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Wishful thinking: Quando a ilusão se sobrepõe à razão.
Transformação Organizacional

Wishful thinking: Quando a ilusão se sobrepõe à razão.

#análise#gerenciamento#gestão#gestão ágil#métricas#métricas ágeis

Por Avelino Ferreira Gomes Filho

Publicado em Atualizado em 3 min de leituraK21

Muitas vezes a expressão Wishful thinking é erroneamente traduzida para Pensamento Positivo. A tradução mais correta seria Pensamento Ilusório ou Pensamento Enganoso. Infelizmente esse pensamento está presente em diversas transformações e vive em muitos gestores. Gostaria neste artigo de apresentar o que é e o prejuízo que essa forma de gerir traz às organizações e aos times. 

Características principais do Wishful Thinking

1. Baseado em desejos, não em fatos

As crenças ou decisões são influenciadas mais pelos desejos e esperanças do que pela análise racional ou pelas evidências.

Xororó, homem de aparência pensativa e expressão melancólica, com cabelos curtos e escuros, usando uma camisa clara em um ambiente ao ar livre com fundo desfocado.
Xororó fica triste ao descobrir que alguém não gosta de evidências.

2. Desconexão da realidade

Leva a uma percepção distorcida do que é possível ou provável. A paixão pela ideia e a crença do “no final vocês vão ver” é muito forte e turva a realidade.

3. Confirmação de vieses 

Pessoas que praticam wishful thinking tendem a buscar ou interpretar informações que confirmem suas esperanças, ignorando ou minimizando dados que possam contrariar suas expectativas.

4. Resistência a críticas

Quando confrontados com fatos ou evidências contrárias, resistem a esses argumentos, considerando-os como “negatividade” ou “falta de visão”, em vez de avaliar os fatos com objetividade.

5. Fuga de responsabilidades

O wishful thinking pode ser uma forma de evitar enfrentar problemas ou tomar decisões difíceis, ao focar no que seria ideal em vez de lidar com a realidade.

6. Otimismo Infundado

Muitas vezes é confundido com otimismo, mas ao contrário do otimismo realista, o wishful thinking não considera os desafios ou riscos envolvidos na iniciativa, transformação ou produto. 

Costuma aparecer nas análises SWOT, ou como eu prefiro em português, FOFA (Forças, Oportunidades, Fraquezas e Ameaças). 1000 forças, 10.000 oportunidades, 3 fraquezas e ½ ameaça.

7. Dependência de fatores externos

Quem adota esse tipo de pensamento frequentemente espera que as soluções venham de mudanças externas (circunstâncias, sorte, outros indivíduos), em vez de reconhecer a necessidade de esforço ou planejamento pessoal.

E nas Empresas?

Muitas transformações ágeis e gestão de produtos são assim. Cheio de pensamentos positivos, mas com pouquíssimas decisões baseadas em dados. Você vê isso em diálogos: 

– Como está indo a transformação? 

– Bem

– Bem como? 

– Tá indo

– ???

Ou em produtos:

– Quantos clientes o seu produto tem? 

– Um montão. 

– Montão quanto 

– Entre 10 e 10.000

– ????

Infelizmente não dá para pagar as contas com pensamento positivo. Na hora da verdade, se você não traz resultado, você é visto apenas como custo. Uma hora alguém vai questionar porque estão te pagando.

Não adianta fingir que os dados não existem porque a dura e cruel realidade, assim como o Seu Barriga no Chaves, sempre volta para cobrar o aluguel.

Senhor Barriga provando que Wishful Thinking não funciona. "Homem de bigode e óculos grandes, vestindo terno e gravata, com expressão facial caricata e um gesto de mão indicando convite ou questionamento, em uma fotografia em preto e branco.
A cobrança pela falta de dados e excesso de Wishful Thinking sempre chega.

Minha esperança 

Separei aqui uma série de artigos em que abordamos métricas e gráficos. Todavia, preste atenção: Métricas são apenas parte das decisões baseadas em dados. 

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Wishful Thinking é enganoso. Wishful Thinking destrói transformações, produtos, times e empresas. Wishful Thinking não ganha campeonato. 

Até a próxima.

Perguntas frequentes

O que é Wishful Thinking e qual a sua tradução correta?

Wishful Thinking é a tendência de tomar decisões ou formar crenças baseadas em desejos e esperanças, em vez de fatos e análises racionais. Embora seja frequentemente traduzido de forma errônea como Pensamento Positivo, a tradução mais precisa é Pensamento Ilusório ou Pensamento Enganoso, pois leva a uma percepção distorcida da realidade.

Quais são as principais características do Wishful Thinking na gestão?

As principais características incluem a tomada de decisões baseada em desejos, a desconexão com a realidade e a confirmação de vieses. Além disso, envolve resistência a críticas, fuga de responsabilidades para evitar lidar com problemas reais, otimismo infundado que ignora riscos e a dependência de fatores externos para resolver situações complexas sem o devido planejamento.

Como o Wishful Thinking afeta a gestão de produtos e transformações ágeis?

Em empresas, o Wishful Thinking se manifesta em iniciativas ágeis e de produtos sem decisões guiadas por dados. Quando os resultados reais não são apresentados, a organização passa a enxergar a equipe ou iniciativa apenas como custo. O excesso de pensamento ilusório impede o acompanhamento concreto do desempenho e gera cobranças inevitáveis pela falta de entregas efetivas.

Qual é a importância de utilizar métricas nas decisões organizacionais?

As métricas são fundamentais para fundamentar decisões em dados concretos, combatendo o Wishful Thinking nas empresas. Elas ajudam a medir o progresso em transformações, fluxos de trabalho e produtos digitais. No entanto, as métricas representam apenas uma parte do processo de tomada de decisão baseada em dados, sendo essencial analisar os dados reais para garantir resultados.

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