
desafio de relações
Resumo rápido
Deia comenta um post do Instituto Amuta segundo o qual o verdadeiro desafio das organizações é um desafio de relações, e não de modelos de gestão.
Capítulos
- 00:03Abertura: o post do Instituto Amuta sobre relações organizacionais
- 00:35O desafio de virar um ecossistema responsivo e evolutivo
- 01:33Apego seguro: a base da autonomia e da interdependência
- 02:24Baixa intimidade, evitação e dificuldade de colaborar
- 03:15Relato pessoal: solidão e saúde mental no trabalho remoto
- 04:46Redes de pequeno mundo e comunidades organizacionais
- 06:23Cultivar relações: leitura recomendada e fechamento
Frases do episódio
“o maior desafio das organizações hoje é que elas se tornem cada vez mais parecidas com ecossistemas responsivos, adaptativos, evolutivos”
00:35
“todos nós precisamos de relações de apego seguro”
01:33
“Quanto melhor a gente se conectar com o outro, quanto melhor for a nossa comunicação, quanto mais profunda e íntima for a nossa relação, a gente vai ter mais confiança e vai colaborar cada vez mais um com o outro.”
06:23
O que você vai ouvir neste episódio
- As organizações enfrentam desafios estruturais que frequentemente têm origem em falhas de comunicação interpessoal.
- O alinhamento cultural entre equipes depende da qualidade das relações estabelecidas no dia a dia.
- Superar barreiras de colaboração exige transformar a maneira como os profissionais se relacionam no trabalho.
- A gestão de pessoas ganha protagonismo ao tratar a dinâmica relacional como pilar de sustentabilidade.
Temas discutidos
O tema central conecta a gestão de pessoas e a cultura organizacional ao sucesso de iniciativas ágeis. Em ambientes corporativos dinâmicos, ferramentas e processos não funcionam de forma isolada sem uma base sólida de confiança e colaboração interpessoal. A liderança precisa priorizar o desenvolvimento de relações saudáveis para remover gargalos de comunicação, fortalecer a empatia entre times transversais e impulsionar a entrega contínua de valor nos produtos e serviços da organização.
Para quem é este episódio
Este conteúdo é ideal para líderes de equipe, gestores de pessoas e agentes de transformação que buscam aprimorar o clima organizacional. Profissionais que enfrentam desafios de comunicação e alinhamento cultural entre times também se beneficiam diretamente das reflexões apresentadas.
Perguntas que este episódio ajuda a responder
Por que os desafios organizacionais são considerados desafios de relações?
As empresas são formadas por pessoas interagindo diariamente para alcançar objetivos comuns. Quando ocorrem falhas de alinhamento, atritos ou falta de confiança, os processos e entregas são diretamente afetados. Tratar os problemas corporativos sob a ótica das relações interpessoais permite atuar na causa raiz dos conflitos, promovendo um ambiente colaborativo e mais produtivo.
Como a qualidade das relações afeta os resultados das equipes?
Relações interpessoais saudáveis geram segurança psicológica, essencial para a inovação e resolução de problemas complexos. Quando os membros de uma equipe confiam uns nos outros, a comunicação flui sem ruídos, as decisões tornam-se mais ágeis e o engajamento coletivo aumenta. Consequentemente, a qualidade do trabalho e a capacidade de entrega da organização melhoram significativamente.
Qual é o papel da liderança na melhoria das relações de trabalho?
A liderança atua como facilitadora ao estabelecer um ambiente aberto ao diálogo contínuo e à empatia. Cabe aos líderes dar o exemplo na construção de conexões autênticas, mediar conflitos construtivamente e incentivar a cooperação entre diferentes áreas. Essa postura fortalece a cultura organizacional e apoia o desenvolvimento individual e coletivo dos colaboradores.
Sobre este episódio
Neste episódio bônus do Love the Problem, Deia comenta um post do Instituto Amuta, baseado em artigo de Marcelle Xavier e Marina Galvão para a revista HSM Management, cuja tese central é que o desafio das organizações é, no fundo, um desafio de relações. Muitas empresas já tentam reduzir hierarquias, aumentar autodireção e instalar sistemas de autogestão, mas continuam travadas porque não dão atenção suficiente à dinâmica das relações entre as pessoas.
O post parte do conceito de apego seguro: a necessidade de ter, ao redor, pessoas próximas, acessíveis e atentas, que ofereçam autonomia e intimidade ao mesmo tempo. Quando essa base falta, surgem dois padrões problemáticos. O primeiro é baixa autonomia com ansiedade: pessoas inseguras, que evitam assumir responsabilidades e vivem em busca de aprovação, o que prejudica o desempenho. O segundo é baixa intimidade com evitação: pessoas que não confiam nos colegas, evitam se vulnerabilizar ou pedir ajuda, e por isso têm dificuldade em sustentar objetivos coletivos e colaborar.
Deia faz uma pausa para um relato pessoal: desde que passou a trabalhar remotamente, na pandemia, sentiu que as interações com colegas se limitaram a reuniões de trabalho, sem espaço para criar intimidade. Isso gerou ansiedade e solidão, afetando sua saúde mental e sua performance, o que reforça, na prática, o argumento do post sobre a importância de cuidar das relações de forma mais intencional, especialmente à distância.
O post avança então para o conceito de redes de pequeno mundo: configurações organizadas em pequenos grupos com ligações profundas entre si. Deia destaca que não basta organizar squads ou tribos: é preciso construir comunidades, com pertencimento, unidade sem uniformidade e diversidade sem divisão, para que as organizações ganhem criatividade, produtividade e capacidade de responder à mudança.
O episódio termina com uma reflexão atribuída a Humberto Maturana: toda história de transformação corporativa bem-sucedida é, no fundo, uma história de amor. Deia também recomenda o livro A Coragem para Liderar, de Brené Brown, como leitura complementar sobre liderança, pertencimento e cultivo de relações, fechando com a ideia de que organizações são feitas de pessoas para cuidar de pessoas.
Transcrição completa
Hoje o tema é um post do Instituto Amuta chamado O Desafio das Organizações é um Desafio de Relações, baseado em um artigo escrito por Marcelle Xavier, que já esteve aqui no Love the Problem, e Marina Galvão, para a revista HSM Management.
O post começa assim. Muitas organizações já entenderam que precisam mudar, e elas estão realmente tentando. Reduzir hierarquias, aumentar a autodireção, instalar sistemas de autogestão, facilitar a fluidez do aprendizado e a colaboração, criar relações significativas com seus clientes. Mas parece que ainda assim as coisas não estão se movimentando. Talvez nada disso esteja funcionando, mas o maior desafio das organizações hoje é que elas se tornem cada vez mais parecidas com ecossistemas responsivos, adaptativos, evolutivos. E esse é, invariavelmente, um desafio de relação. O que temos observado é que não basta um novo modelo de gestão se não houver atenção às dinâmicas que ocorrem nas relações. Nossa hipótese é de que, enquanto as relações também não respeitarem uma dinâmica de interdependência, as empresas irão permanecer verticais, hierárquicas e com baixa capacidade de responder à mudança.
E essa é uma transformação que precisa acontecer nas relações interpessoais e também na estruturação de coletivos que se pareçam cada vez mais com comunidades. E aí ela traz uma primeira reflexão. Como relações frias, distantes ou verticalizadas afetam as organizações? Nas nossas pesquisas identificamos que todos nós precisamos de relações de apego seguro, que basicamente significa ter ao nosso redor alguém próximo, acessível e atento, que nos oferece ao mesmo tempo autonomia e intimidade. A ausência desse tipo de relações impossibilita o estabelecimento de relações interdependentes nas organizações. Como consequência, o grupo apresenta dificuldades na realização de tarefas coletivas. Então ela começa com o primeiro impacto que é baixa autonomia, ansiedade.
Quando as pessoas não encontram relações onde há uma relação de equilíbrio, onde há disponibilidade, responsividade e atenção, elas tendem a manifestar maior insegurança, ansiedade e preocupação, além de se sentirem constantemente ameaçadas. Como consequência, as pessoas da organização podem manifestar dificuldade em assumir responsabilidade, exercer sua autonomia e vivem em busca constante por aprovação que atrapalha o desempenho. O outro impacto é baixa intimidade e evitação. Quando as pessoas não criam uma relação de intimidade, sentem que não podem confiar em alguém, ou se preocupam com o que dizem ou não dizem. Tendem a ficar pouco confortáveis em se vulnerabilizar, pedir ajuda e depender uma das outras. Como consequência, as pessoas da organização podem apresentar dificuldade em criar e apoiar objetivos coletivos, manifestando graus de colaboração tanto no nível instrumental quanto no socioemocional.
Eu quero fazer uma pausa aqui para um comentário, né? Eu me vi muito nesse post. Acho que desde que começou a pandemia, desde que eu fui para um trabalho remoto, eu me lembro muito dos colegas de trabalho. A gente entrava muito em reuniões para falar de trabalho. A gente pouco tinha interações, né? Que criavam intimidade entre nós. Eu acho que isso acabou me levando para uma zona de ansiedade muito grande, um sentimento de solidão, o que fazia com que eu também não me sentisse muito pertencente. Isso foi afetando, querendo ou não, a minha saúde mental e, consequentemente, a minha performance. Então, acho que eu quis trazer muito desse post para mostrar o quanto é importante, né? O quanto é importante a gente cuidar um do outro. O quanto é importante a gente olhar para o outro.
Principalmente nesses momentos de trabalho remoto, né? O quanto essa criação de conexão precisa ser mais intencional nesse momento. Acho que principalmente para mim, que sou uma pessoa extrovertida, que crio muita energia ao interagir. Então, entender que essas relações são interdependentes e que eu preciso do outro para ter uma boa performance tem sido fundamental para mim. Até para eu buscar estratégias para me alimentar mais dessa energia e me manter performando. Voltando ao post, as meninas trazem mais uma reflexão, que é Como as estruturas das conexões afetam a inteligência das organizações? Cientistas sociais explicam como a estrutura e qualidade das conexões influenciam se um grupo irá se tornar mais ou menos inteligente, eficaz e criativo.
O termo rede de pequeno mundo aponta uma configuração de rede ótima, que se organiza através de pequenos grupos com ligações profundas entre eles, mas não basta se organizar no formato de tribo ou squads, para criar uma rede de pequeno mundo. Precisamos de comunidades, ligações sociais que possibilitam o pertencimento, unidade sem uniformidade e diversidade sem divisão. Ao colocar as relações no centro, o design de conexões atua ampliando nossa capacidade de evolução de nossos sistemas através da transformação das relações e da estruturação de comunidades. Para que as organizações consigam lidar com seus desafios, tais como criatividade, produtividade, performance e engajamento, e principalmente com a grande necessidade dos nossos tempos, se tornar mais evolutivas e resilientes, é fundamental cuidar das relações.
Afinal, qualquer história de transformação é também uma história de amor. E aí elas terminam esse post com uma reflexão de Humberto Maturana sobre como, quando uma transformação corporativa dá certo, quando inovações aparecem e as pessoas ficam felizes por estar ali, o que se vê por trás é sempre uma história de amor. Uma coisa legal, elas também trazem uma reflexão na descrição do post de como as organizações foram desenhadas como máquinas, como uma estrutura que tem que dar conta daquilo que é previsível e controlado. Só que o mundo mudou, né gente? O mundo está mudando cada vez mais rápido, está cada vez mais imprevisível. Então, as nossas organizações têm que ser cada vez mais adaptativas e evolutivas. E isso vai se dar através das relações entre as pessoas.
Quanto melhor a gente se conectar com o outro, quanto melhor for a nossa comunicação, quanto mais profunda e íntima for a nossa relação, a gente vai ter mais confiança e vai colaborar cada vez mais um com o outro. Uma outra dica de leitura que eu quero deixar para vocês, que eu sempre falo por aqui, é o livro A Coragem para Liderar, da Brené Brown. Esse livro fala bastante sobre liderança, claro, mas traz muito essa questão do pertencimento e das relações. Quanto é importante a gente ter, gerar essa essência de pertencimento, de contribuição, de colaboração nas pessoas. Para isso, ela traz várias ferramentas, traz muito a questão do autoconhecimento, tanto dos colaboradores como da liderança, mas da importância da gente cultivar bem as relações.
Espero que vocês tenham gostado desse post. Eu adoro esse tipo de post que traz o humano no centro. Querendo ou não, as nossas organizações são feitas de pessoas para cuidar de pessoas. Então, eu acredito que quanto mais a gente conhece sobre o ser humano, quanto mais a gente conhece, melhor a gente vive, tanto com nós mesmos como em comunidade.
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