
Ep. 144 - Employee Value Proposition
Resumo rápido
Employee Value Proposition não é uma lista de benefícios, é a forma como uma empresa se conecta emocionalmente com quem já está e quem quer atrair. Construído de dentro para fora, partindo do básico bem feito e da escuta ativa, o EVP exige que a liderança seja a personificação viva dos valores da organização. Como mostrou o caso do Citibank no Brasil, cuidar do sentimento das pessoas antes de qualquer proposta concreta pode transformar uma crise em legado — e até gerar lucro onde antes não havia.
Capítulos
- 00:04Abertura e contexto do episódio
- 04:44O que é EVP e a ressignificação do trabalho
- 17:46O papel da liderança na proposta de valor
- 19:37A virada de chave: de benefícios a proposta de valor
- 32:34O mercado brasileiro e a realidade do EVP
- 43:55Construindo o EVP na Tecnohand e no TravelX
- 47:49Dicas finais: qual sombra você quer projetar?
Frases do episódio
O que você vai ouvir neste episódio
- Tatiana Loesch e Patricia Marçal explicam o conceito central e os fundamentos do Employee Value Proposition nas empresas atuais.
- O episódio analisa o impacto direto de uma proposta de valor bem estruturada na retenção de talentos em organizações.
- As convidadas discutem estratégias práticas para conectar a cultura organizacional às expectativas reais dos profissionais do mercado.
- O debate aborda como o EVP contribui para o fortalecimento da marca empregadora e o engajamento das equipes internas.
Temas discutidos
O alinhamento da proposta de valor aos colaboradores relaciona-se diretamente com a liderança e a gestão de cultura nas organizações modernas. No contexto de agilidade e transformação digital, a capacidade de atrair e reter talentos depende da clareza entre o que a empresa oferece e o que os profissionais buscam. Construir um Employee Value Proposition autêntico fortalece o engajamento, apoia a autonomia dos times e consolida um ambiente organizacional colaborativo, sustentável e focado em resultados de longo prazo.
Para quem é este episódio
Este conteúdo é indicado para profissionais de Recursos Humanos, líderes de gestão de pessoas e gestores organizacionais. Esses perfis encontrarão no debate orientações sobre como estruturar a proposta de valor da empresa para aumentar o engajamento e a permanência das pessoas no negócio.
Perguntas que este episódio ajuda a responder
O que é Employee Value Proposition (EVP) e qual sua importância?
O Employee Value Proposition representa o conjunto de recompensas, benefícios e valores oferecidos por uma empresa em troca do empenho e competências dos seus colaboradores. Sua importância reside na capacidade de diferenciar a organização no mercado, tornando-a atraente para profissionais qualificados e fortalecendo o sentimento de pertencimento do time existente.
Como o EVP afeta a retenção de talentos nas empresas?
Uma proposta de valor clara e alinhada à realidade interna atua como um fator crucial na permanência das pessoas. Quando as expectativas acordadas no momento da contratação são cumpridas no dia a dia, a satisfação dos colaboradores aumenta, reduzindo índices de rotatividade e promovendo a estabilidade das equipes em projetos estratégicos.
Qual é o papel das lideranças na implementação do EVP?
As lideranças atuam como a principal ponte entre a promessa institucional do EVP e a rotina dos liderados. Elas garantem que a cultura, o reconhecimento e as oportunidades de desenvolvimento sejam vivenciados na prática pelos times, assegurando a coerência entre o discurso organizacional e a experiência diária do colaborador.
Sobre este episódio
No episódio 144 do Love the Problem, Flor recebe Tatiana Loix e Patrícia Marçal para discutir o Employee Value Proposition, a proposta de valor do colaborador. A conversa percorre a evolução do conceito, de uma simples lista de benefícios para uma proposta emocional e subjetiva que conecta a empresa ao propósito individual de cada pessoa. Tatiana compartilha o caso emblemático do Citibank no Brasil, onde a venda da operação de varejo foi transformada em uma jornada de cuidado com o luto dos colaboradores, resultando no primeiro lucro em 100 anos e em um case da Harvard Business Review. Patrícia traz a experiência da Tecnohand, empresa siderúrgica de descarbonização, que construiu seu EVP para conectar a expansão global ao propósito de fazer o bem para a humanidade. Ambas concordam que o EVP começa de dentro para fora, exige que a liderança seja a personificação viva dos valores e que o básico bem feito — pagar no dia, tratar com respeito — é o alicerce de qualquer proposta mais complexa. A mensagem final é que o EVP é sobre escolhas: a empresa escolhe qual sombra quer projetar, e o profissional escolhe onde quer se conectar.
Transcrição completa
Flor, Patrícia Marçal e Tatiana Loix conversam sobre Employee Value Proposition, a proposta de valor do colaborador, um tema que ganhou força no mercado de trabalho. Tatiana, com mais de 25 anos de experiência em RH, passou por Citibank, Itaú, Vitacom, Cielo e hoje atua no banco TravelX Confidence. Patrícia, com 15 anos em RH, atua na Tecnohand, empresa siderúrgica focada em descarbonização, e passou por todas as subáreas de RH.
A relação das pessoas com o trabalho foi ressignificada. A pandemia acelerou a reflexão sobre como lidamos com todas as áreas da vida. Antigamente, a escolha de um emprego se baseava em plano de carreira e remuneração. Hoje, as pessoas buscam empresas com boa reputação, qualidade de vida, saúde mental, inclusão, liderança inspiradora e, claro, remuneração justa. O EVP é o conjunto de atributos que a empresa comunica no processo de atratividade para se conectar com o colaborador que deseja ter.
O EVP começa de dentro para fora: primeiro a empresa precisa se conectar com sua proposta interna, ser verdadeira, porque não se sustenta um EVP de um jeito para o mercado e outro dentro da organização. A conexão de propósitos é o que faz o EVP sair do papel. A remuneração continua sendo importante, mas não é dinheiro por dinheiro — é dinheiro para ter qualidade de vida. Dinheiro compra tempo e tempo é saúde mental. O EVP traz isso na proposta de valor, conectando-se com o salário emocional.
A construção do EVP parte da pirâmide de Maslow: primeiro as necessidades básicas — pagar bem, pagar no dia, ambiente seguro — e depois os níveis mais profundos de conexão emocional. Uma proposta de valor sincera e básica é melhor do que uma rebuscada e vazia. O básico bem feito para quem é de uma minoria é diferente: pode ser respeito, não apenas remuneração. É preciso olhar o EVP por recortes, porque a estatística global pode enganar. A proposta precisa ter vários pilares fortes, e em algum deles cada pessoa vai se conectar: estabilidade, inclusão, plano de saúde, capacitação, propósito.
O papel da liderança é central: o líder é a corporação repassando valores para o time. Se o líder não for inspirador e não acreditar na árvore de EVP como um todo, há um problema, porque a liderança é a personificação da empresa no dia a dia.
A virada de chave entre uma lista de benefícios e uma proposta de valor do colaborador está ligada ao propósito e à subjetividade. Tatiana conta o caso do Citibank no Brasil, quando a operação de varejo foi colocada à venda em 2016. O banco era o número um em satisfação, as pessoas estavam engajadas, mas de repente o mundo azul foi colocado à venda. O processo de transferência demorou 30 meses. A proposta de valor naquele momento não era sobre salário, era sobre cuidar do luto das pessoas. A solução foi trazer um terapeuta de luto, um terapeuta de casal e um médico oncologista para conversar com os colaboradores, tratando primeiro o sentimento antes de qualquer proposta concreta. Depois, junto com as pessoas, construíram a narrativa de entregar ao comprador um banco melhor e maior. No final, o banco deu lucro pela primeira vez em 100 anos no Brasil, e o caso virou referência na Harvard Business Review. O banco ainda ganhou o prêmio Great Place to Work durante o processo de venda.
Patrícia explica que a mudança veio com as gerações. A nova geração questiona diversidade, qualidade de vida e o que carrega consigo. A empresa precisa entender que a escolha é de mão dupla: nós queremos te escolher, mas também queremos que você nos escolha. A escassez de profissionais, especialmente em TI, fez as empresas correrem para construir marca empregadora. Os profissionais perceberam antes das empresas que o jogo tinha virado.
Sobre o mercado brasileiro, Tatiana é realista: a maioria da população é classe C e precisa do salário para sobreviver. Enquanto isso, muitas empresas ainda pensam que pagar o salário em dia basta. Mas há empresas que olham para o EVP de verdade e outras que não. Uma pessoa que precisa trabalhar para comer terá uma exigência de EVP menor. Mesmo assim, a conexão emocional existe em qualquer realidade. Tatiana conta o exemplo de sua funcionária doméstica, Neide, que recusou o reajuste da diária porque a conexão com a patroa era mais forte que o dinheiro. O EVP se resume em qual sombra você quer projetar: qual parte no coração e na memória das pessoas você quer ocupar.
Tatiana descreve o processo de construção do EVP no TravelX Confidence, um banco inglês que comprou uma operação familiar brasileira de 11 anos, com mil pessoas. O choque cultural foi grande: as pessoas nem sabiam qual nome usar. O primeiro passo foi mapear tudo que já existia em comunicação interna, valores, missão. Depois, descobrir o quanto as pessoas conheciam aquilo. O diagnóstico revelou que a visão e a missão eram basicamente desconhecidas. Usaram uma ferramenta de inteligência artificial para extrair sentimentos dos colaboradores. A descoberta mais forte foi que a empresa era inclusiva — algo que não estava em nenhum material de RH, mas estava na vivência do dia a dia. O processo é de dentro para fora: extrair o que está nas pessoas, validar e reconstruir a comunicação.
Patrícia conta que na Tecnohand, desde 2019, a empresa vem mudando a cara. Começou pelo básico: gestão humanizada, escuta ativa, tratar bem as pessoas. Em 2022, com ambições de expansão global, precisou atrair pessoas novas. A Tecnohand atua em descarbonização, e a equipe técnica entende que está fazendo o bem para a humanidade. O EVP foi construído para mostrar que a empresa vai crescer e todo mundo continua sendo importante, conectando as pessoas que já estão e atraindo globalmente quem faz sentido para a expansão.
As dicas finais: qual sombra você quer projetar? Isso independe de tamanho. O EVP é a construção de vários pedacinhos, do bom dia na recepção ao propósito da empresa. Fale com quem já fez, encurte o caminho. Feito é melhor que perfeito: comece pelo básico, pela gentileza, pela escuta ativa. E lembre-se: EVP é sobre escolhas. Escolha aquilo que se conecta com o seu coração.
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