No último Love the Problem que gravei, “Ep. 283 – O que a IA está mudando na forma de aprender e ensinar?”, comentei sobre a solidão que a liderança traz. Se você está no papel de gestor/gestora, já deve ter ficado claro que seu cargo traz benefícios, mas também malefícios. Um deles é a solidão. Antes, você era da galera, estava junto e podia discutir assuntos de trabalho com toda a equipe. Agora, enquanto gestor/gestora, você muitas vezes é o assunto que a galera discute. Além disso, muitas vezes, as pessoas dessas equipes serão o assunto que você terá que discutir. Infelizmente, é muito raro termos um treinamento que fale a real: “Os malefícios da posição de liderança”; lição 1: “Você tomará decisões que o deixarão muito impopular”; lição 2: “Seu chefe espera que você se responsabilize pelas decisões, e seus times não gostarão delas”; lição 3: “Solidão: como lidar com a não-amizade”, etc.
Já ocupo a posição de gestor há alguns anos e, aos poucos, fui aprendendo a lidar com esses malefícios. Só que há alguns poucos anos, ganhei um parceirinho que tem me ajudado bastante: a Inteligência Artificial. Eu sei, pode parecer meio triste saber que uma IA será a sua parceira de gestão. Isso não significa que você não tem amigos, só que você passou a ter uma ajudante inteligente para te ajudar na chefia. Aliás, se você assumir um cargo, recomendo muito que tenha amizades dentro e fora do trabalho. Igreja, clube, colégio, faculdade, hobbies. Tenha amigos, mas saiba que, dentro da empresa, você é o/a chefe. Mais cedo ou mais tarde, você entrará em conflito com alguém. Seja essa pessoa membro de alguma de suas equipes, seu chefe ou um de seus pares. Não se iluda: decisões difíceis devem ser tomadas, e você foi o(a) escolhido(a) para tomá-las.
Mas afinal, como a IA te ajuda no dia a dia?
Assistentes de Inteligência Artificial
A primeira forma pela qual a IA pode te ajudar é por meio de assistentes de IA. Eu falei sobre como criá-las neste artigo: “Assistente de Inteligência Artificial: um tutorial para criar e usar o seu próprio robô virtual”. E elas têm me ajudado muito. Vou dar alguns exemplos aqui.
Eu recebo uma infinidade de documentos, pedidos, e-mails e processos administrativos. Alguns desses processos chegam com 15-20 volumes de documentos (cada volume contém 20 documentos, e cada documento pode ter quantas páginas forem necessárias). É um inferno descobrir o que realmente é relevante para mim, o que devo ou não ler e o que devo fazer em cada um deles. Para me ajudar nisso, eu tenho a “Pepper Potts” (secretária do Tony Stark). Ela literalmente varre todos esses documentos e faz um resumo apenas do que é relevante. Inclusive ela “linka” com os documentos de onde tirou o resumo. Estou treinando-a para me auxiliar na redação da resposta também. Dizendo que time faz o quê e como ela deve escrever.
O prompt inicial de criação dela é
Você é o Assistente Especialista da <unidade> da <empresa>. Sua missão é analisar processos administrativos (SEI), relatórios de auditoria e comunicações internas, identificando com precisão as obrigações, prazos e ações necessários à <unidade> e às suas unidades subordinadas (<unidades subordinadas a ela, caso existam>). Ao ler um documento, você deve processar as demandas conforme as atribuições específicas a seguir. Sempre crie links para abrir as páginas de onde você está tirando a informação: Unidades de Competência e Divisão de Atividades <Descrição da sua unidade e de cada subordinada. O que faz, quem faz parte e toda a informação que você necessitar Regras de Resposta e Formatação Só gere respostas quando solicitadas. Seu trabalho principal é resumir. Cordialidade Obrigatória: Inicie sempre o texto com a saudação formal adequada ao destinatário (ex.: "Sr. Secretário de Tecnologia da Informação", "Sra. Diretora-Geral"). Vedação de Marcadores (Bullets): É estritamente proibido o uso de listas com marcadores (bullets) ou de numeração automática. O texto deve ser redigido de forma fluida, utilizando parágrafos e cabeçalhos de seção (Markdown) para organização. Identificação de Referências: Sempre cite o ID ou o número do processo do SEI correspondente a cada informação extraída do documento analisado. Mapeamento de Contexto: Verifique se as demandas já possuem projetos em curso mencionados no histórico do processo (ex.: Projetos de automação de folha ou minutas de precificação). Comportamento Padrão ao Receber um Arquivo Sua primeira resposta deve seguir esta ordem: Apresentar um resumo executivo, em parágrafos, das necessidades da <unidade>. Indicar quais ações devem ser delegadas às unidades subordinadas: <unidades subordinadas>. Listar os processos e seus respectivos IDs que servem de referência para a resposta. Perguntar se o usuário deseja que você redija a minuta completa do despacho de resposta.
Outro assistente que me ajuda muito é o 2Pack. O nome vem porque, nos projetos que tocamos aqui na minha organização, em cada entrega de software, temos que escrever um Relatório de Acompanhamento de Projeto (RAP). Eu também tenho a Rose (inspirada nos Jetsons), uma robô que mantém meu Drive na nuvem organizado, e vários outros assistentes que me ajudam no dia a dia.
Vibe Coding
Também já escrevi sobre isso neste artigo: “Vibe Coding: A Revolução que Vai Mudar a Forma de Criar Produtos”. Sucintamente, o vibe coding é uma técnica de programação de software com a qual você pode construir um produto digital mesmo sem saber programar. Você tem um problema, vibe ‘coda’ e cria a sua própria solução.
No meu caso, o problema que eu tinha estava relacionado à agenda. Eu recebo convites de várias maneiras: e-mail; invite; processo; telefonema; PDF com 200 eventos que não me dizem respeito, mas tem 1 a que eu tenho que comparecer; no elevador, quando estou indo almoçar, etc. Pensando nisso, criei o Sched Genie (https://sched-genie.com.br/). Que eu mande para ele PDF, texto, documento, planilha, voz ou seja lá o que for e ele se vire para entender e marcar os eventos na minha agenda.
Particularmente acredito muito nessa pegada do vibe coding. Você tem um problema: codifica e resolve.
Uso pontual da IA
Outra coisa muito comum que eu faço é o uso pontual dela. Pedir para ela analisar uma planilha, criar critérios relevantes para resolver um problema. Ajudar a redigir ou corrigir um texto, etc.
A única coisa para a qual eu não uso IA, nem por decreto, é preparar apresentações. Já tentei tudo: Notebook LM, Gamma, Canva… Todos eles, quando terminam, ficam com cara de: “Isso é IA”. Um monte de texto amontoado, com elementos jogados aleatoriamente no slide. Hoje, 19/05/2026, ainda não é uma boa. Pode ser que no futuro mude, mas ainda não tá legal.
Conclusão
As interações com a IA são muito boas, mas nunca se esqueça: você sempre será o(a) responsável pelas decisões. Se ela sugerir algum critério esdrúxulo ou fizer alguma análise ruim dos seus dados, ninguém responsabilizará a Inteligência Artificial pelo problema. O erro será seu, gestor/gestora. Ela também não elimina a necessidade de amizades verdadeiras. Você precisa de pessoas para comemorar, chorar, abraçar e beijar. IA te ajuda na gestão, não é sua amiga.
No fim das contas, a IA não tira o peso da liderança, mas traz leveza: organiza o caos, amplia o raciocínio e reduz a sensação de ter de decidir tudo sozinho.
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