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Cultura da Ocupação
Gestão de Times Ágeis

A Cultura da Taxa de Ocupação

#gestão#líder#liderança#métricas#transformação

Por Andre Bocater

Publicado em Atualizado em 2 min de leituraK21

Já falei bastante sobre a evolução industrial e trabalho em esteira no texto “Líder Ágil x “Líder” Chefe“. Mas gostaria de falar um pouco mais sobre comportamentos humanos no dia a dia de uma empresa tradicional. Neste artigo, falaremos sobre a cultura da taxa de ocupação!

Comecei minha carreira profissional em uma grande multinacional de petróleo. Extremamente hierarquizada, onde podia-se ver o cargo ou importância de cada um pelo tamanho das mesas e cadeiras. Me lembro do dia em que fui promovido a coordenador e ganhei uma mesa em “L”. Todos, a partir do momento em que sentei nela, sabiam que eu havia sido promovido. Gerente, então, uma sala para chamar de minha!

Sempre fui muito observador, e no início da minha carreira, costumava ver meu Diretor andando de um lado para o outro sempre com o notebook e/ou um caderno na mão, mesmo que fosse para ir ao banheiro. Um dia tomei coragem (sim, coragem, afinal eram tantos os níveis hierárquicos que nos separavam que era quase proibido determinada aproximação) e perguntei porque ele levava o “Note” para passear? Ele, muito simpático da parte dele, me convida para um café na sua faraônica sala. – “amigo, deixa eu te dar um conselho: nunca ande pela empresa de mãos vazias, pois as pessoas podem pensar que você está desocupado”!

Pois bem, queria ilustrar o que significa a cultura da taxa de ocupação nas empresas. Temos uma cultura de taxa de ocupação tão forte que nos impede de fato de priorizar ou até mesmo despriorizar as nossas ações.

Para sermos Ágeis na essência, temos que ser capazes de priorizar nossas ações, trabalhar em ciclos curtos e focar na melhoria contínua. Por estarmos sempre muito ocupados tomando conta das galinhas, não temos tempo para consertar o buraco do galinheiro.

Ou seja, estar muito ocupado me impede de dar foco no que realmente importa. Ainda que você seja um ser iluminado e consiga trabalhar dessa forma, se a empresa ou setor não tiverem essa mesma cultura, seu processo continuará engessado.

Para que isso não ocorra, e para deixarmos de ser tarefeiros na essência (afinal, #SomosTodosTarefeiros), devemos ter a consciência que a transformação digital exige uma cultura Ágil pulsando fortemente no propósito da organização e no coração pessoas. Caso contrário, seremos simplesmente uma organização tradicional (comando e controle) fantasiada de Ágil.

Que tal conferir mais conteúdos no blog da K21?
• O time tarefeiro e o time de produto
• Quer aumentar a produtividade da empresa? Dê folgas!

Perguntas frequentes

O que é a cultura da taxa de ocupação nas empresas?

A cultura da taxa de ocupação é o comportamento corporativo focado em parecer constantemente ocupado. Nas empresas tradicionais, estar sempre realizando tarefas ou andando com materiais de trabalho passa a falsa impressão de produtividade. Esse hábito impede que profissionais e gestores parem para analisar processos, definir prioridades reais e focar no que é verdadeiramente importante para o negócio.

Como a busca por estar sempre ocupado prejudica a agilidade de uma empresa?

A obsessão por manter todos sempre ocupados impede que os times consigam priorizar ações, trabalhar em ciclos curtos e buscar a melhoria contínua. Quando profissionais passam o tempo todo executando tarefas operacionais, não sobra espaço para resolver problemas estruturais da organização, mantendo o processo engessado e transformando a equipe em simples executora de tarefas sem foco estratégico.

Como os símbolos de status se manifestam em empresas tradicionais e hierarquizadas?

Em organizações fortemente hierarquizadas, a importância e o cargo dos profissionais são demonstrados visualmente por meio da infraestrutura física. Mudanças de posição trazem símbolos de status bem definidos, como o ganho de uma mesa em formato de L ao alcançar a coordenação ou a conquista de uma sala própria ao atingir o cargo de gerente no ambiente corporativo.

O que é necessário para uma verdadeira transformação digital e ágil?

Para alcançar uma transformação digital autêntica, a empresa precisa desenvolver uma cultura ágil fundamentada em seu propósito e alinhada ao comportamento das pessoas. Caso a organização não mude sua mentalidade e mantenha o foco excessivo em ocupação e tarefas, ela continuará sendo uma empresa tradicional de comando e controle, apenas maquiada com conceitos de agilidade.

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