
Ep. 112 - Chegando no Universo de Tecnologia
Resumo rápido
Andréia recebe Fran e Mônica para discutir, a partir de suas próprias trajetórias, os obstáculos e os caminhos possíveis para mulheres que querem entrar ou migrar de carreira para a área de tecnologia.
Capítulos
- 00:02Abertura: o tema do dia é chegar no universo de tecnologia sendo mulher
- 01:07Apresentação das convidadas Fran e Mônica
- 02:44Andréia relembra sua trajetória na tecnologia desde os 16 anos
- 05:06Fran conta sua transição de professora de química a desenvolvedora na Alemanha
- 08:26Mônica relata sua saída da engenharia de materiais para o bootcamp da Laboratoria
- 13:22Debate sobre síndrome do impostor, perfeccionismo e machismo na área
- 23:53Indicações de bootcamps, programas de formação e recados finais
Frases do episódio
O que você vai ouvir neste episódio
- Fran Drews e Monica Yamamoto analisam as causas da baixa representatividade feminina no setor de tecnologia e desenvolvimento.
- O episódio examina os principais obstáculos estruturais e culturais enfrentados por mulheres ao iniciarem carreiras técnicas.
- As convidadas destacam o papel estratégico das comunidades de apoio para a troca de experiências e networking profissional.
- O debate apresenta caminhos práticos para facilitar a migração de profissionais de outras áreas para o mercado de tecnologia.
- O conteúdo aborda como organizações e lideranças podem criar ambientes mais acolhedores para a retenção de talentos diversos.
Temas discutidos
A inclusão de gênero em tecnologia relaciona-se diretamente com a cultura organizacional e a liderança inclusiva nas empresas modernas. Criar diversidade em times de desenvolvimento fortalece a inovação, a resolução de problemas e a criação de produtos mais completos para os usuários. Fran Drews e Monica Yamamoto mostram que fortalecer comunidades e redes de apoio não apenas ajuda profissionais no ingresso no setor, mas também impulsiona transformações culturais contínuas nas organizações que buscam agilidade e maturidade corporativa.
Para quem é este episódio
Este episódio é ideal para mulheres interessadas em fazer transição de carreira para a área de tecnologia. Também beneficia lideranças, gestores de pessoas e profissionais de agilidade que buscam promover a diversidade, equidade e inclusão em seus times, além de membros de comunidades que atuam no fortalecimento do setor.
Perguntas que este episódio ajuda a responder
Quais são os principais desafios enfrentados por mulheres ao entrar na área de tecnologia?
Mulheres encontram barreiras que incluem a baixa representatividade em cargos técnicos, o viés inconsciente em processos seletivos e a falta de redes de apoio estruturadas. No episódio, Fran Drews e Monica Yamamoto explicam que superar esses obstáculos exige perseverança individual, suporte corporativo e a busca por ambientes que incentivem o aprendizado contínuo e o desenvolvimento profissional.
Como as comunidades podem auxiliar no ingresso e permanência de mulheres em tecnologia?
As comunidades de tecnologia oferecem um espaço seguro para troca de conhecimentos, mentoria e ampliação de networking. As convidadas destacam que participar desses grupos ajuda a reduzir o isolamento, proporciona suporte técnico e emocional, além de conectar profissionais a oportunidades de trabalho e iniciativas de desenvolvimento profissional voltadas para a inclusão de gênero no setor.
De que forma empresas e lideranças podem incentivar a diversidade em times técnicos?
Organizações podem adotar práticas de recrutamento mais inclusivas, criar programas internos de mentoria e garantir ambientes de trabalho psicologicamente seguros. O debate reforça que promover a igualdade de oportunidades e combater preconceitos estruturais são ações essenciais para atrair, integrar e reter talentos femininos, fortalecendo a cultura organizacional e impulsionando a inovação nas equipes de desenvolvimento.
Sobre este episódio
Neste episódio do Love the Problem, Andréia recebe Fran e Mônica para uma conversa sobre como é chegar, e migrar de carreira, no universo de tecnologia sendo mulher. Fran tem 39 anos, mora na Alemanha, e há cerca de um ano trabalha como desenvolvedora de software após ter sido professora de química no Instituto Federal de Santa Catarina. Mônica tem 30 anos, é desenvolvedora front-end e mentora na Laboratoria, organização em que também se formou, atuando na área de TI desde 2019.
Andréia abre contando sua própria trajetória: começou a trabalhar com tecnologia aos 16 anos, incentivada pela mãe a entrar num colégio técnico, numa época em que enfrentou dificuldade de acesso a computador e internet e a sensação, reforçada por colegas, de que tecnologia "não era para mulher". Ela relata ter enfrentado assédio moral e sexual no início da carreira como desenvolvedora, antes de migrar para as funções de testadora, analista e, mais tarde, liderança em agilidade, área em que atua hoje.
Fran descreve sua transição de carreira: ao se mudar para a Alemanha com o marido, precisou abandonar um projeto do CNPq de incentivo a mulheres nas ciências e na tecnologia que conduzia no Brasil, e decidiu se envolver como voluntária em projetos locais, entre eles o Coding Girls Club, iniciativa de ensino de programação para crianças e adolescentes. O contato com esse projeto despertou seu interesse pela programação: ela chegou a prototipar o site da iniciativa, pesquisou bootcamps gratuitos, foi selecionada para um deles, cursou, fez estágio de seis meses e, pouco depois, foi efetivada como desenvolvedora front-end.
Mônica, por sua vez, veio da engenharia de materiais, outra área de minoria feminina, e conta que só durante o mestrado começou a perceber que não se sentia realizada na carreira. Relembrou o gosto que tinha por disciplinas de programação na graduação, apesar da sensação, na época, de que aquilo "não era para ela". Decidiu fazer o bootcamp da Laboratoria, período que descreve como financeiramente incerto e emocionalmente difícil, mas que atravessou com apoio do marido.
A partir dos relatos pessoais, a conversa se volta para uma reflexão mais ampla sobre por que ainda é difícil haver mulheres na área de tecnologia. As três discutem a síndrome do impostor, o estímulo social diferente entre meninos e meninas desde a infância em relação a ciências, o perfeccionismo (mulheres tendem a só se candidatar a vagas quando atendem à quase totalidade dos requisitos, diferente dos homens) e o desconforto de se expor mostrando o que não se sabe, algo inerente à rotina de quem programa. Andréia relata ter sofrido assédio moral e sexual no começo da carreira e diz perceber o mercado hoje mais respeitoso, sobretudo com a normalização do home office; Mônica e Fran concordam que houve avanço nos últimos anos, mas reforçam que a luta ainda está em curso e que as empresas vêm dando mais atenção à diversidade.
O episódio traz ainda indicações concretas de programas e iniciativas de formação: o bootcamp da Laboratoria, imersivo, remoto e de seis meses, focado em autoaprendizagem e habilidades socioemocionais; a ONG Teclabs Curitiba, com proposta semelhante; o projeto Programaria; e a parceria da K21 com a Asterisco Lab, voltada a mulheres negras e pessoas trans que querem entrar na área de agilidade e inovação de negócios. Andréia lembra que a lista completa de programas fica disponível no backstage do podcast.
Nos recados finais, Mônica encoraja quem estiver considerando uma transição de carreira a encarar os desafios da área, destacando a satisfação e o retorno que ela pode trazer. Fran reforça a importância do autoconhecimento nesse processo e reconhece seu próprio privilégio de ter tido reserva financeira para se planejar, apontando alternativas para quem não tem essa possibilidade, como conciliar trabalho e formação. Andréia encerra convidando as ouvintes a terem coragem apesar do medo. Por fim, questionada por Fran sobre por que fez o caminho inverso, saindo da programação para a agilidade, Andréia explica que sentia falta de entender o propósito do que fazia e de interagir mais com pessoas, o que a levou a se tornar analista após um intercâmbio no Canadá e, mais tarde, a encontrar na agilidade um caminho de trabalho que considera mais sustentável.
Transcrição completa
Neste episódio do Love the Problem, a apresentadora Andréia recebe duas convidadas para falar sobre como é chegar no universo de tecnologia sendo mulher. Fran se apresenta: tem 39 anos, é desenvolvedora de software há cerca de um ano, mora na Alemanha e antes era professora de química no Instituto Federal de Santa Catarina, no Brasil. Mônica também se apresenta: tem 30 anos, é desenvolvedora front-end, mentora na Laboratoria e está na área de TI desde 2019, quando se formou no bootcamp da própria Laboratoria.
Andréia conta que começou a trabalhar com tecnologia aos 16 anos, incentivada pela mãe a entrar num colégio técnico. Foi difícil se adaptar: era uma das poucas meninas da sala, tinha pouca experiência com computador e internet, e enfrentava a mentalidade de que tecnologia "não era para mulher". Ainda assim, passou a tirar dúvidas com professores, começou a desenvolver e seguiu carreira como desenvolvedora, depois testadora, analista, e por fim migrou para liderança e agilidade, área em que atua hoje.
Fran relata sua transição de carreira: ao se mudar para a Alemanha com o marido, precisou abandonar um projeto do CNPq voltado a estimular mulheres nas ciências e na tecnologia, e decidiu se envolver como voluntária em iniciativas locais, entre elas o Coding Girls Club, projeto de ensino de programação para crianças e adolescentes. Esse envolvimento despertou seu interesse por programação; ela prototipou o site do projeto, pesquisou bootcamps gratuitos, foi selecionada para um deles, fez estágio de seis meses e, no início de 2026 (na fala do episódio, referida como o marco de "cinco de janeiro"), completou três meses como desenvolvedora front-end efetiva.
Mônica conta que veio da engenharia de materiais, área também predominantemente masculina, e que durante o mestrado percebeu que não se sentia realizada na carreira. Relembrou disciplinas de programação de que gostava na graduação, mas que na época via como "não é para mim". Fez o bootcamp da Laboratoria, período que descreve como financeiramente incerto e emocionalmente difícil, mas contou com apoio do marido para atravessar.
As três discutem por que ainda é difícil haver mulheres na área de tecnologia: síndrome do impostor, dificuldade de se sentir capaz, estímulo social diferente entre meninos e meninas desde a infância, perfeccionismo (mulheres tendem a só se candidatar a vagas quando atendem a 100% dos requisitos, enquanto homens se candidatam com bem menos) e o medo de se expor mostrando o que não sabem, algo inerente à rotina de quem programa. Andréia relata episódios de assédio moral e sexual no início de carreira e diz perceber o mercado mais respeitoso hoje, especialmente no home office; Mônica e Fran concordam que houve avanço, mas reforçam que a luta continua e que empresas estão dando mais atenção à diversidade.
As convidadas indicam programas e iniciativas: o bootcamp da Laboratoria (imersivo, remoto, de seis meses, focado em autoaprendizagem e habilidades socioemocionais), a ONG Teclabs Curitiba, o projeto Programaria, e um projeto que a K21 patrocina em parceria com a Asterisco Lab voltado a mulheres negras e pessoas trans para entrada na área de agilidade e inovação de negócios. Andréia lembra que a lista completa de programas fica disponível no backstage do podcast.
Nos recados finais, Mônica encoraja quem estiver pensando em transição de carreira a considerar a área de tecnologia apesar dos desafios. Fran reforça a importância do autoconhecimento no processo de transição e reconhece seu privilégio de ter tido reserva financeira para se planejar, indicando alternativas para quem não tem esse privilégio, como conciliar trabalho e curso. Andréia fecha convidando todas a terem coragem apesar do medo. Por fim, Andréia pergunta a si mesma, refletindo com as convidadas, por que fez o caminho inverso ao delas, que foi sair da programação para a agilidade, e explica que sentia falta de entender o propósito do que fazia e de interagir mais com pessoas, o que a levou a virar analista após um intercâmbio no Canadá e, depois, a encontrar na agilidade um caminho que considera mais sustentável.
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