Scrum, o Trabalho em Escala e o LeSS

Muito tem se falado do Desenvolvimento Ágil em escala, cenário em que um número grande de pessoas trabalha com o Ágil em uma mesma organização. Buscando um espaço nesse mercado, surgiram nos últimos anos diversos frameworks e metodologias. As mais conhecidas são o o SAFe, do Dean Lefingwell, o LeSS, do Craig Larman e Bas Vodde, o DAD, do Scott Ambler, o Scrum@Scale, do Jeff Sutherland e o Nexus, do Ken Schwaber. Repare que os dois últimos foram criados pelos pais do Scrum, e são bem diferentes entre si.

Mas o que o framework Scrum, tal como descrito no Scrum Guide oficial, oferece com relação a esse assunto? Há, na realidade, poucas prescrições do Scrum básico para o trabalho em escala. Dentre elas, vale citar:

  • o padrão do Scrum de um time pequeno, altamente flexível e adaptável se mantém o mesmo, desde para alguns poucos times até para milhares de pessoas distribuídas por uma rede de times, sempre pequenos, colaborando e interoperando no desenvolvimento, operação e manutenção de produtos;
  • os times devem estar estruturados e empoderados pela organização para serem capazes de organizar e gerenciar o seu trabalho;
  • toda a organização deve respeitar as decisões do Product Owner para possibilitar o sucesso de seu trabalho;
  • os Scrum Masters planejam e lideraram a adoção e a promoção do uso efetivo de Scrum na organização, ensinando o framework e ajudando os colaboradores e demais partes interessadas a colocá-lo em prática, provocando as mudanças organizacionais necessárias e trabalhando junto a outros Scrum Masters com esse mesmo fim;
  • no caso de múltiplos times trabalhando no mesmo produto, apenas um Product Backlog, comum a todos esses times, é utilizado como fonte de trabalho para eles. Nesse caso, podemos diferenciar o trabalho de cada time utilizando, por exemplo, um atributo nos itens do Product Backlog;
  • caso haja uma definição de “Pronto” como parte das convenções, padrões ou diretrizes da organização, todos os times devem segui-la como um mínimo. Caso haja múltiplos times trabalhando em um mesmo produto, os times devem estabelecer em conjunto a definição de “Pronto”.

Acredito que qualquer método que se ofereça para escalar o Scrum deva seguir as regras acima, como um mínimo. Na minha opinião, LeSS é o framework mais alinhado com com os propósitos e princípios do Ágil e também com a própria definição do Scrum, já que respeita todas as prescrições para o trabalho em escala trazidas pelo Scrum Guide.

Faça sua inscrição no treinamento de LeSS da K21

Acho importante notar que, na K21, não utilizamos à risca nenhum método de escalar predefinido em nossos clientes, até mesmo porque nem sempre utilizamos Scrum como o caminho para o Ágil. Temos certeza – isso sim – do que não queremos. Mas vejo um alinhamento crescente da empresa, ainda que sem grande compromisso, com a simplicidade e lógica irrefutável do LeSS.

SCHWABER, K.; SUTHERLAND, J. The Scrum guide — the definitive guide to Scrum: the rules of the game. Nov. 2017. Disponível em: <https://www.scrumguides.org/docs/scrumguide/v2017/2017-Scrum-Guide-US.pdf>. Acesso em: 9 mai. 2018.

Rafael Sabbagh
Sobre o autor

Rafael Sabbagh

Co-fundador e Trainer na K21

Rafael Sabbagh é co-fundador da K21 e foi membro do Board de Diretores da Scrum Alliance entre 2015 e 2017. Ele é Certified Scrum Trainer (CST) pela Scrum Alliance e também Accredited Kanban Trainer (AKT) pela Kanban University. Atuando em nível executivo, possui uma vasta experiência em Transformação Digital e Gestão de Produtos. Ao longo da sua carreira, já treinou milhares de Scrum Masters, Product Owners e membros de equipes em mais de 15 países na Europa, América e Ásia.

Artigos relacionados

Avelino segurando um microfone e uma camiseta preta escrita Agile. Ele é pardo, barba e cabelos grisalhos.

Quando uma transformação organizacional começa a falhar, a explicação mais comum é que surgem rapidamente frases de guerra perdida: “Isso é cultural.”Infelizmente, a nossa cultura não permite a evolução” e logo alguém saca do bolso o “Complexo de Gabriela”: Eu…

Marcos Garrido, Sócio-fundador e Trainer na K21

Não é saber programar. Não é dominar prompts. Não é acompanhar o último modelo que saiu na semana passada. É saber tomar decisões. Quanto mais converso com as pessoas aqui na Nower/K21 e com os nossos clientes, mais tenho certeza…

Avelino segurando um microfone e uma camiseta preta escrita Agile. Ele é pardo, barba e cabelos grisalhos.

No texto “O caos invisível”, falei um pouco sobre a cultura do herói/heroína. Também já escrevi outros textos sobre o tema. Um deles com o meu colega Raphael Montenegro: “Paradoxo do Gestor Capitão Planeta”, que publicamos no final de 2020….

Avelino segurando um microfone e uma camiseta preta escrita Agile. Ele é pardo, barba e cabelos grisalhos.

Clique aqui para baixar PDF do Test Card 2.0 formato retrato PDF do Test Card 2.0 formato paisagem Imagem do Test Card 2.0 no formato retrato Imagem do Test Card 2.0 no formato paisagem Você trabalha com desenvolvimento de produtos….