RH Ágil Summit 2021: empatia e conexão para gerar transformações

A 4ª edição do principal evento de RH Ágil do Brasil veio com a proposta de refletir sobre o cenário pós-pandemia. Neste contexto, os palestrantes chamaram a atenção para a necessidade de um olhar integral para as pessoas, as células mais importantes das organizações.

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Com o tema “RH estratégico: o futuro do trabalho é agora”, o RH Ágil Summit 2021 convidou os RHs a se mobilizarem como uma área essencial para este despertar nas organizações. A seguir, trazemos os principais insights do evento, que aconteceu de 1 a 3 de dezembro de 2021.

Plataforma do RH Ágil Summit 2021
O RH Ágil Summit 2021 aconteceu na Hybri, plataforma online, com experiência de presencial

Os 4 pilares do RH Ágil Summit 2021

“Como manter eficiência no trabalho remoto?”, “Como inovar em meio a um cenário de caos?”, “Como cuidar das pessoas?”, “E a saúde mental?”. Esses e outros questionamentos foram levantados e debatidos no evento com foco em quatro pilares:

  • Trabalho remoto e futuro dos relacionamentos
  • Diversidade e Inclusão + Agilidade: como esses temas caminham juntos?
  • Liderança Exponencial
  • Recompensa e Reconhecimento

Trabalho remoto e futuro dos relacionamentos

A abertura do RH Ágil Summit 2021 foi com Lisette Sutherland, facilitadora, autora, palestrante e líder em trabalho remoto para indivíduos, equipes e gerentes.

Segundo ela, quando as pessoas foram forçadas a trabalhar remotamente, elas descobriram um novo mundo de possibilidades que deu a elas, entre outras coisas, a liberdade. E isso precisa ser levado em consideração pelos líderes.

Sutherland acredita que o futuro do trabalho é uma escolha de cada um, porque as pessoas têm motivações diferentes e é preciso descobrir o que as motiva. Sobre a preocupação de alguns líderes com a forma de trabalhar e de se comunicar, ela pontua:

“Uma forma de contornar isso é estabelecer acordos em comum. As pessoas precisam saber como trabalharem juntas. (…) As pessoas pensam que queremos ser alocados. Mas o que realmente queremos é comunicação de alta banda. Queremos nos comunicar como se estivéssemos no escritório juntos. (…) Eu gosto de pensar que é como Star Trek, eu vou apertar um botão e posso ir pra qualquer lugar. Não tem tráfego, não tem cachorro latindo, é a comunicação clara e limpa.”

Lisette Sutherland, Collaboration Superpowers

Online? Não, people first!

Ainda no primeiro dia, uma roda de discussão sobre o trabalho remoto e o futuro das relações foi moderada pela Fernanda Magalhães, da K21, e pelo Eduardo Limone, profissional entusiasta da cultura ágil.

E é claro que este assunto não poderia desembocar em outras águas que não fossem a cultura. Na definição da Angela Mansim, profissional de branding, cultura organizacional e gestão que cuida da estrutura e cultura remota:

“Cultura é o que as pessoas fazem sem que você as peça.”

Angela Mansim, Officeless

Já para Marta Pinheiro, líder de inovação e transformação de negócios e consultora de estratégia e gestão, a cultura pode ser observada em cada atividade do dia a dia:

“Os rituais, desde a primeira reunião, a forma como você marca na agenda de alguém… É nas pequenas coisas  no dia a dia que a gente consegue ir colocando a forma de fazer em tudo.”

Marta Pinheiro, XP

Enquanto isso, Coca Ptizer, especialista em coaching ágil e mudança de cultura empresarial, chamou a atenção para a necessidade de definições claras do que é esperado para cada pessoa com suas particularidades, como é o caso do entendimento de híbrido.

“É muito importante a gente entender qual formato e modelo de híbrido a gente está falando. É o mesmo time zone? Ou tem pessoas com muitas horas de diferença? É um híbrido que parte está no escritório junta e outra parte está em outro lugar? A grande maioria está de casa e uma pequena porção está no escritório? É um híbrido que as pessoas têm culturas diferentes? É super importante a gente ter clareza do que está chamando de híbrido: o que é aceito e o que não é aceito; o que está ok e o que não está ok. Qual horário é ok pra se reunir quando precisamos de comunicação síncrona? E que tipo de comunicação é ok a gente fazer de forma assíncrona?”

Coca Ptizer, Zurich

Diversidade e Inclusão + Agilidade: como esses temas caminham juntos?

Um dos momentos mais emocionantes do RH Ágil Summit foi a diversidade de pensamentos e pontos de vista desta roda de discussão, moderada por Bernardo Gonzales, da K21, pessoa transmasculina, professor de formação, pós graduado em Políticas Públicas e Projetos Culturais e militante pelos direitos humanos e das causas LGBT+ desde 2008. 

Para Bernardo, é preciso arraigar a diversidade em todos os níveis das organizações.

“O desafio da diversidade não tem que estar só na liderança. O RH tem esta função de ponta a ponta, desde o segurança que está na porta recebendo a pessoa até a liderança.”

Bernardo Gonzales, K21

Apresentador negro e surdo da primeira webtv acessível para surdos e ouvintes no Brasil, a TV INES, Heveraldo Ferreira falou sobre o desafio dos RHs de saber como trabalhar cada modalidade de necessidade. E destacou que, no caso dos surdos, precisa ir muito além de disponibilizar um intérprete.

“O RH precisa entender estas especificidades, saber como lidar com as pessoas de forma autônoma e passar as informações para todos na empresa de forma equânime. O intérprete é muito importante, sim, não só pra expressar o que a gente sente, mas não é para o surdo ser dependente. O intérprete é importante para a troca. O RH precisa perguntar para o surdo o que ele precisa, precisa ter esta troca de pergunta e resposta.”

Heveraldo Ferreira (TV INES)

Para que isso aconteça, Andréa Brazil, Travesti, Idealizadora e Gestora do Projeto Social Capacitrans RJ, Empresária de Moda e Imagem, Consultora de Diversidade e Inclusão para Instituições e Empresas interessadas na Equidade e Inclusão de Fato, defende que as organizações levem a questão da diversidade para um patamar estratégico e deem suporte ao RH para tratar desta questão.

“Ações continuadas precisam entrar no orçamento da empresa. Ter todos os meses um trabalho de conscientização e falar dentro da instituição o quão vantajoso é você ter uma pessoa que de repente traga mais de uma diversidade. (…) O RH não pode carregar isso tudo sozinho. É obrigação moral das instituições contratar pessoas que saibam lidar com esta demanda.”

Andréa Brazil, Capacitrans RJ

Lucas Tito, especialista em agilidade, escritor, mentor e palestrante, trouxe sua contribuição, também enquanto pessoa cega, sobre a importância da agilidade no RH para ampliar a conscientização das pessoas em suas organizações com relação à diversidade e inclusão.

“Você precisa mudar no sistema. E o RH quer ser uma abelhinha extremamente necessária que está em todo o lugar, polinizando e fazendo com que a natureza seja percebida? Ou quer ser uma barata, que todo mundo sabe que existe, que tem de certa maneira uma relevância, mas todo mundo evita? (…) Como que a gente vai mudar um RH com agilidade? É mão na massa, é experimentar. Mas você só faz a pessoa se engajar se ela se importar.”

Lucas Tito, PicPay

Liderança Exponencial

No quick talk sobre este tema, foi discutido o novo papel da liderança, e como o RH pode dar suporte a líderes para que gerem resultados exponenciais para a organização.

Com mais de 20 anos de experiência no RH, Lais Cossermelli, líder de iniciativas de transformação organizacional e cultural, e Luiz Massad, psicólogo especialista em Gestão Estratégica de Negócios participaram da conversa moderada pela Karen Monterlei, Agile Expert K21.

Para eles, a noção de propósito nunca esteve tão clara, assim como a necessidade de conexão entre líder e liderados. É preciso se conectar com o seu “eu” e não ter uma fachada de super-heróis; assim como é extremamente necessário fortalecer a relação entre as pessoas.

“A grande virada que estamos vivendo é sair de um lugar de separação e ir para um lugar de conexão. As pessoas se sentem mais livres e conectadas num propósito comum, nessa intenção que é maior que a organização. Elas se sentem parte de algo maior, e a conexão verdadeira com a organização acontece. (…) É nosso papel (de RH) ter essa compaixão com o líder que ainda não acessou esse lugar. Uma pergunta importante é como podemos apoiar, como esse líder pode revisitar o que aprendeu no passado e mudar.”

Lais Cossermelli, Consultora

“As pessoas precisam se relacionar com você para poderem performar e engajar na empresa. (…) As áreas que performam melhor e que mais entregam são aquelas nas quais as pessoas são mais engajadas. E as pessoas mais engajadas são as que têm uma relação próxima com a liderança.”

Luiz Massad, Omie

Recompensa e Reconhecimento

Para trazer este assunto em uma perspectiva teórico-prática, convidamos: Daniella Gallo, responsável pela gestão de pessoas e desenvolvimento de talentos na empresa Radix; Alessandra Nogueira, professora universitária e diretora de Recursos Humanos na Subsea7; e Ylana Miller, consultora de desenvolvimento humano e organizacional, docente e CEO da Yluminarh.

Nesta conversa apresentada por Andre Bocater, Agile Expert K21, os painelistas deste quick talk discutiram o que o RH de hoje precisa fazer para que as pessoas se sintam reconhecidas nas organizações sem, contudo, reforçar a meritocracia no seu sentido já amplamente utilizado.

“A gente precisa ressignificar esta meritocracia. A gente tem que tentar conhecer as pessoas e dar espaço para as pessoas se desenvolverem com as diferentes competências que elas têm. Acho que o principal papel nosso do RH é capacitar líderes e equipes para este futuro que já chegou.”

Daniella Gallo, Radix

Sobre a forma de fazer, a inovação de acordo com cada cenário e o feedback são caminhos a serem explorados.

“Por que a gente não começa a olhar para o desenvolvimento do outro dando feedbacks mais constantes? E é nosso papel enquanto RH fazer isso, educar nesse processo.”

Alessandra Nogueira, Subsea7

“Não existe receita de bolo, a gente precisa escutar os colaboradores. Esta escuta ativa faz com que a gente possa de fato criar e inovar em processos de reconhecimento e recompensa.”

Ylana Miller, Yluminarh

Mais humanos e menos recursos

Este foi o principal recado dado pelos keynotes do segundo e do terceiro dia do RH Ágil Summit 2021. 

Falando sobre as oportunidades no mercado de trabalho para as pessoas trans, Daniela Andrade, mulher trans, analista programadora e ativista pelos direitos trans/LGBTQ+, refletiu que uma boa forma de lidar com os desafios da diversidade é agir com empatia, respeito e escuta.

“Quantas pessoas estão preparadas no RH para ouvir numa entrevista de emprego, quando perguntam sobre a experiência passada, ‘eu fui prostituta’, e seguir com aquela entrevista? Porque essa é a realidade das mulheres trans.(…) Eu acredito que muito seria resolvido com ações simples. É perguntar: do que você precisa? Como eu te apoio? Quais são seus limites? Se eu disser algo que você não gosta, me diga. É o tipo de diálogo que seria bom em qualquer ambiente. É a mesma coisa que eu falar algo e ofender uma pessoa hétero. Conversando a gente se entende. (…) Você não precisa entender sobre transexualidade. Uma das formas de se contribuir para um ambiente inclusivo não é nada menos do que ter um ambiente respeitoso. Então, todos os ambientes deveriam ser inclusivos. Se a gente respeitar o próximo, estaremos criando esse ambiente de diversidade. Com respeito!”

Daniela Andrade

O amor como caminho para a inovação

No mesmo dia, recebemos no RH Ágil Summit como keynotes: Monica Magalhães, empreendedora, palestrante e educadora, chefe de estratégia na Disrupta Company e colunista da Época Negócios; e Murilo Gun, Empresário, autor e comediante, fundador da Keep Learning School, startup de cursos online de criatividade.

Enquanto a Monica trouxe o assunto Futurismo e o Murilo veio falar de criatividade, ambos os temas se entrelaçaram em um ponto comum: a necessidade de dosar a utilização de ferramentas e aumentar o fator humano para despertar a inovação. 

Para eles, o caminho é permitir que as pessoas tenham a liberdade para cuidar de si e ser elas mesmas, em um espaço de acolhimento que as conduzirá para uma criatividade natural.

“Permitir criar um espaço onde errar é possível é um grande passo para a inovação. (…) Quanto mais padronização, mais a gente engessa a criatividade e fecha terrenos para essa transformação e para esta inovação acontecer. A padronização do trabalho é necessária, mas não podemos ser obcecados por ela. (…) Todo o investimento que a gente fizer em soft skill não tem prazo de validade, não expira nunca. Então, invista em crescimento humano, em inteligência emocional porque isso não se perde. Pode vir a tecnologia que for, mas as soft skills não vão mudar nunca, só vão mudar as ferramentas.”

Monica Magalhaes, Officeless

“Tudo que tu faz contém o teu estado interno. É muito fácil cairmos em um estado mental de ferramentas e frameworks, e não cuidar da frequência que fala do coração. (…) Se você vem de um lugar que você está em paz, silenciado, com o emocional equilibrado, com amor no coração, silencioso, calmo, sentindo o amor incondicional, vai ser desse lugar que vai ocorrer o seu design thinking, por exemplo. Se você está zoado, não importa a ferramenta genial que você vai usar. Você vai pegar um framework genial e vai dar um input numa frequência zoada.” (…) A única coisa que tu pode fazer para melhorar a empresa e o mundo é cuidar de você.”

Murilo Gun, Keep Learning School

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