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níveis de delegação
Ep. 22

níveis de delegação

23 de junho de 202200:14:17
Pessoas

Resumo rápido

Inspirado em artigo do Avelino no blog da K21, o episódio apresenta os sete níveis de delegação de Jürgen Appelo (Delegation Poker) e ensina como montar e conduzir um Delegation Board para comparar como um time e seu gestor distribuem autonomia hoje e como gostariam que fosse.

Capítulos

  1. 00:10Abertura: o artigo do Avelino sobre delegação
  2. 01:15O impasse comum entre gestores e times sobre autonomia
  3. 02:48Jürgen Appelo e os sete níveis de delegação
  4. 04:57Do dizer ao delegar: detalhando os níveis 1 a 7
  5. 07:52Montando o Delegation Board: itens e colunas
  6. 08:32A dinâmica: mapeando como estamos hoje (As-Is)
  7. 10:28Definindo como queremos ser (To-Be) e priorizando ações

Frases do episódio

“a delegação não é binária”

02:48

“Existem algumas ações que o time também não deseja ter autonomia”

10:28

“toda lista que contém dois ou mais itens tem que ser priorizada”

11:53

O que você vai ouvir neste episódio

  • A importância de alinhar expectativas de autonomia entre gestores e liderados para evitar frustrações organizacionais.
  • Como utilizar o Delegation Board para dar visibilidade aos limites de decisão em cada contexto.
  • A transição gradual do modelo de comando e controle para uma cultura de verdadeira responsabilidade compartilhada.
  • Os diferentes níveis de delegação e como aplicá-los dependendo da maturidade do time e do projeto.
  • O impacto do equilíbrio na concessão de autonomia para o crescimento profissional e a maturidade da equipe.

Temas discutidos

A distribuição de autoridade é um pilar essencial na agilidade e na cultura organizacional moderna. A adoção dos níveis de delegação e de práticas como o Delegation Board transforma a liderança, permitindo que a tomada de decisão ocorra onde a informação está. Ao mover a gestão de uma postura centralizadora para um ambiente de confiança orientada, as organizações fortalecem a autonomia de produtos e sustentam processos contínuos de desenvolvimento com maior eficiência.

Para quem é este episódio

Este conteúdo é recomendado para líderes, gestores de pessoas e agile coaches que buscam descentralizar decisões e promover autonomia nas equipes. Profissionais de produto interessados em construir relações de confiança transparente com suas lideranças também encontrarão diretrizes valiosas.

Perguntas que este episódio ajuda a responder

O que são os níveis de delegação?

Os níveis de delegação são estágios que definem o grau de autoridade concedido a uma equipe em determinada decisão. Eles variam desde a liderança decidindo e informando até a delegação total, onde o time possui plena autonomia para agir sem necessidade de consulta prévia ao gestor.

Como o Delegation Board auxilia no dia a dia das equipes?

O Delegation Board funciona como uma ferramenta visual para explicitar os acordos de autonomia entre liderança e time em diferentes temas. Ele elimina ambiguidades sobre quem decide o quê, promove transparência nas responsabilidades e permite revisões periódicas conforme a maturidade do time evolui.

Por que a delegação transparente melhora a autonomia organizacional?

A delegação transparente estabelece fronteiras nítidas sobre onde a equipe pode atuar de forma independente. Quando os limites de decisão são clarificados visualmente, os profissionais ganham confiança para tomar decisões mais rápidas, reduzindo gargalos operacionais e eliminando a dependência excessiva do gestor direto.

Sobre este episódio

O episódio parte de um artigo do Avelino publicado no blog da K21 para discutir um impasse comum nas organizações: gestores que gostariam que seus times tivessem mais iniciativa, e times que gostariam de mais autonomia dos seus gestores, sem que nada, na prática, mude. O motivo é que frameworks como o Scrum não prescrevem quem contrata, quem demite ou quem decide sobre ferramentas de trabalho; essas atribuições tradicionalmente ficam com o gestor e variam conforme a cultura de cada empresa.

A base conceitual vem de Jürgen Appelo, criador do Management 3.0, que percebeu que a delegação não é uma escolha de tudo ou nada, mas uma escala de sete níveis: dizer, vender, consultar, concordar, aconselhar, perguntar e delegar. Nos primeiros níveis a decisão está com o gestor, que vai desde apenas informá-la até consultar o time antes de decidir; no nível central, concordar, gestor e time decidem juntos, por consenso, em um processo mais custoso em termos de coordenação; e nos níveis finais a decisão passa para o time, que pode ser apenas aconselhado, questionado depois do fato, ou ter autonomia total, sem precisar prestar contas.

A partir dessa escala, o episódio descreve como montar e conduzir um Delegation Board: escolher a relação de delegação a ser tratada (que pode ser um recorte pequeno, como gerente-time, e não a organização inteira), definir os itens de delegação que formarão as linhas do quadro, no exemplo do artigo, contratação, demissão, promoção, escolha de ferramentas e treinamento, e usar os sete níveis como colunas. A dinâmica acontece em duas rodadas, com post-its: primeiro o grupo mapeia como a delegação está hoje (As-Is), discutindo divergências até chegar a um consenso por item; depois repete o processo perguntando como o grupo gostaria que fosse (To-Be).

O episódio reforça que o objetivo não é levar todos os processos ao nível máximo de autonomia: em decisões sensíveis, como contratação e demissão, pode ser razoável manter o gestor informado, e há situações em que o próprio time prefere não assumir toda a responsabilidade. Por fim, destaca a importância de priorizar, entre os itens mapeados, aqueles com maior distância entre o estado atual e o desejado, e de definir poucas ações realmente executáveis para reduzir essa distância, em vez de longas listas de intenções que nunca saem do papel.

Transcrição completa

O conteúdo de hoje é baseado em um artigo do Avelino, publicado no blog da K21, chamado "Queremos autonomia. Faça delegação através do Delegation Board". Vamos falar um pouco de ferramenta hoje e espero que vocês possam fazer bom uso disso.

Conversas que são muito comuns em empresas sobre delegação: o gestor diz que queria que o time tivesse mais iniciativa, e o time diz que queria que o gestor desse mais autonomia. Se ambos têm desejos semelhantes, por que nada acontece? Na prática, ficam mais dúvidas que certezas: quem contrata, quem demite, o que o time fará, se podemos trocar nossas ferramentas. O Scrum, por ser um framework, não prescreve essas atribuições: elas variam de acordo com a organização e a cultura de cada empresa, e isso vale para qualquer método de trabalho, não só Scrum. Tradicionalmente, essas responsabilidades residem na figura do gestor, que não é um papel tratado pelo Scrum.

Se queremos um time de alta performance, verdadeiramente auto-organizado e auto-gerenciado, e consequentemente autônomo, surge a dúvida: o quanto um gestor pode delegar suas atribuições para o time? Tendemos a achar que delegação de responsabilidade é algo do tipo tudo ou nada.

Jürgen Appelo, criador do Management 3.0, teve a percepção de que a delegação não é binária. Há, na verdade, alguns níveis de delegação, ele definiu sete, que vão desde o nível 1, em que o gestor decide, até o nível 7, de autonomia total. Além disso, percebeu que a delegação não precisa afetar a estrutura organizacional inteira: pode ser tratada processo a processo, e pode acontecer em vários tipos de relações. Com base nisso, criou a ferramenta do Management 3.0 chamada Delegation Poker, que pode ser usada em conjunto com o Delegation Board, para dois momentos distintos: como estamos hoje (As-Is) e como queremos ser (To-Be).

Na escala de 1 a 7, o nível 4 fica no centro, com espelhamento entre os pares: o 1 com o 7, o 2 com o 6 e o 3 com o 5. Os desenhos das cartas do Delegation Poker ajudam nessa interpretação. O nível 4 é o "concordar": no desenho, os dois rostos, um com a letra M de gestor e outro sem, têm o mesmo tamanho, representando que a decisão é tomada em conjunto, gestor e time conversam e concordam sobre o ponto de delegação. Existe um esforço de coordenação grande nesse nível, porque é preciso chegar a um consenso, e nem sempre é o melhor caminho para toda ação.

O nível 1 é o "dizer": a pessoa no papel de gestão simplesmente informa ao time sua decisão ou como algo deve ser feito. O nível 2 é o "vender": o gestor tenta convencer o time da ideia, explicando os porquês, mas a decisão final continua com ele. O nível 3 é o "consultar": a decisão ainda está com o gestor, mas ele ouve as pessoas antes de decidir, porque entende que sua opinião isolada talvez não baste.

A partir do nível 5, a figura começa a se inverter e o processo de decisão passa a sair do gestor e ir para o time. O nível 5 é o "aconselhar": o gestor dá sua opinião, mas quem decide é o time. O nível 6 é o "perguntar": o gestor pergunta ao time, depois que ele já decidiu, por que tomou aquele caminho, pontos fortes, pontos fracos, riscos, apenas para se informar, mas quem decide continua sendo o time. O nível 7 é a delegação total: o time decide e nem precisa informar o gestor.

Para preparar a dinâmica do Delegation Board, primeiro é preciso definir qual é a relação de delegação que se quer tratar, não precisa ser a organização inteira, pode ser um pedaço dela: gerente-time, diretora-gerente, ou a relação entre dois times ou duas áreas. No exemplo do artigo, a relação é entre gerente e time. Em seguida, é preciso definir os itens de delegação, que serão as linhas do quadro; as colunas são os sete níveis de delegação, do "dizer" ao "delegar". No exemplo do artigo, as linhas são contratação, demissão, promoção, escolha de ferramentas e treinamento.

A dinâmica tem duas rodadas: a primeira define como o grupo está hoje (As-Is) e a segunda como quer estar (To-Be). É fundamental que todas as partes envolvidas participem, senão não há engajamento nem boa discussão. Na primeira rodada, distribuem-se post-its para o time e para o gestor, ou usa-se um quadro virtual em dinâmicas remotas. É preciso decidir, com todos os participantes, se será mantida a rastreabilidade de quem escreveu cada post-it: manter dá clareza sobre o que cada parte pensa, mas pode inibir as pessoas; pode-se optar por fazer isso de forma anônima ou nominal, dependendo do contexto. Para cada processo, cada pessoa escreve em um post-it o nível de delegação que acredita existir hoje, de 1 a 7, e todos colocam seus post-its no quadro ao mesmo tempo. Se houver muita divergência, pede-se que expliquem o porquê (principalmente quem estiver nos extremos), anota-se o que foi dito, e repete-se a rodada até haver consenso sobre onde o grupo está naquele item. Repete-se o processo para cada linha da tabela.

Depois, faz-se a rodada do como queremos ser, repetindo o processo mas mudando a pergunta para qual nível de delegação o grupo gostaria de ter em cada item. O objetivo não é chegar ao nível 7 em todos os processos, em alguns isso nem é factível: em contratação e demissão, por exemplo, é razoável que o gestor pelo menos seja informado de que houve mudança no time, então o nível máximo poderia ser 6. Também existem ações em que o próprio time não deseja ter autonomia, e tudo bem: às vezes o time entende que aquela responsabilidade é do gestor e faz sentido que ele decida, com o nível de delegação que for.

Com o quadro preenchido, é possível visualizar o estado atual e o desejado lado a lado, substituindo os post-its de grupo por um post-it maior por linha, representando o hoje e o queremos ser.

Na etapa de priorização, vale lembrar que toda lista com dois ou mais itens precisa ser priorizada: qual item representa a maior dor no relacionamento, ou a maior distância entre como estamos e como queremos ser? A partir daí, define-se quais ações serão tomadas para sair do estado atual e chegar ao desejado em cada processo; e não basta definir as ações: é preciso executá-las. É melhor ter poucas ações que o grupo consiga executar do que dezenas de ações planejadas e nada realizado.

Essa é uma das ferramentas do Management 3.0 que pode ser usada em qualquer contexto: o Delegation Board, a partir do Delegation Poker de Jürgen Appelo.

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