Desde que comecei a desempenhar o papel de gestor, vi muitas fórmulas prontas para executar melhor essa função. Obviamente, há boas práticas e muitas ferramentas. Entretanto, todas as fórmulas prontas que li e ouvi se apresentaram como falácias.
Gestão está relacionada ao envolvimento com pessoas e estas estão mais para os espectros complicados, complexos e caóticos do que para o simples. Um detalhe interessante que descobri na jornada: quanto mais você sobe na hierarquia, mais caótico tende a ser o seu contexto.
Por exemplo, enquanto você faz parte de um time, sem cargo, sua preocupação é basicamente fazer as coisas funcionarem. Você conversa, na maioria das vezes, com seus pares e, de vez em quando, com o gestor. Quando você começa a subir na hierarquia, passa a negociar com seus pares (coordenadores, gerentes, diretores), a convencer seus subordinados e a interagir diretamente com clientes e fornecedores. Além de negociar contratos, garantir entregas etc.
A liderança é construída ao longo do tempo
Nenhuma escolha de carreira te preparará para isso. Não é incompetência delas, simplesmente não há como criar um modelo único que atenda a sistemas complexos/caóticos. Na melhor das hipóteses, você terá um conjunto incrível de ferramentas e situações semelhantes que deverá aplicar ao longo da jornada. Mesmo assim, não se cobra muito no início, porque é normal não saber utilizar as ferramentas corretamente quando se está começando.
Ao longo da jornada, descobri que não há fórmulas prontas para a gestão, mas há ferramentas extremamente valiosas. O Scrum me auxilia na previsão e no acompanhamento das entregas. O Kanban me ajuda a gerenciar tanto o fluxo de trabalho dos times quanto minhas próprias atividades gerenciais. O Management 3.0 fornece um ferramental essencial para lidar com a motivação, a delegação, o alinhamento e o desenvolvimento das equipes. Mais recentemente, a Inteligência Artificial passou a desempenhar um papel importante na descoberta e criação de produtos, além de me ajudar de forma significativa em diversas atividades de gestão.
Entretanto, a principal lição que aprendi é que nenhuma dessas ferramentas substitui o julgamento humano. Elas ampliam nossa capacidade de compreender cenários, organizar informações e tomar decisões, mas continuam sendo apenas ferramentas. A gestão continua sendo uma atividade profundamente humana, baseada em relacionamentos, contexto e adaptação contínua. Talvez a maturidade de um gestor não esteja em encontrar a metodologia perfeita, mas em saber quando, como e por que utilizar cada uma das disponíveis.
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