Você abre o aplicativo da OpenAI hoje e vê três abas: Chat, Work e Codex. Tudo no mesmo lugar, tudo com o nome ChatGPT.
No ano passado eram produtos separados, com marcas próprias e manchetes próprias. O Sora para vídeo. O Atlas para navegar. O Codex num aplicativo só dele. Hoje o Sora acabou, o Atlas foi desligado e o Codex virou uma aba.
Esse é o ponto deste artigo, e ele vale mais do que qualquer lista de produtos: as marcas da OpenAI mudam mais rápido do que a lógica por trás delas.
O critério é o mesmo, e eu não vou repetir
Se você leu Claude, Claude Code e Claude Cowork: qual é a diferença? Você já tem o raciocínio na mão. Ele vale igualzinho aqui.
Em três linhas, para quem não leu: modelo não é produto (o cérebro é um, os lugares onde ele trabalha são vários), e o que separa uma ferramenta da outra é onde ela roda, o que ela enxerga e quanto ela decide sozinha. Se esses três eixos ainda não fazem sentido para você, leia aquele artigo primeiro. Este aqui parte dele.
O que muda na OpenAI é o resto: os nomes dos modelos, o desenho das portas de entrada e, principalmente, a velocidade com que a empresa mata e funde produtos.
Os cérebros têm nome de astro
A OpenAI abandonou os sufixos confusos do tipo “mini” e “turbo”. Agora o número indica a geração e o astro indica o nível de potência dentro dela.
Sol
O topo da família GPT-5.6, lançada em 9 de julho de 2026. Programação complexa, ciência, agentes de longa duração.
Terra
O meio-termo, equilibrado para o dia a dia. Resolve a maior parte do trabalho real sem cobrar o preço do topo.
Luna
O mais rápido e barato, para tarefas de grande volume em que velocidade importa mais que profundidade, como classificar e organizar dados.
Astra
O novo patamar. O GPT-6 Astra começou a ser liberado em 3 de setembro de 2026, primeiro para um conjunto limitado de organizações e depois para os planos pagos, a API, o Microsoft Azure e o AWS Bedrock. É o primeiro modelo que a própria OpenAI classificou como tendo atingido o limiar “crítico” em cibersegurança no seu framework de preparação, o que explica por que ele saiu com restrições que os anteriores não tinham.
Vale a mesma regra de sempre: escolher o modelo é uma decisão de custo, não de vaidade.
Breve Comparativo Anthropic Claude e ChatGPT
As duas empresas fazem a mesma coisa: escondem uma escala de tamanho por trás de um nome bonito. A Anthropic usa formas literárias em ordem crescente de fôlego. A OpenAI usa corpos celestes em ordem crescente de tamanho.
| Nível | Anthropic | OpenAI | Para quê |
|---|---|---|---|
| Rápido e barato | Claude Haiku | GPT-5.6 Luna | Volume alto, classificação, tarefas simples |
| Equilibrado | Claude Sonnet | GPT-5.6 Terra | O cavalo de batalha do dia a dia |
| Topo da geração | Claude Opus | GPT-5.6 Sol | Raciocínio longo, código complexo, agentes |
| Acima da linha | Claude Fable | GPT-6 Astra | Fronteira, e com restrição de acesso |
Três avisos para não usar essa tabela errada.
Aviso #1: O número é a geração, o nome é o degrau
Claude Sonnet 5 e Claude Haiku 4.5 convivem porque os degraus evoluem em ritmos distintos. O mesmo vale para a OpenAI.
Aviso #2: Equivalência é de posicionamento, não de desempenho
A tabela indica onde cada modelo fica na prateleira e em qual faixa de preço. Não diz que dois modelos da mesma linha entregam o mesmo resultado no seu caso. Só o seu teste responde a isso.
Aviso #3: O degrau de cima vem com trava nas duas casas
O Claude Fable divide o modelo de base com o Claude Mythos, que não está aberto ao público, e responde com salvaguardas que direcionam determinados assuntos para o Opus. O GPT-6 Astra foi classificado no limiar crítico de cibersegurança. Quando um fornecedor limita o próprio produto de ponta, isso não é marketing reverso. É sinal de que o degrau de cima carrega risco junto com a capacidade, e de que quase nenhum trabalho de rotina precisa dele.
Na prática, a regra que economiza dinheiro é a mesma dos dois lados: comece pelo degrau do meio. Suba só quando o resultado comprovar que é necessário.
Os seis ChatGPTs principais
ChatGPT, modo Chat: a conversa
O chat de sempre. Web, celular, desktop. Você pergunta, ele responde. Aqui vivem os projetos, a memória e a pesquisa aprofundada.
Use quando o trabalho é pensar: escrever, analisar, revisar, decidir.
ChatGPT Work
O agente.
Lançado em 9 de julho de 2026, é um agente que atua nos seus aplicativos e arquivos, permanece num projeto por horas, se necessário, e transforma um objetivo em um trabalho concluído.
A diferença está no formato do resultado. Ele reúne informações dos seus aplicativos conectados e devolve materiais prontos, como planilhas, slides, documentos e aplicações web, quebrando o projeto em etapas menores e concluindo cada uma por conta própria. A tecnologia do Codex vem embutida, e ele pode usar o seu computador em segundo plano.
Você para de pedir um texto sobre a análise. Você pede a análise.
Use quando a tarefa é repetitiva, envolve várias etapas e arquivos e sistemas de verdade.
Codex
O par de programação que executa.
O Codex lê o repositório, edita arquivos, roda os testes, vê o teste quebrar, corrige e roda de novo.
Ele vive em várias superfícies ao mesmo tempo: CLI no terminal, aplicativo de desktop, extensão de IDE, extensão de navegador e nuvem. As tarefas na nuvem rodam de forma assíncrona em ambientes gerenciados pela OpenAI, em paralelo, e abrem pull requests a partir do trabalho concluído.
Use quando precisar desenvolver uma aplicação.
API: o modelo dentro do seu produto
Todas as portas acima colocam você na frente do modelo. A API faz o contrário: coloca o modelo no software que a sua empresa vende, sem que o usuário final saiba que ele está ali. Junto vem o painel de quem constrói, onde se gera a chave, escolhe o modelo por aplicação, testa antes de subir e acompanha o consumo.
Use quando a IA precisa ser parte do produto, e não uma janela que alguém abre do lado.
Frontier
Acamada de governança de agentes
Essa é a peça que a Anthropic não tem com esse desenho, e é a mais interessante para quem lidera.
Lançado em 5 de fevereiro de 2026, o Frontier é uma plataforma corporativa para construir, implantar e gerenciar agentes em escala. Ele trata agentes como a empresa trata funcionários: com processo de integração, contexto de negócio compartilhado, permissões, auditoria e ciclos de feedback. E a gerência também inclui agentes construídos fora da OpenAI.
Traduzindo para a linguagem de gestão: é a resposta à pergunta “Quem responde por esse agente quando ele erra?” Se a sua empresa está saindo do piloto e indo para dezenas de automações rodando sozinhas, essa pergunta chega antes do que você imagina.
Use quando há demais agentes para caber na cabeça de uma pessoa só.
Se você já conhece as ferramentas Claude, o mapa é este
| Na Anthropic | Na OpenAI | Para quê |
|---|---|---|
| Claude | ChatGPT, modo Chat | Conversa, análise, decisão |
| Claude Cowork | ChatGPT Work | Agente para quem não programa |
| Claude Code | Codex | Agente com acesso ao repositório |
| Claude API e Platform | API da OpenAI e painel | IA dentro do seu produto |
| Claude Design | Sites no ChatGPT | Entregável pronto, não descrito |
| Sem equivalente direto | Frontier | Governança de frota de agentes |
São aproximações, não equivalências exatas. Mas se você já mapeou o seu fluxo de trabalho com uma das duas, não precisa começar do zero com a outra. A decisão nunca foi sobre a marca. Era sobre o eixo de autonomia.
O cemitério ensina mais que o catálogo
Aqui está a parte que quase ninguém conta, e que é a mais útil para quem decide.
O Sora, o aplicativo de vídeo que virou notícia no mundo inteiro, foi desligado em 26 de abril de 2026, e a API vai junto em 24 de setembro de 2026, encerrando a marca por completo. O Atlas, o navegador da OpenAI, parou de funcionar em 9 de agosto de 2026, com as capacidades de navegação agêntica migrando para o ChatGPT e o Codex. Nenhum dos dois morreu por incapacidade técnica. Morreram porque eram produtos separados; isso foi resolvido e passou a ser uma funcionalidade de outro produto.
Guarde isso antes de reorganizar o trabalho do seu time em volta de uma marca: funcionalidade sobrevive, marca não necessariamente. O critério de escolha continuou valendo o ano inteiro. A lista de nomes foi reescrita duas vezes no mesmo período.
Onde a conta surpreende
A lógica de cobrança é a mesma dos quatro formatos que já detalhei no artigo do Claude: assinatura individual, assinatura por assento, consumo via token na API e compra via provedor de nuvem. Não vou repetir.
O que mudou, e vale o alerta, é que a fronteira entre fixo e variável ficou borrada. O uso do modelo mais novo está incluído nas cotas das assinaturas, e usuários e empresas podem comprar créditos para uso adicional. Ou seja: assinar um plano não garante mais previsibilidade total quando o time passa a delegar tarefas longas a agentes.
Trabalho agêntico consome muito mais do que conversa. Se você aprovou um orçamento com base no uso de chat do ano passado, ele já está defasado.
Para contratação em órgão público, a lógica também é a mesma que descrevi no texto do Claude: a barreira não é legal, é de planejamento. A diferença específica aqui é que a presença no Azure e no Google Cloud costuma encurtar o caminho, pois muitas instituições já têm contratos de nuvem vigentes.
O que muda no seu time
A pergunta que importa não é “qual ferramenta da OpenAI usar”, nem “OpenAI ou Anthropic”. É: “Quais tarefas do seu fluxo merecem autonomia?”
Comece pelo gargalo, não pela ferramenta. Se você não sabe onde está o gargalo, esse é o trabalho anterior a qualquer decisão de compra. Vale a leitura sobre como escolher entre as ferramentas de IA disponíveis no mercado antes de fechar contrato.
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