Novidades no Guia do Scrum: Por que e o que mudou?

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Scrum Guide ou Guia do Scrum é elaborado e mantido pelos criadores do Scrum, Ken Schwaber e Jeff Sutherland.

Ele descreve de uma forma muito objetiva e enxuta o funcionamento do framework, seus papéis e cerimônias [1].

De tempos em tempos, eles fazem uma revisão desse guia e, em novembro de 2017, saiu mais uma edição atualizada.

O principal motivo da revisão foi a percepção dos autores de que havia muitas interpretações que as pessoas davam para os conceitos por eles utilizados. Então, eles resolveram que era o momento de clarificar alguns desses conceitos mais importantes [2].

As principais mudanças foram:

  • O Uso do Scrum
  • Papel do Scrum Master
  • Reunião Diária (Daily Meeting)
  • Time-box
  • Melhoria Contínua
  • Incremento do Produto (Potencial Entregável)

Abaixo você vai lerá a evolução de cada tópico.

O uso do Scrum

No início, o framework teve como objetivo facilitar o trabalho dos desenvolvedores de software e popularizou-se bastante nesse público.

Todavia, outros trabalhadores do conhecimento perceberam as vantagens do Scrum e começaram a aplicá-lo.

Entre as áreas que adotaram o framework estão as pesquisas científicas, a criação, a melhoria e sustentação de produtos, o ensino, a organização de igrejas e eventos, a gestão e operação de empresas, além da vida pessoal, extração de petróleo, desenvolvimento de carros autônomos, entre outros. [2] [1].

Apesar disso, algumas empresas ainda faziam questionamentos: se nós não somos uma empresa de software, por que devemos adotar o Scrum?

Então, os autores resolveram deixar claro que o uso do Scrum não está restrito apenas a software e criaram uma seção que dá alguns exemplos de utilização além da Tecnologia da Informação (TI) e expande o significado do termo desenvolvimento para diversas outras formas de trabalho complexo [3].

Ken Schwaber responde à pergunta dizendo: “Se você tem uma visão e ela está em uma área complexa ou até mesmo caótica e você quer ver se você pode criar algo útil sem perder dinheiro fazendo algo que não irá funcionar, Scrum é a resposta para você”. [2]

O Papel do Scrum Master

O papel de líder servidor do Scrum Master foi reforçado. Ao invés de ser alguém que assegura que o Time siga o framework, ele passa a ser a pessoa que ajuda a TODOS (dentro e fora do Time) a entender a teoria, práticas, papéis e valores do Scrum [1] [2].

Em um webinar realizado em novembro deste ano, Ken Schwaber disse que o Scrum Master tem pensamento enxuto e a maestria no trabalho empírico.

O Scrum Master sabe lidar com times pequenos auto organizados e ajuda as pessoas a fazer com que as coisas aconteçam. Sua maior habilidade é conectar pessoas e ajudá-las a trabalhar juntas [2].

Ele dá, inclusive, um importante aviso para as pessoas que desempenham esse papel: “Vá para dentro da empresa e ajude as pessoas tanto quanto você puder.

Isso irá testar sua paciência porque você está mudando a forma delas de pensar e pessoas não mudam rapidamente” [3].

Além desse reforço no papel do líder servidor, na parte que descreve os serviços que o Scrum Master presta ao Product Owner, foi adicionado o item: “Assegurar que metas, escopo e domínio de produto sejam entendidos por todos na Equipe Scrum, tanto quanto possível” [3].

A Reunião Diária (Daily Meeting)

reunião diária não é e nem nunca foi um momento de Status Report em que cada pessoa membro do time “atualiza” o Scrum Master ou o Product Owner sobre o que ele fez e o que vai fazer.

Na verdade, ela é um momento de colaborar, compartilhar, discutir impedimentos e principalmente verificar e tomar ações para que o Time alcance o Objetivo da Sprint (Sprint Goal[2].

As três perguntas tradicionais ainda existem e são opcionais. Elas servem apenas para auxiliar a dinâmica da cerimônia.

Entretanto, você provavelmente imagina que elas são: O que eu fiz ontem? O que eu vou fazer hoje? Há algum impedimento me atrapalhando?

Na verdade, desde 2013, o foco da reunião diária está relacionado à estratégia da Sprint. As perguntas são [1]:

  • O que fiz ontem que ajudou o Time de Desenvolvimento a atingir o objetivo da Sprint?
  • O que vou fazer hoje para ajudar o Time de desenvolvimento a alcançar o objetivo da Sprint?
  • Vejo algum impedimento que me impede ou a equipe de desenvolvimento de cumprir o objetivo da Sprint?

Time-Box

Ken e Jeff apenas deixaram claro que o Time-box é o tempo máximo para você executar alguma coisa.

Por exemplo, a Reunião Diária tem um Time-Box (limite máximo) de 15 minutos.

Caso ela dure apenas 10 minutos está tudo bem. Não é necessário encher linguiça ou discutir outros assuntos só porque “sobraram” 5 minutos [2].

Melhoria Contínua

Fazer uma Retrospectiva e não implementar nenhuma das melhorias elencadas na próxima Sprint é um sinal de que não haverá melhoria alguma [2].

Na Seção de Sprint Backlog os autores adicionaram a obrigação: “Para garantir a melhoria contínua, o Sprint Backlog inclui pelo menos uma ação de alta prioridade identificada na última Retrospectiva” [1].

Essa obrigação é algo que nem os autores ficaram confortáveis, pois o framework passou a ‘dizer’ o que ser feito.

Todavia, a percepção de que os times levantavam melhorias na Retrospectiva, mas nunca as implementavam, fez com que os autores escrevessem algo que estimulasse o espírito evolucionário do Scrum.

Incremento do Produto (Potencial Entregável)

Um incremento é a parte do produto que está totalmente desenvolvida, testada e pronta para ser entregue para um cliente quando o Product Owner assim decidir [1].

NÃO é necessário esperar o final da Sprint para realizar a entrega [2]. É possível realizar entregas para o cliente todo dia ou até em intervalos mais curtos.

A única obrigação é que no final da Sprint haja pelo menos um incremento que atenda a Definição de Pronto (Definition of Done[4].

Sintetizando as mudanças no Guia do Scrum

  • O uso do Scrum não é restrito apenas ao desenvolvimento de software. Ele pode ser usado para trabalho em ambientes complexos ou até mesmo caótico.
  • O Scrum Master é um líder servidor, ou seja, um agente de mudança que entende que o trabalho é feito por pessoas e para pessoas e por isso deve ajudá-las a serem mais eficazes e eficientes.
  • A Reunião Diária não é um Status Report. Na verdade, é um momento em que colaboramos e compartilhamos informações que nos ajudam a chegar ao objetivo da Sprint.
  • Time-Box é o tempo máximo para alguma coisa.
  • Melhoria contínua tem que ser feita em toda Sprint.
  • Incremento é algo que atende a Definição de Pronto do Time e não precisa esperar o final da Sprint para ir para a mão dos clientes. Essa decisão depende do Product Owner.

Referências

[1] Schwaber, Ken and Sutherland, Jeff. The Scrum Guide. Disponível em: http://www.scrumguides.org/docs/scrumguide/v2017/2017-Scrum-Guide-US.pdf. Novembro de 2017.

[2] Schwaber, Ken; Sutherland, Jeff and West, Dave. Webinar 2017 Scrum Guide Update with Ken Schwaber and Jeff Sutherland. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=WVSQkU5VaC8. 8 de Novembro de 2017.

[3] Schwaber, Ken and Sutherland, Jeff. Changes between 2016 and 2017 Scrum Guides. Disponível em: http://www.scrumguides.org/revisions.html. Novembro de 2017.

[4] Schwaber, Ken and Sutherland, Jeff. Scrum Guide Revision. Disponível em: https://34slpa7u66f159hfp1fhl9aur1-wpengine.netdna-ssl.com/wp-content/uploads/2017/11/2017-Scrum-Guide-Update-1.pdf. Novembro de 2017.

Sobre o autor(a)

Co-fundador e Trainer na K21

Rafael Sabbagh é co-fundador da K21 e foi membro do Board de Diretores da Scrum Alliance entre 2015 e 2017. Ele é Certified Scrum Trainer (CST) pela Scrum Alliance e também Accredited Kanban Trainer (AKT) pela Kanban University. Atuando em nível executivo, possui uma vasta experiência em Transformação Digital e Gestão de Produtos. Ao longo da sua carreira, já treinou milhares de Scrum Masters, Product Owners e membros de equipes em mais de 15 países na Europa, América e Ásia.

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