteligência Artificial e a criação de PODs (times menores e com missões específicas) estão transformando a gestão e o desenvolvimento de produtos digitais. Elas abordam como a IA acelera radicalmente o delivery, provoca a redefinição dos limites entre discovery e delivery, e permite testar hipóteses e descartar ideias ineficazes muito mais cedo. Destaques do episódio: O que são PODs: Como ter times menores focados em missões estratégicas. Discovery x Delivery na Era da IA: O impacto da prototipagem rápida e do uso de personas sintéticas na validação com usuários. Foco em Problemas Reais: Por que usar IA em problemas concretos é essencial para evitar o desperdício de escala. Você enfrenta desafios sobre como entregar mais e melhor com uma equipe enxuta? Então solta o play e vem com a gente! Referências citadas nesse episódio: Ep. 294 - O que a IA está mudando no desenvolvimento de software (https://br.k21.global/podcast/294-ep-294-o-que-a-ia-esta-mudando-no-desenvolvimento-de-software) Ep. 297 - Governança e Inovação: como organizar o trabalho mantendo autonomia das equipes (https://br.k21.global/podcast/297-ep-297-governanca-e-inovacao-como-organizar-o-trabalho-mantendo-autonomia-das-equipes)