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caso grupo gaia
Ep. 34

caso grupo gaia

15 de setembro de 202200:13:00
Pessoas

Resumo rápido

O Grupo Gaia, fundado em 2009 por João Paulo Pacífico, ressignificou o sucesso no mercado financeiro ao colocar felicidade, impacto socioambiental e propósito no centro do negócio. Empresa B desde 2014, a organização opera com dez valores, rituais de conexão e uma cultura de segurança psicológica, provando que resultado e bem-estar não são opostos, mas consequência um do outro.

Capítulos

  1. 01:16Caso Grupo Gaia: valores no centro e uma nova forma de ser no mercado
  2. 02:45Redefinindo o sucesso no mercado financeiro
  3. 04:02Cultura organizacional, missão e a Gaia+
  4. 06:07Os dez valores e a expressão do paradigma diferente
  5. 08:10Rituais de conexão: Senhor Gentileza, Mural da Gratidão, Love Week e EVA
  6. 10:04Felicidade, propósito evolutivo e a viagem à Disney
  7. 11:45O futuro do Grupo Gaia: não ser exceção, mas a regra

Frases do episódio

“Se for para ter funcionários infelizes, então não faz sentido algum a empresa existir.”

03:23

“Num dia em que precisar do lucro para justificar a felicidade é porque você colocou o lucro em primeiro lugar.”

11:15

“A gente não sabe exatamente o que vamos fazer. Sabemos como e por que queremos fazer.”

11:15

O que você vai ouvir neste episódio

  • A centralidade dos valores organizacionais na tomada de decisão estratégica e no cotidiano das equipes do Grupo Gaia.
  • A aplicação dos princípios de organizações Teal para promover maior autonomia, transparência e responsabilidade no ambiente de trabalho.
  • A redefinição de métricas de sucesso empresarial além dos indicadores estritamente financeiros tradicionais da indústria.
  • O impacto direto da cultura organizacional baseada em valores no engajamento e no bem-estar dos colaboradores.
  • A construção de relacionamentos corporativos pautados pela confiança mútua e pela autenticidade nas interações profissionais.

Temas discutidos

O estudo sobre o Grupo Gaia ilustra a evolução dos modelos de gestão no contexto de agilidade e cultura organizacional. Ao estruturar operações com base nos conceitos Teal, as empresas descentralizam o poder e promovem um ambiente de autogestão sustentável. Essa mudança exige lideranças capazes de substituir o controle pela facilitação, permitindo que a estratégia seja guiada por princípios claros. A integração entre propósito e práticas diárias fortalece a capacidade de adaptação da organização frente às constante transformações do mercado moderno.

Para quem é este episódio

Este conteúdo é recomendado para lideranças executivas, especialistas em cultura organizacional e profissionais de gestão de pessoas. É ideal para quem busca implementar práticas de autogestão, alinhar a cultura corporativa aos valores do negócio e promover ambientes de trabalho mais autênticos e colaborativos em suas organizações.

Perguntas que este episódio ajuda a responder

O que caracteriza o modelo de gestão do Grupo Gaia apresentado no episódio?

O modelo do Grupo Gaia caracteriza-se por colocar os valores humanos no centro da estratégia empresarial. A organização adota referências do movimento Teal, priorizando autogestão, transparência e relações baseadas na confiança. Essa abordagem busca integrar a busca por resultados financeiros com o bem-estar dos colaboradores e a clareza do propósito corporativo.

Como as organizações Teal diferem dos modelos tradicionais de liderança?

Organizações Teal substituem estruturas hierárquicas rígidas e mecanismos de controle por modelos focados em autogestão, plenitude individual e propósito evolutivo. Em vez de comandos centralizados, a tomada de decisão é distribuída entre os times. Isso exige que os líderes atuem como facilitadores do desenvolvimento contínuo das pessoas, promovendo maior autonomia e responsabilidade.

Qual é o impacto de colocar valores no centro das decisões organizacionais?

Colocar valores no centro fortalece a consistência das decisões estratégicas e operacionais, aumentando o alinhamento das equipes. Práticas guiadas por princípios transparentes geram maior engajamento, reduzem conflitos internos e ajudam a atrair talentos alinhados à cultura da empresa. Além disso, proporcionam sustentabilidade no crescimento a longo prazo.

Sobre este episódio

O episódio 34 do Love the Problem apresenta o caso do Grupo Gaia, empresa de investimentos fundada em 2009 por João Paulo Pacífico que ressignificou o conceito de sucesso no mercado financeiro. A partir de uma experiência pessoal de demissão em massa, João criou uma organização onde felicidade, saúde e propósito estão no centro, não o lucro. Empresa B desde 2014, a Gaia opera com mais de 20 bilhões em títulos securitizados e, em 2022, destinou 100% do lucro da venda parcial de operações a projetos de impacto socioambiental. A cultura organizacional é sustentada por dez valores claros, rituais como o Senhor Gentileza, o Mural da Gratidão, a Love Week e as reuniões EVA, além de práticas como a Gaia Talks e a sala de meditação. A segurança psicológica é central: erros são tratados como falhas de processo, não de pessoas. O episódio destaca a audácia do grupo em declarar que não quer ser exceção, mas regra, e a resposta do fundador sobre felicidade e lucro: 'Num dia em que precisar do lucro para justificar a felicidade é porque você colocou o lucro em primeiro lugar.' O caso é apresentado como inspiração para que organizações de todos os tamanhos plantem sementes de um paradigma diferente, começando por pequenas práticas de reconhecimento, conexão e propósito.

Transcrição completa

Caso o Grupo Gaia. Os valores no centro e uma nova forma de ser no mercado. O artigo é da Rafaela Rolin e da Paula Brandt. Fundada em 2009 por João Paulo Pacífico, o Grupo Gaia vem ressignificando o conceito de sucesso no mercado financeiro. Engenheiro de formação, João atuou no mercado financeiro por muitos anos e chegou à posição de liderança. Em um dia em que precisou demitir muita gente, pensou: se fosse a minha empresa, eu faria diferente. Com seu entusiasmo, energia e positividade, ele vem fazendo diferente na Gaia. Empresa B desde 2014. Empresas B são empresas que possuem e assumem um compromisso de melhoria contínua diante da sociedade, colocando seu propósito de impacto no centro do seu modelo de negócio. Não é só uma certificação, mas de acordo com o Sistema B Brasil, é uma prova de comprometimento. Não significa que a empresa é perfeita, mas que ela coloca isso na sua direção. O Sistema B avalia governança, trabalhadores, clientes, comunidades, e tende a trazer visibilidade para negócios que atendem os mais altos padrões de desempenho social e ambiental, a critério de transparência e de responsabilidade legal. Empresa B desde 2014, o grupo tem como pilares a felicidade e o impacto socioambiental. Em 2022, vendeu parte das suas operações e o lucro foi 100% destinado a financiar projetos de impacto socioambiental. O Grupo Gaia nasceu e cresceu fazendo algo muito específico: emissão de títulos securitizados nos setores imobiliário, agro e financeiro. Um negócio que já soma mais de 20 bilhões em operação desde a sua fundação. Atuando no mercado financeiro em uma área regida por competitividade e agressividade, o sucesso da Gaia é outro. Priscila Navarro, responsável pela área de comunicação do grupo, menciona um ensinamento do CEO João Paulo Pacífico: se for para ter funcionários infelizes, então não faz sentido algum a empresa existir. Definindo-se como uma empresa de valores e causas, João sempre reforça que na Gaia almejam que no intervalo entre uma pessoa ingressar e sair daqui, ela saia como uma pessoa melhor, um ser humano, não técnico. Aí sim, cumprem o seu objetivo. A visão de revolucionar a relação entre pessoas e empresas é o que norteia o trabalho do grupo. Esse objetivo de fazer o mundo melhor, que já acontecia da porta para dentro, expandiu-se quando decidiram se engajar com três causas: felicidade, desigualdade e mudanças climáticas. Que são pautas de rodas de conversa, palestras, eventos e especialmente norteiam os negócios do grupo hoje. A intenção também se desdobrou na Gaia+, ONG de educação socioemocional que beneficia professores e alunos da rede pública por todo o país e atende crianças em situação de vulnerabilidade na sede em Piracicaba, oferecendo atividades de contraturno escolar, incluindo treinamento de competências socioemocionais, comunicação e matemática. Na Gaia, as pessoas sabem que o trabalho delas está contribuindo para gerar riqueza econômica, ambiental e também para transformação social. O Grupo Gaia tem por missão desenvolver empresas saudáveis, felizes e com propósito. Isso se dá por meio de dez valores muito claros, conhecidos e praticados por cada um dos colaboradores, chamados de Gaianos. Os dez valores são: pratique a gratidão; sorria e faça sorrir; vá além e surpreenda; viva com garra; comunique-se sincera e honestamente; crie valor, gere resultado; simplifique, faça mais com menos; fortaleça o grupo, unidos vamos mais longe; fale gentileza, engrandeça as relações; e celebre. Tais valores são falados pelos membros da equipe em frases como já que o nosso valor é tal coisa, eu tal coisa, e aparecem em pequenas ações do dia a dia. O resultado não está de fora desses valores da Gaia, inclusive o sexto é crie valor, gere resultado. Mas todo o restante mostra uma intenção clara sobre como é a cultura da Gaia. A cultura do grupo é cultivada desde o processo seletivo. Eles buscam atrair as pessoas pela forma como elas são, como fazem as coisas. É um processo extenso. Os selecionados passam por uma imersão sobre valores, história e cultura, que inclui vídeo-aulas gravadas pelo fundador. Há também diversos rituais relacionados aos valores. Senhor Gentileza é a mesa: um bonequinho que uma vez por semana circula pela mesa dos gaianos. Quando uma pessoa passa para outra, agradece por algo, como forma de reconhecimento. Quando o bonequinho chega em uma estação de trabalho, todo mundo celebra. Na pandemia fizeram um gentileza virtual para não perder o ritual. Mural da gratidão: de tempos em tempos eles criam um mural em que as pessoas agradecem pelas coisas simples da vida, adaptado ao formato virtual durante a pandemia. Love Week: acontece duas vezes por ano. Segundo a Lini Fernandes, responsável pela área VIP, Valores Integrando Pessoas, é a semana mais improdutiva, entre aspas, da Gaia. Uma espécie de amigo secreto em que um anjo adota um colega de trabalho e deve fazer coisas para agradá-lo sem que o outro saiba quem é. Quando a produtividade cai um pouco durante o período, os níveis de felicidade, interação e conexão entre as pessoas aumentam visivelmente. A Lini reforça: o ganho nas relações é enorme. EVA: Evolução, Valores e Atividades. Reunião anual com cada colaborador. A primeira parte da reunião é um momento totalmente livre e aberto para que a pessoa fale do que quiser, dar relação com o líder, até sugerir mudar a máquina do café. Comunique-se: reunião de feedback a cada três meses, quando cada colaborador se autoavalia dois valores positivos e um que deseja desenvolver, evolução da pessoa, sonhos, onde quer chegar. Também é uma pauta desse ritual. Nessa reunião participa um colaborador, uma pessoa da VIP e mais três pessoas com quem trabalha diretamente. Gaia Talks: encontros para compartilhar conteúdos e conhecimentos ligados aos valores ou às causas. Os temas podem ser de saúde mental, povos indígenas, felicidade no trabalho ou produtos orgânicos. Acontece no horário de trabalho e é voluntário, mas quase todos participam. O escritório conta com sala de meditação e já foram oferecidos cursos de mindfulness para os colaboradores. Há também uma cultura de inovação sustentada por confiança, autonomia e um ambiente de segurança psicológica. O João confia nas pessoas. Ele sempre diz: tocam, o que vocês decidirem, eu apoio. Conta a Priscila. A Gaia é uma organização comprometida com aprender e fazer acontecer. Errar é permitido. Quando acontece um erro, a pergunta é: onde foi o erro no processo? E não quem errou. Os colaboradores são sempre lembrados de que inovar traz riscos, mas não inovar traz mudança e muito mais. Em 2019, o Grupo Gaia levou todos os seus colaboradores à Disney. Alguns colaboradores foram como colegas e todos voltaram amigos. Queremos ter amigos no nosso trabalho, afinal, é onde passamos a maior parte do tempo. Foi um ganho de conexão muito grande entre as pessoas. Ao final da viagem, foi produzido um documentário exibido a toda a equipe em uma sala de cinema. Segundo Priscila, o nível de felicidade não chega nem perto do investimento da viagem. Perguntam frequentemente para os gestores da Gaia se felicidade dá lucro. E João costuma responder: a gente não tem um lucro, é uma ferramenta para medir. Mas por que vamos querer as pessoas infelizes no dia a dia do trabalho? O resultado, a entrega, vai vir por consequência. Num dia em que precisar do lucro para justificar a felicidade é porque você colocou o lucro em primeiro lugar. Quando perguntamos sobre o futuro do Grupo Gaia, a resposta da Priscila foi clara, exemplificando o propósito evolutivo da organização: a gente não sabe exatamente o que vamos fazer. Sabemos como e por que queremos fazer. A partir de valores e causas. E não queremos ser exceção, mas a regra.

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